Visita da Univates ao Distrito C & 4º Distrito | Vila Flores

Vila Flores: Acupuntura Urbana no Quarto Distrito

Introdução

Após décadas de decadência e descaso, o Bairro Floresta busca, de diferentes maneiras, encontrar novos caminhos que o levem a uma vida e papel mais ativos dentro da cidade. Um desses caminhos, em nossa opinião, deve ser o resgate do seu rico patrimônio histórico, que deve ser conservado, restaurado e receber novas funções no tecido urbano.

No passado, o nome que os porto-alegrenses davam à principal via que ia do Centro em direção ao norte, paralela à orla, era Caminho Novo. Havia um conjunto de chácaras muito bonitas e era um passeio agradável, que encantava os visitantes estrangeiros no séc. XIX. Aos poucos, a área foi se urbanizando, a orla ficando mais longe com os aterros e o Caminho Novo passou a se chamar Avenida Voluntários da Pátria.

Aquarela de Debret intitulada Paranaguá. Porém trata se de um equivoco do autor, a paisagem/panorama é de Porto Alegre . BANDEIRA, 2008.Debret e o Brasil 1816-1831No canto esquerdo está o Caminho Novo (atual Vol.da Pátria).

Aquarela de Debret intitulada Paranaguá. Porém trata se de um equivoco do autor, a paisagem/panorama é de Porto Alegre . BANDEIRA, 2008.Debret e o Brasil 1816-1831 No canto esquerdo está o Caminho Novo (atual Vol.da Pátria).

Com a chegada dos imigrantes alemães a partir de 1825, eles primeiro localizaram seus comércios ao longo desta via, pela proximidade com o rio, onde chegavam as mercadorias de fora, nos trapiches, e depois também criaram ali as primeiras indústrias de Porto Alegre. Depois vieram italianos, poloneses e outros povos. No início do século XX o Quarto Distrito era a zona industrial da cidade, com várias indústrias importantes, como Gerdau, Wallig, A.J. Renner, Neugebauer, Fiateci, Bopp, Brahma, etc., onde moravam dirigentes e operários das fábricas.

Porto_Alegre_Voluntários_da_Pátria_Festa_de_Navegantes_1900

Voluntários da Pátria, Festa de Navegantes, em 1900, O Guaíba está junto à rua, se pode ver no fundo os navios atracados junto a Voluntários. Mais tarde esta área foi aterrada.

Um projeto que ganhou destaque durante o ano de 2012 foi a proposta de revitalização dos prédios para aluguéis do Arquiteto Joseph Lutzenberger, o pai do ecologista, que formam uma esquina entre as ruas Hoffman e São Carlos, a uma quadra da Av. Cristóvã Colombo. O projeto arquitetônico é da Goma Oficina, de São Paulo. Leia por exemplo a matéria no Jornal Floresta com algumas informações do projeto, que inserimos em um post. Em julho de 2012 Zero-Hora fez também uma matéria sobre esse projeto: Conjunto de casas pode virar centro de cultura em Porto Alegre.

Em janeiro de 2013 houve um ensaio fotográfico sobre os prédios no blog de Milena Fischer.
Desde 21 de janeiro de 2013 foi criada uma página sobre o projeto no Facebook, com informação e muitas fotos. Em janeiro também o projeto foi apresentado no programa Tudo Mais da TVCOM. Em abril de 2013 o caderno ZZH Moinhos fez uma grande reportagem de capa, com duas páginas centrais, sobre o projeto e o bairro: Para Valorizar o Floresta.

Atualmente, O Vila Flores sedia uma série de empreendimentos criativos e ele mesmo é participante do Distrito Criativo de Porto Alegre, um coletivo com mais de 80 artistas e locais de economia criativa, do conhecimento e da experiência.

Todas as fotos são de 2013, para conhecer a situação mais recente visite o site.

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Edfício na r. Hoffmann, esquina com a r. São Carlos, projeto do arquiteto Joseph Lutzenberger . Ver Street View | Foto: Jorge Piqué

Se trata de dois prédios. Um, na Rua Hoffman, nº 477 e 459 (equina com R. São Carlos) e o outro, na Rua São Carlos, nº 753, 759 e 765, com 2.332m² de área construída (ver Google Maps), cada edifício com três pavimentos. Foi projetado pelo importante arquiteto, artista plástico e professor Joseph Lutzenberger (Altötting, Bavária, 13 de janeiro de 1882 — Porto Alegre, 2 de agosto de 1951). A obra foi contratada pelo proprietário, Dr. Oscar Bastian Pinto.

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Joseph Lutzenberger, aos 61 anos, Auto-retrato (1943)

[Lutzenberger] Formou-se engenheiro-arquiteto em 1906, pela Universidade Técnica Real da Baviera, em Munique, mas desde cedo interessou-se pela pintura e pelo desenho. Antes de emigrar trabalhou como arquiteto nas cidades de Rixford (1908), Dresden (1909) e Wiesbaden (1912-1913), e estudou arte com os professores Polivka (1910), em Praga, e Reinhardt e Sessenguth (1911), em Berlim (…) Tendo chegado a Porto Alegre, foi trabalhar para a construtora Weis & Cia e projetou prédios importantes, tais como a Igreja São José (1924), o Instituto Pão dos Pobres (1925) e o Palácio do Comércio (1940). (fonte: Wikipedia).

No jazigo de Lutzenberger há uma placa de bronze onde estão representados a Igreja São José e o Palácil do Comércio, provavelmente as obras que ele considerava as melhores.
Site oficial de Joseph Lutzenberger

Igreja São José

Orfanato Pão dos Pobres

Palácio do Comércio

Além de famoso arquiteto da primeira metade do séc. XX, em Porto Alegre e no interior do Estado, Lutzenberger é considerado hoje um dos maiores expoentes na arte gaúcha em técnicas da aquarela e desenho, com um traço preciso e um impecável senso de forma, além de ser um finíssimo observador da natureza e dos costumes do povo. Entre seus temas prediletos estão a cidade com seus casarios e habitantes, a guerra, a vida campeira, e o auto-retrato. (fonte: Wikipedia).
Algumas belas aquarelas de Luzenberger

Nas aquarelas abaixo, Paquera na Janela e Gordona na Janela, dos anos 40, se percebe o ambiente das ruas da cidade, ambiente que bem poderia ser o das ruas e dos moradores em volta desses prédios, na Floresta.

aquarelas de Lutzenberger

As relações entre público e privado

Houve uma mudança significativa dos padrões de comportamente associados a residências desse tipo. Prédios com porta e janela em contato direto com a rua, como se pode observar claramente nas aquarelas de Lutzenberger, mostram que o limiar entre as esferas pública e privada era muito menos claro que nos dias de hoje, Esse flerte entre o público e privado, como o flerte entre o homem e a mulher na janela,  produzia uma vida de relações mais rica nas vizinhaças.

Os grandes condomínios atuais procuram trazer a rua para dentro da segurança do espaço privado, com iluminação, jardins e segurança privada também. Além disso, no passado, os negócios se encontravam nas ruas, diretamente acessíveis a vizinhança, enquanto que hoje em dia, cada vez mais saem do espaço público, para ocupar os espaços privados dos grandes centros comerciais, mais seguros, mais bem iluminados e calçados.

Por outro lado, esses imóveis dos anos 30 e 40 muitas vezes uniam o mundo privado, na parte superior, com  mundo do trabalho, no térreo, e através deste, com o negócio na calçada, e com toda a vida pública da rua. Mundo privado, economia, negócios e esfera pública estavam fisicamente ligados, proporcionando uma rica troca no nível simbólico.

Se perdeu, atualmente, muito dessa mescla específica entre público e privado deste tipo de bairro, os espaços se especializaram, numa combinação diferente de público e privado. Grandes condominios residenciais privados que trazem para o seu interior aspectos do mundo público, formando micro comunidades privadas, mas com pouca interação social, além das reuniões de condomínio, e grandes centros comerciais privados, que são públicos, de acesso universal, mas às vezes sem contato direto com a vizinhança, já que seus clientes vem de carro de outros locais da cidade.

Essa separação atual das esperas privada e pública, com grandes condomínios e centros comerciais, tem muita relação, em nossa opinião, com as facilidades de locomoção dos carros particulares, que nos levam ou para nossos espaços residenciais privados e fechados, ou para os grandes espaços de consumo públicos. A proximidade física que havia entre o público e o privado no âmbito da rua e da vizinhança no passado permitia um contato mesmo da janela, e no máximo por meio de uma pequena caminhada de uma quadra. Atualmente, para muitas pessoas, a principal razão para andar pelas ruas da sua vizinhança é o passeio obrigatório do animal de estimação.

Casa de Aluguel na Floresta

Segundo o Jornal A Federação, em 1927 foi realizado o calçamento com pedras irregulares da R. São Carlos, bem como da Praça Florida  e de ruas importantes como Voluntários da Pátria, Benjamim Constant e Mostardeiro, o que revela indiretamente a importância da rua.

Os dois prédios de apartamentos para alugar (casa de aluguel), são um projeto de Lutzenberquer dos anos 1928-30, portanto, logo depois dos projetos da Igreja São José e do Pão dos Pobres, e apresentam uma arquitetura eclética, com mistura de tendências, com um componente alemão, na verdade mais autêntico que a arquitetura turística de Gramado. O estilo de Lutzenberger se caracterizava pela sobriedade e funcionalidade. Empregava um estilo eclético com tendência ao Art déco, eliminando ornamentações supérfluas. Os apartamentos do andar superior eram para alugar e no térreo funcionava alguns usos comerciais.

É exatamente este estilo sóbrio, funcional, sem ornamentações, que encontramos no projeto de 1928. São dois edifícios com 32 apartamentos no total, um amplo pátio entre eles, com um galpão e com dois acessos para veículos, pela R. São Carlos, num total de 2.332 m². Serviram de casa de aluguel na década de 20 para trabalhadores das indústrias instaladas na região, como Wallig, Gerdau, Fiatecci e Brahma.

Projeto Lutzenberguer

Projeto Joseph Luzenberguer, fachada do prédio de frente para a R. São Carlos.

No final de junho de 1934 os moradores da Capital Gaúcha presenciaram um acontecimento inusitado para a época. Nesta data, o dirigível alemão Graf Zeppelin sobrevoou o céu de Porto Alegre. Na foto abaixo se pode ver o momento que o dirigível sobrevoava o Bairro Floresta. No primeiro plano está a R. São Carlos e  se vê claramente o prédio de Lutzenberger, localizado nessa rua. É provavelmente a foto mais antiga onde aparece o prédio, que acabara de ser construído.

Fotos Zeppelin 1934 © J.P. Herrmann

Se trata de “uma antecipação dos projetos de apartamentos e de edifícios mais altos (…) destinados para aluguel, esses apartamentos ocupavam os apartamentos superiores, enquanto no térreo sua utilização continuava a ser para armazéns, lojas e depósitos” (Leila Nesralla Mattar)

Localização das principais fábricas no Quarto Distrito (1870-1950). CLIQUE PARA AMPLIAR.

Localização das principais fábricas no Quarto Distrito (1870-1950). CLIQUE PARA AMPLIAR.

O proprietário, Oscar Bastian Pinto (n. 1881), foi engenheiro formado pela Escola de Engenharia, onde foi colega de Manoel Itaqui. Era filiado ao positivismo, corrente político-filosófica que prevaleceu no Rio Grande do Sul nas primeiras décadas do sèc XX. Desde 1899 era cunhado de Pedro Chaves Barcelos e depois de seu irmão Antonio e sempre foi muito vinculado a esta familia (No final do séc. XIX Alzira Bastian, que nasceu em Porto Alegre, era prima de Marieta Chaves Barcellos casada com o Comendador Chaves Barcellos). Entre 1912 e 1918, residiu em Pelotas, visitando a capital com regularidade. Em 1925 foi membro da comissão auxiliadora da construção do Orfanatrofio Santo Antonio do Pão dos Pobres, um projeto de Lutzenberger, como vimos (talvez teria sido essa a oportunidade para se conhecerem). Em 1926 foi da diretoria da Companhia Sul Brasil de Seguros. Em 1928 estava também na Companhia União de Seguros e era diretor do Banco Porto Alegrense. Em 1929 era presidente da Associação de Proprietários de Imóveis (em 1939 essa associação teve participação no Plano Diretor da cidade).

Oscar Bastian Pinto foi fundador em 1931 da Sociedade Porto-Alegrese de Auxilio aos Necessitados, SPAAN. Teve uma certa atuação social, portanto, e a construção dos prédios para alugar a trabalhadores parece ter relação com essa preocupação. Alguns anos depois participou na criação de uma entidade que financiava a casa própria sem juros. Foi uma figura de atuação nas letras gaúchas também. Foi tradutor de Júlio Cesar em Prosa, de Shakespeare, em 1946. Foi responsável pelas notas, juntamente com Augusto Meyer, da edição de 1957 do poema Antônio Chimango, escrito pelo médico, jornalista e político Ramiro Barcellos, que satirizava a figura do poderoso Governador de Estado, Borges de Medeiros, Tinha interesses em lingûística, em 1958 foi publicado seu livro Reflexões Acerca da Expansão da Lingua Portuguesa no Mundo.

Aquarela de Joseph Lutzenberger

Ed. Bastian Pinto | Aquarela de Joseph Lutzenberger

Os prédios estavam alugados de forma regular até 2010. Depois houve um período de ocupação indevida e ficaram muito tempo abandonados e expostos. Por outro lado, se trata de área de interesse cultural do município, está inventariado (recentemente, em 2010, a casa que foi de Joseph e seu filho José Antonio Lutzenberger, o ecologista, foi tombada e restaurada, por Flávio Kiefer. (Mais detalhes)).

Fotos da situação dos prédios em 2010 | Foto: César Cardia

Fotos da situação dos prédios em 2010 | Foto: César Cardia

Foto Detalhe: César Cardia

Detalhe da situação do telhado | Foto: César Cardia

Atualmente o Vila Flores está em vias de restauro e recuperação. Enquanto o projeto não começa, uma série de atividades culturais como o Simultaneidade acontecem nos prédios, reunindo artistas e um grande público. Veja abaixo as 3 fases da área interna, abandono, restauro e reocupação com atividades culturais:

Três fases do Vila Flores

Visita aos prédios de Luzenberger

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Situação atual do prédio da R. São Carlos Foto:Jorge Piqué

Localização no bairro: o conjunto se localiza entre as duas grandes vias que cruzam a Floresta, a Av. Cristóvão Colombo e a Av. Farrapos.

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Localização nas ruas e estrutura geral: na esquina das ruas Hoffmann e São Carlos, com pátio, acessos e galpão.

zoom

No diia 12 de janeiro de 2013, sábado, a partir das 9hs, o arquiteto João Felipe Chaves Barcelos Wallig, que vive em São Paulo, um dos responsáveis pelo projeto dos prédios, que pertencem a sua família, conduziu uma visita guiada ao prédio e da situação atual do projeto (outras visitas já tinham sido realizadas em 2012). A idéia do encontro foi também pensar em formas de como viabilizar economicamente este projeto, dando uma nova função para toda a área.

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Responsável pela revitalização, João Felipe Wallig (a direita) e o grupo Teatro Geográfico    Foto: Jorge Piqué

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Maquete do projeto | Foto: Jorge Piqué

Fotos dos prédios

Prédio da R. Hoffmann

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Foto: Jorge Piqué

Destaca-se nos prédios o uso de bay-windows, solução muito comum na arquitetura alemã do final do século XIX.

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Foto: Jorge Piqué

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Bay-windows | Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

Fotos do prédio na rua São Carlos.

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Bay-windows | Foto: Jorge Piqué

A face Interna dos prédios

Os apartamentos dão para um pátio interno, bem amplo. Ao fundo, face interna do prédio na R. Hoffmann, o melhor conservado.

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Foto: Jorge Piqué

Face interna do prédio na R. São Carlos,que sofreu mais modificações.

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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João Felipe Wallig mostrando o pátio interno | Foto: Jorge Piqué

Fotos do interior dos apartamentos em ambos prédios. Alguns apartamentos estão em boas condições, outros precisam de mais reformas.

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Janelas bay-windows que estão na esquina da R. Hoffmann com a R. São Carlos. Estes apartamentos de esquina são os mais amplos e bem decorados. Foto: Jorge Piqué

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Entrada no corredor. | Foto: Jorge Piqué

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Houve várias camadas diferentes de tinta nas paredes | Foto: Jorge Piqué

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Em alguns pontos o piso cedeu | Foto: Jorge Piqué

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As cozinhas e banheiros foram em algum momento reformadas e se colocou azulejo branco, provavelmente uma modernidade na época. | Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

O sótão estava dividido em espaços com divisórias, que eram ocupados por cada família. Na reforma do telhado se  criou  um espaço único.

Telhado do prédio sobre o sótão, na R. Hoffmann.

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Foto: Jorge Piqué

O telhado (telhas e estrutura de madeira) é novo. Foi o primeiro elemento a ser restaurado para proteger as edificações da chuva.

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Foto: Jorge Piqué

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Visão geral do sótão | Foto: Jorge Piqué

No pátio há um galpão onde funcionou uma fábrica de mosaicos usados para fazer calçadas em Porto Alegre, a fábrica do “seu” Morgado. Num segundo momento passou a ser uma oficina mecânica. Na frente do prédio funcionou durante anos a estofaria do “seu” Julio.

A proposta é fazer ali um restaurante e um espaço a noite para eventos culturais.
O telhado do galpão, como no caso dos prédios, é novo.

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

O Projeto Vila Flores

O projeto de adequação de conjunto histórico para a revitalização dos prédios é da Goma Oficina, de São Paulo.

Esquina das ruas Hoffmann (esq) com São Carlos (dir)

Nova função do conjunto: “o projeto contempla um Centro Cultural, com espaço para teatro, exposições e restaurante, e salas para escritórios, com espaços alugados.”

Pátio interno.

O PROJETO

“Este projeto tem como ambição a revitalização dos edifícios e adaptação de seu uso a uma demanda contemporânea. Vemos a intervenção como um grande potencial para melhoria da região e manutenção da memória e do patrimônio material de Porto Alegre. Para isso o tomamos como premissa de projeto o restauro das fachadas externas, bem como as bay-windows e das aberturas originais de madeira. O objetivo é ter a conformação da quadra, os acessos e passeios, assim como havia pensado o arquiteto Joseph Lutzenberger, aproveitando a boa orientação, insolação e ventilação.

A modificação ocorre na face interna, onde uma nova estrutura organiza as plantas dos pavimentos e suporta as infraestruturas ao novo uso do complexo. Nas fachadas internas dos dois edifícios, no alinhamento dos núcleos hidráulicos, pensamos uma nova estrutura metálica que parasita os prédios. Essa estrutura com fechamentos em vidro e madeira soma metragem as áreas molhadas e cria espaços de convívio, fundamental para a nova organização da planta.

A principal função desta construção é garantir o bom funcionamento das infraestruturas: água, esgoto, descidas pluviais, energia, gás, aproveitamento de água de chuva e sol. A intervenção estabelece uma nova prumada externa que garante o abastecimento de água e luz a uma demanda maior e mais moderna do que o previsto em 1928 quando o prédio foi concebido. Considera-se o aproveitamento de água da chuva, e aquecimento de água por placas solares, armazenamento de águas cinzas para suprir usos como irrigação dos jardins e abastecimento dos vasos sanitários.

No térreo, a nova estrutura funciona como uma marquise para um passeio coberto de galeria que convida as pessoas a ingressarem no conjunto.” – Goma Oficina

Entorno na Floresta

Para UrbsNova, é importante não só o ponto de vista micro do projeto, sua história e suas novas funções, mas principalmente o que ele pode impactar na vizinhança mais próxima. A consequência desse projeto de acupuntura urbana seria melhorar a qualificação do bairro Floresta, se somando a outras áreas de revitalização e com efeitos no conjunto do Quarto Distrito.

Nas ruas próximas existe muito patrimônio histórico e áreas que poderiam ser facilmente melhoradas a partir do estabelecimento deste projeto na esquina das ruas Hoffmann e São Carlos.

Justamente ao lado do prédio na R. São Carlos, há uma antiga casa, em más condições, mas cuja lateral é contigua ao pátio interno do projeto. Poderia, portanto, facilmente se agregar formando um conjunto maior.

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Prédio da R. São Carlos. a direita, e casa antiga, a esquerda | Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

No entando houve já muita perda de patrimôno nesta região. A revitalização dos prédios poderia ser uma maneira de evitar mais perdas no entorno. Na R. Hoffmann, quase em frente ao prédio de Lutzenberger, há uma casa antiga que já está arruinada.

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

Em frente ao prédio da R. São Carlos, por outro lado, há um prédio antigo, de dois pisos, e que está em boas condições e ainda funcional, inclusive com alguns negócios na fachada da R. São Carlos. como era o funcionamento nos anos 30.

Esse prédio tem também uma importante história e hoje faz parte do Plano de Economia Criativa de Porto Alegre. Veja mais sobre a Casa de Apartamentos, de Jorge Thofhern, que no momento está a venda.

predio em frente

Foto Street View | Google Maps

| Foto: Jorge Piqué

Esquina das ruas Hoffmann e São Carlos | Foto: Jorge Piqué 2012.

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Fachada R. Hoffmann do prédio em frente ao Vila Flores | Foto: Jorge Piqué 2012

Na mesma quadra da R. Hoffmann, na direção da Cristóvão Colombo, no nº 588, a poucos metros, se encontra a Igreja Batista da Floresta. Foi fundada no ano de 1919, por meio do trabalho de missionários americanos, portanto, um pouco antes apenas da construção dos prédios de Lutzenberger.

 

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Foto: Jorge Piqué

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Foto: Jorge Piqué

Bem na esquina em frente ao prédio da R. Hoffmann, existe uma espécie de pequeno centro comercial, com pequenas lojas e estacionamento. De certa forma mantém a tradição de comércios na região. Embora pouco aproveitado e com pouc qualidade atualmente, teria um potencial de crescimento e requalificação, com o desenvolvimento do Vila Flores em frente.

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Ao fundo, a fachada fronta do prédio na R. Hoffmann | Foto: Jorge Piqué

Na esquina da R. Hoffmann, com a Cristóvão Colombo, a distância de uma quadra do Vila Flores, está um grande Supermercado Zaffari.

Supermercado  Zaffari, Cristóvão Colombo | Foto: Jorge Piqué

Supermercado Zaffari, Cristóvão Colombo | Foto: Jorge Piqué

Na quatra da São Carlos, entre a R. Hoffmann e a Sete de abril, existem atualmente dois prédios desocupados. Um deles é a entradas dos fundos do antigo Madrigal, que hoje não funciona mais e o prédio está à venda ou para aluguel, dentro no nosso Plano de Economia Criativa. Veja mais detalhes aqui.

Antigo Madrigal

Fundo do antigo Madrigal | Foto: Jorge Piqué

Na São Carlos, esquina com a Sete de Abril, e até a esquina da Av. Farrapos há um enorme prédio desocupado, onde funcionava a Importadora Americana.

Importadora Americana, na Av. Farrapos | Foto: Jorge Piqué

Importadora Americana, na Av. Farrapos | Foto: Jorge Piqué

Importadora Americana, fundo na R. São Carlos, a poucos metros do Vila Flores | Foto: Jorge Piqué

Importadora Americana, fundo na R. São Carlos, a poucos metros do Vila Flores | Foto: Jorge Piqué

Importadora Americana, interior | Foto: Jorge Piqué

Importadora Americana, interior | Foto: Jorge Piqué

Na R. Sete de Abril, paralela a R, Hoffmann, existe uma série de casas antigas. O entorno é rico em patrimônio histórico.

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Foto: Jorge Piqué  Infelizmente a casa amarela à direita foi demolida em 2015.

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Foto: Jorge Piqué

Na Rua São Carlos, um pouco mais adiante, existe um belo conjunto de casas antigas geminadas, dos anos 30.

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Foto: Jorge Piqué

O Moinho Germani
Na Esquina da R. Sete de Abril com Emancipação, existe este antigo moinho, da década de 30, o Moinho Germani:

o velho conhecido Moinho Germani, um empreendimento do italiano Aristides Germani. Órfão de pai aos sete anos e de mãe aos 16 anos, Germani chegou ao Brasil nas levas migratórias italianas, transformando-se numa das personalidades dessa colônia no Estado. Além de ser um grande promotor do plantio de trigo no Brasil, foi líder comunitário e comandou os festejos da inauguração da estrada de ferro até a região de Caxias do Sul, em 1910.
A área construída na Capital de 4,3 mil metros quadrados começou a ser erguida em 1939 pela construtora Azevedo Moura & Gertum. (…) O edifício na esquina das ruas Sete de Abril e Emancipação, de quatro pavimentos, é o mais antigo, composto por paredes de alvenaria com vigas em concreto e laje em madeira.

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Foto Street View | Google Maps

Existiu em 2010 um projeto de revitalização do moinho, que poderia se somar a essa acupuntura urbana proposta pelo projeto Vila Flores.

Considerado de interesse cultural, o prédio consta no inventário da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre (Epahc) e não pode sofrer alterações na fachada e no volume. Um projeto, desenvolvido pelo escritório de arquitetura Studio Paralelo, propõe sua revitalização, mantendo a estrutura das construções. Inclusive os silos seriam mantidos e transformados em lofts, tipo de apartamento que utiliza espaços de indústrias desativadas, ideia consagrada em metrópoles como Nova York.

Moinho Germani, fundos | Foto: Jorge Piqué

Moinho Germani, silos fundos | Foto: Jorge Piqué

Recentemente, em 2012, o Moinho Germani foi proposto como um dos possíveis locais para o Consulado dos Estados Unidos em Porto Alegre (ver detalhes). Essa é mais uma ação no sentido de valorizar essa parte específica da Floresta no sentido de ter um impacto positivo em todo o bairro, criando um novo olhar para esta região que está em processo de revitalização.

Moinho Germani, interior | Foto: Jorge Piqué

Moinho Germani, interior | Foto: Jorge Piqué

Em 2011, foi lançado na Rua São Carlos nº 545 o Porto Alegre Hostel Boutique, no conceito “cheap and chic” (barato e elegante, charmoso, bonito). É a primeira proposta de sucesso na revitalização de um grande prédio antigo, também numa esquina, na mesma área da Vila Flores.

Porto Alegre Hostel Boutique

Porto Alegre Hostel Boutique

Porto Alegre Hostel Butique | Foto: Jorge Piqué

Porto Alegre Hostel Boutique | Foto: Jorge Piqué

Aos sábado à tarde acontece na quadra do Porto Alegre Hostel Boutique um brique onde os moradores vendem objetos e roupas antigas.

Brique em frente ao Porto Alegre Hostel Boutique | Foto: Jorge Piqué

Brique em frente ao Porto Alegre Hostel Boutique | Foto: Jorge Piqué

Grupo Refloresta

Grupo Refloresta

O grupo Refloresta – Grupo de Apoio a Revitalização do Bairro Floresta – se reúne periodicamente na Paróquia Santa Terezinha (esquina das ruas São Carlos e Ramiro Barcellos)  e discute os problemas do bairro e procura encontrar soluções.

No dia 26 de março UrbsNova participou de uma reunião onde apresentou um projeto para chamar a atenção sobre essa área do entorno do projeto Vila Flores.

Mais informações no e-mail reflorestapoa@gmail.com ou no fone (51) 3228.3802.
Facebook: http://www.facebook.com/Refloresta

……

Além dos prédios importantes do entorno, e da proximidade de duas grandes vias que atravessam o bairro e uma área ampla da cidade, como as avenidas Cristóvão Colombo e Farrapos, é importante destacar as vias arborizadas, como a própria R. São Carlos e Câncio Gomes, e a proximidade de uma importante rua do bairro, a R. Paraíba, por sua grande arborização e patrimônio histórico. A estas ruas arborizadas se soma a Praça Bartolomeu Gusmão, onde se localiza a Escola Infantil Meu Amiguinho.

Tradicionalmente é chamada de Praça Florida e tem muita história.
Veja o post Pracinha Florida, uma história de convívio no bairro Floresta
https://urbsnova.wordpress.com/2013/08/24/pracinha_florida/

EMEI JP Meu Amiguinho

Escola Infantil Meu Amiguinho | Foto: Jorge Piqué

Mapa do entorno

No mapa abaixo se tem uma vista sintética do potencial do entorno do Projeto Vial Flores.

Clique na imagem abaixo para ampliar.

Entorno do Pojeto Vila Flores

Entorno do Pojeto Vila Flores

Blibliografia

BAPTISTA, MARIA TERESA PAES BARRETO
JOSÉ LUTZENBERGER NO RIO GRANDE DO SUL: ARQUITETURA, ENSINO E PINTURA (1920-1951). 2007

texto: Jorge Piqué

13 ideias sobre “Vila Flores: Acupuntura Urbana no Quarto Distrito

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  5. Pingback: Passeio de bicicleta pelo Distrito Criativo | Distrito C | Distrito Criativo de Porto Alegre

  6. frcabreiraFrancisco Cabreira

    Que belo trabalho de informação e recuperação do Patrimônio Histórico. Cada casa, cada espaço, qualquer que seja o imóvel ou objeto mantido e recuperado já merece ser agradecido e admirado, parabéns pelo empenho, sabemos que é uma “luta” desigual, pois o adversário tem ao seu lado o poder financeiro…

    Resposta
  7. Pingback: Oportunidade no Distrito Criativo | Distrito C | Distrito Criativo de Porto Alegre

  8. Rodrigo

    Uau! Quanta imagem e explicações…
    Resido junto à essa parte; confesso que até a curto – só que com problemas existentes de cidade grande (sujeira, perigo): chato mesmo, pois essa parte histórica é bem bonita.
    Na tal edificação onde seria uma IMPORTADORA AMERICANA: assisti há alguns anos num noticiário que ‘tinham possíveis cães abandonados e houve queixa’. E parece que alguém neste responsável revidou.
    No início do ano, o tal temporal devastante arrancou uma das árvores na SÃO CARLOS que foi interditada por tempos: há ainda o buraco lá.
    Em caminhadas que faço por lazer e obrigação, passo pela área e não canso de achar bonita: apesar dos problemas.
    Salientam o ZAFFARI… Digo que “minha 2a casa”! Embora tenha piorado bastante.

    Resposta

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