Patrimônio Histórico

Uma das áreas de grande importância para UrbsNova é o patrimônio histórico. Valorizar e manter o nosso patrimônio histórico é dar visibilidade ao nosso passado e à nossa identidade. Uma cidade deve apoiar-se na sua história, na sua diferença, para seguir em frente, oferecendo as melhores condições de vida para os seus habitantes, tanto condições materiais, como culturais.

Nesta página reuniremos informações e observações sobre a questão do patrimônio histórico, principalmente na cidade de Porto Alegre.

Ed. Bastian Pinto, antes e depois

Joseph Lutzenberger (1882 — 1951), famoso arquiteto, professor e artista, pintou esta aquarela provavelmente nos anos 40, mostrando a sua visão do Ed. Bastian Pinto, seu projeto de 1928. À direita, vemos qual é a situação atual desse edifício, que preferimos nem olhar mais, não o percebemos como parte da paisagem urbana.

Ed. Bastian Pinto

Veja a situação do prédio em setembro de 2011, no Street View (Google Maps).

Notem a descaracterização da parte térrea da fachada por anúncios, se perdeu a elegância dos arcos, que os toldos imitam grotescamente.

Ed. Bastian Pinto II

No Código de Posturas de Porto Alegre, de 1975, ainda em vigor, já não se admitia essa desfiguração, que vemos em muitos outros casos:

Art. 38 – É proibida a colocação de anúncios:
III – que desfigurem, de qualquer forma, as linhas arquitetônicas dos edifícios;

Estamos num momento em que se pensa em um novo código de posturas, que será um código de convivência. O cuidado com a nossa cidade não pode ser mais desrespeitado, sem nenhuma consequência.

Vila Flores: Acupuntura Urbana no Quarto Distrito

Visitamos em janeiro de 2013 o projeto Vila Flores na Floresta. Se trata de um projeto importante de requalificação do patrimônio histórico. Procuram-se investidores.
Mais detalhes na página Vila Flores: Acupuntura Urbana no Quarto Distrito

Projeto Joseph Luzenberguer

Edifício Mostardeiro demolido

EdMostardeiro

A cidade continua perdendo seus prédios antigos. Esta semana um belo prédio dos anos 50, construído pelo Eng. Leôncio Keiserman, numa importante esquina do bairro Moinhos de Vento, veio abaixo em 2 dias. Uma poderosa incorporadora irá construir um prédio comercial no local. Será mais um prédio funcional, sem qualidade, provavelmente, como muitos outros construídos nessa região recentemente. O Ed. Mostardeiro não estava tombado ou inventariado, e por isso a derrubada é legal, mas não por isso menos lamentável ….

Poucos sabem, mas o Eng. Keiserman foi um dos fundadores do famoso Clube de Cultura de Porto Alegre, hoje em dia, tombado pela Prefeitura. Veja aqui um Street View da frente do edifício.

Enquanto cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, valorizam seus edifícios dos anos 50 e 60, que atingem altos preços, Porto Alegre não quer ter vínculos com o seu passado  … O importante não é o prédio antigo e seu encanto, a sua beleza própria, que vem com o tempo, mas apenas o valor do terreno (tamanho e localização), para se construir um empreendimento rentável. Muitos dizem que o prédio não era de grande valor histórico, mas nossa cidade é tão bonita que podemos prescindir de belos prédios? Ou, ao contrário, a feiúra predomina nas nossas ruas, abandonadas, sujas, com imóveis de quarta categoria, quando não verdadeiras ruínas e depósitos de lixo a céu aberto?

Num domingo, dia 9 de dezembro de 2012, um grupo de defensores do patrimônio, organizados a partir do grupo Defesa do Patrimônio Histórico de Porto Alegre, criou um evento no Facebook e se reuniu em frente ao local para expressar seu luto e para lembrar que muitos prédios ainda estão correndo esse mesmo risco, por não estar no inventário do patrimônio cultural, e não só nos Moinhos de Ventos, mas em outros bairros, como Petrópolis, Floresta, Lindóia, etc.

Foto: Miréia Borges

Foto: Miréia Borges

Diferentemente dos movimentos sociais anteriores de defesa do patrimônio da cidade, essa ação não partiu do próprio bairro, mas de um grupo de pessoas de diferentes bairros, indicando que existe uma consciência cidadã, no seu verdadeiro sentido, de defesa do patrimônio da cidade, mais além de uma identidade de bairro. A perda não é só para o bairro, mas para toda a população, não interessando onde se more. Uma prova disso é que estiveram presentes na manifestação contra a demolição representantes dos bairros Floresta e Petrópolis, que enfrentam os mesmos problemas na proteção de seu patrimônio.

Houve repercussão na mídia. A blogueira Miréia Borges, de ZH Moinhos Online, escreveu, em 26/12/2012, o artigo A luta entre o existente e o desconhecido e na edição impressa de ZH Monhos, do dia 27/12/2012, toda uma página foi dedicada ao tema.

Os prédios antigos da cidade às vezes são realmente feios e sem valor para as pessoas, verdadeiras ruínas, locais de depósito de lixo, condenados até, e nestes casos, podem ser perfeitamente demolidos para construir no terreno prédios contemporâneos com qualidade arquitetônica. Toda cidade precisa se renovar e não somos contra isso.  Mas existem prédios antigos que são muitos bonitos, exemplos de diferentes estilos arquitetônicos, parte da memória afetiva de seus bairros, locais encantadores. Às vezes, muito bem cuidados e mantidos pelos proprietários, como era o caso desse prédio na Av. Mostardeiro, às vezes, mal preservados, mas ainda com condições de serem restaurados e dar uma imagem mais bonita da cidade.

Esses prédios, inventariados ou não, devem ser protegidos, sendo incluídos o quanto antes no inventário da cidade e o governo deve dar mais condições técnicas para que esse trabalho avance, e os donos desses imóveis inventariados e tombados devem ser ajudados a mantê-los para embelezar a nossa cidade, através de incentivos oferecidos pela Prefeitura e pelo Estado, além dos que já existem e parecem não ser suficientes.

Não queremos uma cidade engessada, que se proíba de derrubar tudo, como um parque temático do passado, uma cidade parada no tempo, mas pedimos um pouco de bom-senso, para preservar o pouco que ainda temos, tanto da nossa história, como também da beleza, que tanto precisamos em Porto Alegre.  As futuras gerações nos condenarão por não termos feito nada quando ainda havia tempo….

Para a importância dos movimentos sociais na preservação do patrimônio na cidade de Porto Alegre, recomendamos a entrevista ao Jornal do Comércio da superintendente estadual do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Rio Grande do Sul, Ana Lúcia Goelzer Meira.

Atlantes

Atlas é uma figura mitológica importante na iconografia das fachadas. Um dos Titãs da segunda geração, como Prometeu, é um dos filhos do Titã Jápeto. Quando Zeus, filho do Titã Crono, vence a batalha contra os deuses Titãs (Titanomaquia) e toma o poder, os envia ao Tártaro, região subterrânea, abaixo do Hades, tão profunda, quanto nas alturas está o Olimpo, a morada dos deuses vencedores.

Mas a Atlas Zeus impõe o castigo de suportar o Céu, ou seja, a esfera celeste, separando assim a Terra do Céu, duas das divindades mais primordiais e pais dos deuses Titãs. Parece que foi no século XVI, por seu formato de esfera, que se passou a pensar que Atlas carregava a Terra e não o Céu, ou seja, o próprio globo terrestre. Na Antiguidade Clássica a Terra não tinha formato de globo, como se descobriu mais tarde.

Nas fachadas decoradas de edíficos, Atlas aparece de muitas formas, por exemplo, como figura inteira carregando sobre os ombros o globo celeste. Damos abaixo dois exemplos. À esquerda, o Atlas do Palácio Linderhof (Schloss Linderhof), um palácio real na Alemanha, construído entre 1869 e 1878, na Baviera.

À direita, o famoso Atlas do prédio dos Correios e Telégrafos, em Porto Alegre, em frente à Praça da Alfândega. “A sua construção foi iniciada em 30 de setembro de 1910 e concluída em 31 de dezembro de 1913, com engenharia de Rudolph Ahrons e arquitetura de Theodor Wiederspahn. A decoração ficou a cargo da oficina de João Vicente Friedrichs, com participação de Jesús Maria Corona, Franz Radermacher, Wenzel Folberger e Victorio Livi.” (Wikipedia)

Atlantes

O grupo do Atlas nos Correios especificamente é obra do escultor, alemão ou austríaco, Wenzel Folberger.

A Antiga Praça Parobé

O espaço ao lado do Mercado Municipal era ocupado por uma praça em formato de jardim, a Praça Parobé, numa Porto Alegre distante no tempo. Foi em 1925, que o prefeito Otávio Rocha decidiu fazer ali uma praça.

Mercado Público e Praça Parobé

Mercado Público e a antiga Praça Parobé (Acervo O. A. Fett, reprodução)

Com a enchente de 1941 o local sofreu muitos estragos e passou a ser usado como estacionamento de carros e mais adiante como ponto de ônibus.

Desde 2000 este espaço é ocupado por um terminal de ônibus, que desqualifica o nosso Centro Histórico.

Atual Terminal Parobé

Atual Terminal Parobé Foto: Jorge Piqué. 2012.

Mais sobre a Praça Parobé no Almanaque Gaúcho: O terminal que ocupou a praça.

Com a proposta da Prefeitura de diminuir o fluxo de ônibus em direção ao Centro, nossa sugestão é de retirar o terminal, de pouco uso, e retomar esse espaço para o pedestre, trazendo um pouco da antiga Praça Parobé para o presente. Talvez não exatamente com o mesmo formato do passado, mas um espaço aberto para a população, com bancos e árvores, de forma parecida à Praça da Alfândega hoje em dia.

A montagem abaixo nos leva a imaginar um pouco como poderia ser uma futura Praça Parobé, devolvida aos Porto Alegrenses.

Uma nova Praça Parobé

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