Equipamentos urbanos no Poblenou

Esta página complementa as informações da coluna Revitalização e equipamentos públicos, publicada no Jornal Floresta, em novembro de 2015.

Revitalização e equipamentos públicos
No projeto de revitalização 22@, no bairro Poblenou, de Barcelona, o que mais chama a atenção é a atração de empresas de inovação para esse antigo bairro industrial, com uma história parecida ao antigo 4º Distrito de Porto Alegre, especialmente no caso do Floresta, onde se localiza o nosso projeto Distrito C.

É importante aprender com a experiência de Barcelona e poucos sabem que antes do 22@, que se iniciou em 2000, já havia várias lutas das associações de bairro no sentido de utilizar antigas fábricas sem uso como equipamentos públicos de bairro, especialmente bibliotecas, mercados públicos e centros cívicos e que continuaram durante toda a existência do 22@.

Em 1978, com o fechamento da fábrica têxtil Catex, em um prédio de 1856, a associação de bairro do Poblenou reivindicou o local como equipamento para o bairro. Depois de uma luta de 10 anos, se instala ali, em 1989, uma piscina pública, e em 2009 finalmente se inaugura o centro cívico do bairro, Can Felipa. Depois de 30 anos de reivindicação à Prefeitura, o Centro Cívico Can Felipa é hoje o local de encontro da vida associativa do bairro, com muitas atividades culturais e educativas.

Antga Cátex, aproximadamente dec de 80/90 Foto Rafael Escudé.

Antiga fábrica têxtil Catex sem uso, anos 80 ou 90. Foto Rafael Escudé.

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Centre Civic Can Felipa 2015 Foto Jorge Piqué

Piscina pública em Can Felipa.

Piscina pública em Can Felipa.

Em 1998, uma construtora pretendia derrubar no bairro outra fábrica têxtil, Can Saladrigas, de 1858, e é impedida pela mobilização dos moradores. Em 2001 a associação de bairro propõe a criação de uma biblioteca pública ali, com custo total de 5,5 milhões de euros. Finalmente, em 2009, abre a Biblioteca Municipal Can Saladrigas, num belo prédio industrial, todo reformado.

Can Saladrigas, em funcionamento. 1919

Fábrica Can Saladrigas, em funcionamento. 1919.

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Fábrica Can Saladrigas sem uso. Fins dos anos 90.

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Atual Biblioteca Municipal Can Saladrigas. 2015. Foto Jorge Piqué

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Em 1996, a Associació d’artistes visuals de Catalunya aluga uma nave de Can Ricart, um complexo fabril, de 1853, no Poblenou, onde é criado, em 1997, Hangar, um espaço para criadores. Em 1998 a fábrica ia ser derrubada para dar lugar a um projeto imobiliário. Com a forte reação popular, se transforma no símbolo da luta de associações de moradores e de artistas pela preservação do patrimônio industrial em Barcelona. Em 2007 a Prefeitura é forçada a preservar Can Ricart. Desde 2008, a Fundação Hangar é uma das Fábricas de Criação oficiais da Prefeitura de Barcelona.

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Enorme complexo industrial de Can Ricart (séc. XIX).

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Can Ricart abandonada

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Mobilização de artistas e moradores do bairro.

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Fundação Hangar em Can Ricart. 2015. Foto Jorge Piqué

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Escritórios da Fundação Hangar em Can Ricart. 2015. Foto Jorge Piqué

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Ateliers de artistas na Fundação Hangar. 2015. Foto Jorge Piqué.

A mesma história de luta de associação de artistas está na origem de outra fábrica de criação no bairro, La Escocesa.
Era uma antiga fábrica de produtos têxteis, de 1852

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Fachada de La Escocesa. 2015. Foto Jorge Piqué

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La Escocesa. Pátio interno. 2015. Foto Jorge Piqué

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Área de ateliers em La Escocesa. 2015. Foto Jorge Piqué

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Galeria de arte em La Escocesa. 2015. Foto Jorge Piqué

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Terraço de La Escocesa. 2015. Foto Jorge Piqué

Neste mesmo movimento de mais equipamentos públicos de qualidade no bairro, o antigo Mercado Público do Poblenou, inaugurado em 1889, foi reformado pela Prefeitura em 2004 e, em 2005, inaugurado o Nou Mercat del Poblenou.

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Nou Mercat del Poblenou. 2015. Foto Jorge Piqué.

Outra fábrica sem uso no bairro, Oliva Artés, de 1880, em 2002 foi destinada a abrigar um novo museu da cidade. Finalmente, em 2015, abriu o Muhba Oliva Artés, Museu de História de Barcelona, dedicado especialmente aos séculos XIX e XX na cidade.

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Museu Oliva Artés em funcionamento.

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Muhba Oliva Artés (interior).

Quando vemos hoje todos esses equipamentos públicos qualificados no território 22@, não imaginamos que houve tantas lutas de associações, antes da Prefeitura finalmente agir na direção correta e hoje ter orgulho dessas realizações, que qualificam o espaço urbano onde se situa o projeto e lhe dá mais atrativos.

UrbsNova, ao criar o projeto Distrito C, propõe a mesma utilização das antigas fábricas no 4º Distrito, como equipamentos públicos e privados, ligados à economia criativa, do conhecimento e da experiência, equipamentos a serviço da população. As melhorias na qualificação urbana seriam importantes e duradouras, e poderiam se harmonizar com a chegada de novas empresas de tecnologia, como aconteceu em Barcelona.

Essa é a grande lição de Barcelona para Porto Alegre, que vai muito além da implantação de um distrito de inovação em tecnologia, lhe dando além de uma infraestrutura técnica, uma infraestrutura cívica, a disposição de todos os moradores e negócios.

Por Jorge Piqué

Veja também
Fábricas de Criação em Barcelona
https://urbsnova.wordpress.com/2015/10/07/fabricascriativas-bcn/
Em 2013, propusemos uma aproximação entre o 4º Distrito e o projeto 22@:
https://urbsnova.wordpress.com/distritos-innovacion

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