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Solstício na Praça Julio de Castilhos

Texto da matéria Leitor Repórter: Solstício na Praça Julio de Castilhos, por Jorge Piqué, em ZH Moinhos, 02 de janeiro de 2014.

No último sábado, dia 21 de dezembro, foi o solstício de verão de 2013, o dia mais longo do ano. Poucas pessoas sabem, mas no piso da Praça Julio de Castilhos existe uma interferência urbana, a obra Tempo e Espaço (1997), da escultora Claudia Stern. Nela existe uma linha onde estão marcados os dois equinócios e os dois solstícios anuais, com suas respectivas datas.

Recentemente foi apresentado o Projeto Passeio Independência, cujo objetivo é a requalificação urbana do eixo da Av. Independência, entre as praças Dom Sebastião e Julio de Castilhos, enfatizando a importância de seu patrimônio histórico e a necessidade da recuperação de sua identidade própria.  Por isso, aproveitamos essa conjugação única de tempo e espaço, a data especial do solstício de verão, no último sábado, e a localização especial de sua marca, no chão da Praça Julio de Castilhos, para reunir informalmente as pessoas  e celebrar o patrimônio que ainda temos e pensar coletivamente em um futuro melhor para essa importante via da cidade.

O Projeto Passeio Independência  foi lançado na sua forma atual em 2013 e foi apresentado no Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental (CMDUA) e para a Secretaria de Cultura e comunidade do bairro, no Museu de História da Medicina.  Além do evento Solstício na Praça | 21 -12, organizamos uma Caminhada pela História, ao longo da Av. Independência, no dia 8 de dezembro, apresentando seu patrimônio historicista e modernista, e que será repetida em 2014, além de outras ações com a comunidade.

O projeto é uma co-criação de Reviver Independência, UrbsNova – Agência de Inovação SocialURBANA Arquitetura e Studio 1 Arquitetura.

Informações: https://urbsnova.wordpress.com/passeio-independencia/

Participe no facebook:  https://www.facebook.com/pages/Projeto-Passeio-Independência/241194412708376

Praça Julio de Castilhos

Esse logradouro recém começava a existir quando foi proclamada a República, e, como outros logradouros da cidade, foi espontaneamente denominado pelo povo, em homenagem aos líderes republicanos de maior destaque na época. Sem um ato específico para sua denominação, já se falava em Praça Júlio de Castilhos em 1890, de acordo com o livro Porto Alegre: Guia Histórico, de Sérgio da Costa Franco: “Em seu relatório de 08/07/1891, a Cia. Hidráulica Guaibense expõe que, não lhe convindo, por então, o assentamento de encanamentos nas proximidades do reservatório Mostardeiro, em consequência do pequeno número de habitações existentes, colocara na ‘Praça Júlio de Castilhos’ uma torneira para gozo provisório e gratuito dos moradores”, informa a obra do historiador.

Entre 1894 e 1907 a praça recebe melhorias e ganha a sua forma básica atual. Nas primeiras décadas do séc. XX grandes mansões são construídas no entorno da praça, parecidas às que ainda podemos encontrar nas avenidas Independência e Mostardeiro.

A partir dos anos 40 e 50, começa a construção de edifícios coletivos, a moderna forma de morar, substituindo as belas mansões da burguesia porto-alegrense, e que caracterizam o ambiente atual da praça. Graças à adoção pelo Hospital Moinhos de Vento, desde 1997, os jardins da praça têm recebido cuidados permanentes.

Matéria em ZH Moinhos (02/01/2014). Clique para ampliar.

Solstício na Praça Julio de Castilhos (ZH Moinhos, 02/01/2014). Clique para ampliar.

Matéria Solstício na Praça Julio de Castilhos (ZH Moinhos, 02/01/2014). Clique para ampliar.

Estiveram presentes no evento Solstício de Verão os promotores do Projeto Passeio Independência Marilia Costa Cardoso, do Reviver Independência, Jorge Piqué, da agência UrbsNova Porto Alegre – Barcelona, e o arq. Lucas Volpatto, do Studio 1 Arquitetura, além da presença de apoiadores, como a arq. Silvia Corrêa, de Helena Endo e Fernando Kokubun, que fizeram as fotos, de Marc Weiss, CEO da ong Global Urban Development – GUD, Nancy Sedmak-Weiss, e Andréia Marin Martins, presidente do IDEST – Instituto de Desenvolvimento Sustentável.

No final do evento Jorge Piqué, Marilia Cardoso e Lucas Volpatto deram um depoimento em vídeo sobre o Projeto Passeio Independência para o documentário que Kátia SumanEduardo André Viamonte realizam sobre a mobilização e ocupação de espaços públicos em Porto Alegre.

Fotos do Evento

A beleza tranquila da Praça Julio de Castilhos, no final de tarde do solstício de verão.

Solstício na Praça. Foto Fernando Kokubun

Solstício na Praça. Foto Fernando Kokubun

Solstício na Praça. Foto Helena Endo

Solstício na Praça. Foto Helena Endo

FernandoKokubun2

Alguns dos participantes no evento. Da esquerda para a direita, Marilia Costa Cardoso (Reviver Independência), arq. Silvia Corrêa, Jorge Piqué (UrbsNova), Marc Weiss (Global Urban Development), Nancy Sedmak-Weiss, Andréia Marin Martins (IDEST – Instituto de Desenvolvimento Sustentável), Helena Endo e Lucas Volpato (Studio 1 Arquitetura). Foto Fernando Kokubun

Solstício na Praça. Foto Fernando Kokubun

Solstício na Praça. Foto Fernando Kokubun

A indicação do solstício de verão no chão de pedra portuguesa da praça.

Marca do solstício de verão, na obra Tempo e Espaço (1997), da escultora Claudia Stern. Foto: Helena Endo

Marca do solstício de verão, na obra Tempo e Espaço (1997), da escultora Claudia Stern. Foto: Helena Endo

Marca do solstício de verão, na obra Tempo e Espaço (1997), da escultora Claudia Stern. Foto: Jorge Piqué

Marca do solstício de verão, na obra Tempo e Espaço (1997), da escultora Claudia Stern. Foto: Jorge Piqué

O entardecer do dia mais longo do ano sobre a Praça Julio de Castilhos.

O Sol se pondo sobre a Av. Independência, no solstício de verão. Foto: Jorge Piqué

O Sol se pondo sobre a Av. Independência, no solstício de verão. Foto: Jorge Piqué

Solstício na Praça. Foto Helena Endo

Solstício na Praça. Foto Helena Endo

As contradições do ambiente urbano nas grandes cidades.

Solstício na Praça. Foto Helena Endo

Solstício na Praça. Foto Helena Endo

Anoitecer na Praça

Solstício na Praça. Foto Helena Endo

Solstício na Praça. Foto Helena Endo

Solstício na Praça. Foto Fernando Kokubun

Solstício na Praça. Foto Fernando Kokubun

Solstício na Praça. Foto Fernando Kokubun

Solstício na Praça. Foto Fernando Kokubun

Gravação do documentário

Solstício na Praça. Foto Fernando Kokubun

Solstício na Praça. Foto Fernando Kokubun

Solstício na Praça. Foto Helena Endo

Solstício na Praça. Foto Helena Endo

Solstício na Praça. Foto Fernando Kokubun

Solstício na Praça. Foto Fernando Kokubun

Praça Florida e atual Escola Municipal Meu Amiguinho

Pracinha Florida, uma história de convívio no bairro Floresta

Seria preciso fazer uma história dos espaços – que seria
ao mesmo tempo uma história dos poderes – que estudasse
desde as estratégias da geopolítica até as nossas
pequenas táticas do habitat, da arquitetura institucional,
da sala de aula ou da organização hospitalar, passando
pelas implantações econômico-politicas. […]
A fixação espacial é uma forma econômica-política
que deve ser detalhadamente estudada.
(FOUCAULT, O olho do poder. In: Microfísica do poder. 2002, p. 212).

Praça Bartolomeu de Gusmão (a tradicional Praça Florida)

Esse post foi criado em seu momento para dar mais informações aos participantes da Expedição Floresta 1. Agora faz parte da coleção de documentos sobre o Distrito Criativo de Porto Alegre.

Baseado neste post de UrbsNova, ZH Moinhos fez uma grande matéria sobre a Praça Florida:

ZH Moinhos - O Passado de Ouro da Florida

ZH Moinhos – O Passado de Ouro da Florida (clique na imagem para ampliar)

Quando andamos ao longo da R. São Carlos, rua tradicional do bairro Floresta, chegamos a uma praça, pequena, uma pracinha, na verdade. Uma pequena porção de espaço público, entre a tranquila R. São Carlos e a movimentada Av. Farrapos, que provavelmente nem nota a sua existência. Não estranha, pois este lado da praça se encontra degradado, muito sujo e não poucas vezes ocupado por moradores de rua, apesar de cercado.

Praça Florida
Localização no Google Maps

Do lado da São Carlos, em contraste, temos uma jovem escola municipal infantil, a Escola Municipal de Educação Infantil Meu Amiguinho, criada em 1980, com seus tijolos expostos e seus brinquedos infantis. A escola também está cercada, infelizmente, única maneira de proteger o patrimônio público.

Esta é a única praça do bairro Floresta. Existe outra, pelo menos com nome de praça, a Praça Monsenhor Emílio Lottermann, onde se encontra a Igreja São Pedro, na Cristóvão Colombo,  a maior igreja neogótica que temos na cidade, projeto do checo Josep Hrubý, mas não poderíamos mais chamar esse espaço de verdadeira praça. Outra pequena praça está na confluência da Av. Cristóvão Colombo, com Benjamim Constant e Quintino Bocaiuva.

O nome oficial da pracinha na São Carlos é Praça Bartolomeu de Gusmão, mas todos na vizinhança a conhecem por Praça Florida. Desde 1896 aparece com esse nome tradicional nos mapas da cidade. Foi o nome dado de forma espontânea pela população, inspirado pelo jardim natural que existia ali, último sobrevivente do processo de urbanização que afetou o então arraial Navegantes e a região entre ele e o Centro da Cidade.

Observando a intensa urbanização que encontramos no bairro Floresta e a escassez de espaços verdes nessa extensa região da cidade, é difícil acreditar que desde o início da cidade toda essa área ao longo da orla do Guaíba apresentava uma vegetação exuberante. Antes da urbanização e industrialização de início do séc. XX, havia ali muitas chácaras e extensas áreas verdes, que chamavam a atenção dos estrangeiros que visitavam a cidade, local de bucólicos passeios.

A Praça Florida foi, portanto, esse pequeno oásis que sobreviveu do passado mais remoto da região verde ao norte da cidade, margeando o Caminho Novo, hoje Av. Voluntários da Pátria, na orla do Guaíba (os aterros posteriores afastaram a orla). Naturalmente esse espaço de vegetação tornou-se um ponto de encontro da vizinhança do bairro no início do séc. XX.

Aquarela de Debret intitulada Paranaguá. Porém trata se de um equivoco do autor, a paisagem/panorama é de Porto Alegre . BANDEIRA, 2008.Debret e o Brasil 1816-1831 No canto esquerdo está o Caminho Novo (atual Vol.da Pátria).
Imagem acima: Aquarela de Debret intitulada Paranaguá. Porém trata-se de um equivoco do autor, o panorama seria de Porto Alegre . BANDEIRA, 2008. Debret e o Brasil 1816-1831
No canto esquerdo está o Caminho Novo (atual Voluntários da Pátria), onde se pode ver a exuberância da vegetação que cobria muitas chácaras na região, mas que foi totalmente urbanizada posteriormente.

O ano de 1927 parece ser o início da modernização da praça e do seu entorno. Segundo o Jornal A Federação, em 1927 foi realizado o calçamento com pedras irregulares (pedra portuguesa) da Praça Florida, e ruas em volta, como São Carlos e Voluntários da Pátria (a Av. Farrapos ainda não existia). No mesmo ano foi realizada a canalização na rua, com alvenaria de pedra e com cimento moldado.

Neste mesmo ano inicia em Porto Alegre um importante projeto de promoção do esporte e da atividade física para crianças e jovens.  Foi criada a primeira praça de educação física e esporte para a recreação pública, o primeiro “Jardim de Recreio”, no “Alto da Bronze” (hoje praça General Osório). A partir desta experiência bem sucedida, aparelharam-se outras praças que ganharam canchas de esporte, recantos infantis, jardins de infância e bibliotecas. Estes locais foram a Praça Florida, Praça Pinheiro Machado, Praça Garibaldi, Praça José Montaury e Praça Jaime Teles.

O prefeito Otávio Rocha, em 1927 aproveitou  esse jardim natural que existia no Floresta e o transformou em um centro de atividades esportivas e culturais, a Praça de Desportos Florida. Foi construído na praça um pequeno pavilhão, onde os moradores do bairro podiam se reunir para jogar xadrez ou damas. Na parte externa, foram demarcadas canchas de vôlei e basquete (“cestobol”) em chão batido. Posteriormente foram instalados equipamentos de ginástica e lazer, balanços, argolas, barras, passo de gigante, escorregadores, gangorras.  O prefeito se orgulhava dessa obra, já que deu destaque a ela em seu relatório de fim de mandato, em 1928.

Se anteriormente a praça já atraia a vizinhança para desfrutar de seu espaço natural aprazível, a partir do final dos anos 20 a praça se torna em um centro de convívio organizado em torno da recreação e do esporte. Sem dúvida, a contrapartida do processo de industrialização foi o desenvolvimento de locais públicos e privados onde as pessoas poderiam ter lazer, recreação e esporte fora de suas casas. Houve, em consequência,  um aumento da interação social entre os vizinhos, de forma paralela a como fábricas e sindicados aumentavam na mesma época a interação entre trabalhadores.

A ocupação da praça remodelada era muito grande como se vê na foto abaixo, onde o Volley Ball já era praticado “em ternos e saias” na Praça Florida, nos anos 20.

Praça Florida, após 1927, com a instalação das quadras de vôlei.

Acervo CEME/ESEF/UFRGS

Como consequência da criação de espaços públicos para práticas esportivas nas praças  de Porto Alegre, nos anos 20, e as melhorias instauradas para promover a sociabilidade e o lazer da população, foram criadas novas associações esportivas, os clubs das praças. Esses clubes tinham suas equipes que os representavam em competições municipais interpraças. A rivalidade era muito grande e o principal rival da Praça Florida era justamente o primeiro jardim de recreio criado em Porto Alegre, no centro, na Praça Gal. Osório, especialmente no basquete. Mas esses clubs não se dedicavam apenas à competição esportiva formal, desenvolviam também festas, atividades culturais e recreativas para os moradores do entorno. A Praça Florida era o verdadeiro coração social, que atraia a participação e a colaboração dos habitantes do bairro.

Se formaram os seguintes clubs na Praça Florida:  Atléthico Flamengo, Bataclan Volley-ball Club, Florida Volley-ball Club, Jahú Volley-ball Club e Esportivo Sul América (existem referências a outros times de vôlei da Praça Florida, como o Juvenil e o Independente). Não havia clubes ou times de futebol.

bataclanUm dos clubs famosos da Praça Florida foi o Bataclan Volley-Ball Club, iniciado em  1927 na Praça de Sports Florida. As atividades previstas eram as seguintes, para termos uma ideia de como funcionavam estes clubes em torno da atividade física, mas que envolvia muitas brincadeiras também:

Categoria de menores (meninos e meninas): corrida em 75 metros, capitão soldado ladrão, corrida com pneus, jogo das batatas, círculo, salto em distância, cabo de guerra.
Categoria dos rapazes: corrida em 100 metros, corrida em saco, lançamento da bola, corrida de três pernas, corrida de obstáculos, torneio de volley-ball.
Categoria das senhoritas: corrida da agulha e corrida da vela.

Abaixo, o registro da organização interna do Bataclan Volley-Ball Club. Esses clubs não tinham sede, a sede era a própria praça pública, diferentemente dos grandes clubes com sede própria em Porto Alegre.

Diretoria do Bataclan

Diretoria do Bataclan em 1927-28.

Não temos informações do motivo de um time de vôlei em Porto Alegre nos anos 20 adotar o nome de Bataclan … mas a pergunta é inevitável. Quem sabe exista uma razão e por isso cabe uma pequena digressão sobre fatos que aconteciam no Brasil na mesma época e tinham destaque nos jornais gaúchos.  O verdadeiro Bataclan foi uma  famosa sala de espetáculos de Paris, construída em 1864, na forma de uma pagode chinês. Era um grande café-teatro, onde se apresentavam os espetáculos de music-hall.

Por seu sucesso, o teatro criou uma companhia itinerante que embarcou em uma grande turnê pela América do Sul, nos anos 20. Em 1920 chegaram a Buenos Aires e em 1922 desembarcou no Rio de Janeiro a famosa companhia de revistas francesa Bataclan, dirigida por Mme. Rasimi, com cenários luxuosos, coristas sedutoras seminuas, tendo a frente a famosa vedete Mistinguett. A companhia se apresentou também em São Paulo, Salvador e Recife. A companhia Bataclan com suas coristas e vedetes introduziu um novo padrão de beleza feminina no Brasil, a  moda, agora no séc. XX era a mulher esbelta… Quem sabe havia um certo humor na escolha desse nome para um clube de vôlei, já que o esporte desenvolvia também esse novo padrão de beleza.

O impacto do Bataclan parisiense no Brasil foi muito grande. Nos anos 20, havia também em Ilhéus o famoso cabaré Bataclan, que aparece na obra de Jorge Amado. Além disso, mais tarde, na década de 1940, resolveu morar em Porto Alegre e tornar-se um personagem famoso da cidade o famoso Bataclan, muitos devem lembrar, um homem negro que vestindo terno, gravata e cartola, andava pelo Centro propagandeando lojas, bares, bebidas, sabões e colchões, entre muitos outros produtos até os anos 80. Como havia também nos anos 20 a Companhia Bataclan Negra, talvez o nosso Bataclan local tivesse se apropriado do seu nome e da sua fama.

Voltando a atividade recreativa e social desenvolvida na Praça Florida, recuperamos uma nota do Jornal A Federação sobre o Natal das crianças Pobres, de 1927, na Praça Florida, que nos dá uma ideia da importância dessa atividade, que reunia os vizinhos em ações beneficentes. As crianças favorecidas eram as que frequentavam o jardim de recreio municipal da praça.

Natal de 27

Não só no Natal, mas também no São João e em datas cívicas, sempre havia festas nas praças de recreio. As famílias se envolviam na organização, participando de comissões, como se observa na nota do jornal, cuidando da vida lúdica do seu bairro. Essas festas tinham caráter local, mas às vezes iam além, tendo impacto em toda a cidade. No São João de 1932, os rapazes de cada um dos Jardins de Recreio foram responsáveis por uma “original celebração”, cada grupo acenderia uma fogueira no alto de um morro de Porto Alegre, que eram Glória, Santana, e da Polícia (2). O Jardim n.º 3, da Praça Florida foi escalado para o Morro de Sapucaya (na atual cidade de Sapucaia?). A Rádio Gaúcha, fundada em 1927, transmitia o evento e deu o sinal para as fogueiras serem acendidas ao mesmo tempo, criando um espetáculo que toda a cidade assistia.

O esporte preferido dos usuários da Praça Florida era o basquetebol. A praça possuía uma quadra de areião, A grande rivalidade no basquete era entre  a Praça Florida e a Praça Gal. Osório, no Alto da Bronze. Em segundo lugar, na preferência, mas com grande interesse também, estava o voleibol. Era uma época de total amadorismo, os jogadores dos clubes de praças não só não recebiam salário ou ajudas, mas pagavam os custos, como os uniformes.

clube de basquete

Em 1988 o jornalista Dante D´Angelo relembrava sua infância nos anos 30 na praça Florida, em matéria do Jornal do Comércio, depois publicada em seu livro No Banco do Jardim:

Lembranças do jornalista Dante D´Angelo da Praça Florida, no livro No Banco do Jardim.

Lembranças do jornalista Dante D´Angelo da Praça Florida, no livro No Banco do Jardim.

Em 1935 houve um grande torneio feminino de voleibol, que saiu com destaque no jornal A Federação. A final foi entre a representação da Praça Recreio Florida e a equipe da Praça Recreio General Osório. Saiu vitoriosa a Praça Florida, representada por Emilia, Marina, Elvira, Erotilde e Adelba.

Em 1936 a Pracinha Florida trocou de nome para Praça Bartolomeu de Gusmão, em homenagem a um sacerdote e cientista, um dos pioneiros da navegação aérea, o padre-voador, famoso por ter inventado o primeiro aerostato operacional, a que chamou de “passarola”.

A Praça Bartolomeu de Gusmão era classificada como jardim de recreio tipo 2, “Praças de Educação Física” ou Praças de Recreação. Esse tipo era o mais completo, algumas com jardim de infância, todas possuíam quadras de esportes coletivos, quadras de esportes individuais, aparelhos recreativos, bibliotecas ambulantes, banheiros, recanto de ginástica e salas para atividades sociais. As que possuíam jardim de infância eram a Praça Gal. Osório, no Alto da Bronze, que foi a primeira, e a Praça Florida. Havia atendimento noturno nessas duas praças, com realização e jogos e campeonatos.

Em 1936 o time de basquete do Grêmio já jogava na Praça Florida, contra o time da praça, provavelmente. Em janeiro de 1943, cerca de 3000 pessoas frequentaram as atividades da Praça Florida. A atividade dos clubes “sediados” em praças de Porto Alegre só cresceu com o tempo, a tal ponto que os times importantes como Grêmio e Internacional enviavam seus “olheiros” ali. Em 1948, surgiu o Florida Atlético Club, time oficial de basquete, que disputou a campeonato gaúcho.

Praça florida final dos anos 40
BRAUNERr, Daniel. A prática do basquetebol na cidade de Porto Alegre : da emergência nos clubes à organização federativa. Diss. de Mestrado. 2010. (texto)

O crescimento da Praça Florida no cenário do basquete não partiu do reconhecimento de um órgão público competente, mas como manifestação da própria comunidade envolvida com a praça, como Dona  Erna Leão, nos anos 40 e  50,  grande incentivadora da Praça Florida, promovendo os jovens jogadores e fazendo que eles se inscrevessem na Federação Atlética Rio-Grandense.

Foi a partir da filiação do clube na Federação que melhorias são providenciadas na praça pelo município para receber partidas oficiais. O piso da quadra é pavimentado com cimento e são instaladas arquibancadas ao redor, as únicas em uma praça de Porto Alegre. As arquibancadas lotavam com o público da “pracinha”. Segundo Dressyng, o pessoal da vizinhança era mais fã do time de basquete da pracinha do que do Grêmio ou do Internacional. O primeiro técnico do Florida foi Ariel Ruas e depois Artur Visintainer. O símbolo do Florida Atlético Club era o Zé-Carioca.

O Florida foi vice-campeão adulto de basquete entre 1949 e 1952. Em 1953 o Florida foi campeão municipal e estadual, fato significativo, pois a praça competia com clubes de massa, muito mais organizados, como Cruzeiro, Grêmio e Internacional. O Florida como vimos era um club sem sede, um clube de praça, 1953 foi o seu momento de glória.

Abaixo foto de jogo na pracinha entre o Florida e o Grêmio, em 1953, onde é possível ver a quadra da praça, entre árvores e edifícios, já com a arquibancada.

Jogo na pracinha entre o Florida e o Grêmio, em 1953

Jogo na pracinha entre o Florida e o Grêmio, em 1953.

Time vencedor de 1953, ano épico na história do clube da pracinha.

atletico

Nos anos de 52 e 53 a seleção gaúcha de basquete era quase toda formada com jogadores do Florida, mais alguns do Cruzeiro, que era o seu principal rival na época. Como consequência desse sucesso, grandes jogadores do Florida se transferiram para times maiores, como Grêmio e Internacional.

Bairro Floresta - Praça Florida - Ponto de Táxis -  1940 Almanaque Gaucho

Antigo ponto de táxis (“auto de praça”) na Av. Farrapos, em frente a Praça Florida. Talvez anos 40 ou 50. Autor desconhecido. Fonte: Almanaque Gaúcho.

Não sabemos porque toda essa intensa atividade social, recreativa e esportiva em torno da Praça Florida desapareceu. A decadência parece ter começado talvez nos próprios anos 50. Um carta, sem data, ao Jornal Diário de Notícias reclama já do abandono:

[…] O [jardim] de São João, que tem o nome de Pinheiro Machado, está
completamente abandonado e o da Florida não reúne mais a multidão de
creanças que antes ali passavam horas na mais pura alegria, dos rapazes e das
meninas que, com os seus torneios de “baskett-ball”e “volley-ball” faziam o
encanto do local. Antes, duas ou três vezes por semana era a praça aberta a
noite, até ás 9 ou 10 horas, para que se entregassem os seus freqüentadores
aos torneios desportivos. Agora nada mais disso há, […]

O fato é que a situação atual da praça não representa em nada o seu importante passado. Ainda existem duas quadras na praça, mas aparentemente abandonadas. A continuidade com o passado se dá apenas através da escolinha infantil, que ocupa o lado da R. São Carlos. A atual Escola Municipal de Educação Infantil Meu Amiguinho foi criada por decreto em 1980. Sua estrutura é muito boa, mas as quadras esportivas, ao lado, na praça, embora cercadas, estão muito sujas e foram ocupadas por moradores de rua.

EMEI Meu Amiguinho - Praça Florica | Foto: Jorge Piqué

EMEI Meu Amiguinho - Praça Florica

EMEI Meu Amiguinho – Praça Florida | Foto: Jorge Piqué

EMEI Meu Amiguinho - Praça Florica | Foto: Jorge Piqué

EMEI Meu Amiguinho – Praça Florida | Foto: Jorge Piqué

EMEI Meu Amiguinho - Praça Florica | Foto: Jorge Piqué

EMEI Meu Amiguinho – Praça Florida | Foto: Jorge Piqué

EMEI Meu Amiguinho - Praça Florica | Foto: Jorge Piqué

EMEI Meu Amiguinho – Praça Florida | Foto: Jorge Piqué

Lixo é um dos problemas no entorno da Emei Meu Amiguinho

Lixo é um dos problemas no entorno da Emei Meu Amiguinho | Foto: Francielle Caetano

É necessária uma ação permanente da prefeitura para manter a praça limpa e uma ação social no atendimento aos moradores de rua que ocupam de forma irregular a praça, encontrando um melhor local para abrigá-los. Segundo Carlos Alves, presidente do Refloresta, “Faltam condições para que os moradores utilizem a Praça Florida. Queremos buscar soluções para que eles voltem a frequentar este local”. Alves aponta também o grande acúmulo de lixo como um dos problemas que impedem os moradores de utilizarem a praça: “Ela (a praça) é rota de passagem para a Vila dos Papeleiros. Próximo ao local, na Comendador Coruja, há também um albergue municipal.”

E escola desenvolve com as crianças várias atividades culturais e ambientais na praça e de certa forma continua o anterior trabalho social que havia lá.  Algumas ações recentes desenvolvidas pela escola Meu Amiguinho:

Amiguinhos da Natureza – JA1 Explora a Praça Florida (2010)

“Buraco com sujeira. Não é legal!”

Programa de Leitura “Adote um Escritor” 2012, com

Visite o blog EMEI JP Meu Amiguinho

Graças a atividade da Associação Refloresta a praça tem recebido um melhor tratamento recentemente. Criado em maio de 2012, o Grupo de Apoio à Revitalização do Bairro Floresta, ou Refloresta, é uma associação que reúne moradores, empresários, trabalhadores e amigos do local. O grupo atua para que as pessoas possam usufruir o espaço público e reivindicar melhorias na infraestrutura e segurança.
Facebook: https://www.facebook.com/Refloresta | Fone: 3228-3802

A partir de julho de 2013 a praça recebe, todas as terças-feiras, uma feira modelo, das 15h30 às 20h30. Participam da feira modelo da praça Florida 40 feirantes reunidos em 16 bancas. As 38 feiras modelo da cidade vendem hortifrutigranjeiros, carnes, derivados de leite, frios e embutidos, entre outros produtos, como pastéis feitos na hora.

Indiretamente, essas bancas cheias de vegetais lembram o passado mais remoto, quando o nome Praça Florida foi adotado pelos moradores da vizinhança. A feira cria um espaço de compras, mas que é também um espaço de encontro e de convívio. É um embrião de interação social, que pode se desenvolver nos próximos anos.

Feira modelo na Praça Florida
Feira modelo na Praça Florida

No dia 17 de agosto de 2013 a R. São Carlos e a Praça Florida foram beneficiadas com um verdadeiro mutirão de serviços da administração municipal, com a atuação da SMAM, SMOV, DMLU, DEP e Guarda Municipal, em um evento organizado pela Secretaria de Governança Local, através do CAR Centro. Professores da Escola Meu Amiguinho organizaram uma confraternização com os seus alunos, em homenagem ao Dia dos Pais.

É preciso, no entanto, mais passos nessa direção, manter um calendário anual de eventos na praça, com atividades culturais e também aproveitando a infraestrutura para os esportes que já se encontra lá. A recuperação da memória local do espaço, como fizemos neste post, é um passo na recuperação de uma identidade associada a um espaço coletivo.

Desde novembro de 2013, a Praça Florida é considerada um dos principais pontos de intervenção urbana dentro do Projeto Distrito Criativo de Porto Alegre, na sua linha de revitalização urbana.

Fontes:

Terra. E. As Ruas de Porto Alegre. 2001.
Sílvia Cristina Franco Amaral, ESPAÇOS E VIVÊNCIAS PÚBLICAS DE LAZER EM PORTO ALEGRE: DA CONSOLIDAÇÃO DA ORDEM BURGUESA À BUSCA DA MODERNIDADE URBANA. In   Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 2001.
Feix, Eneida, Lazer e cidade na Porto Alegre do início do século XX: institucionalização da recreação pública, Diss. de Mestrado. 2003 (texto)
Projeto Garimpando Memórias, depoimento de  Paulo Dreyssing. 2003 (texto)
Brauner, Daniel. A prática do basquetebol na cidade de Porto Alegre : da emergência nos clubes à organização federativa. Diss. de Mestrado. 2010. (texto)
da Cunha, MLO , Mazo JZ. A CRIAÇÃO DOS CLUBS NAS PRACAS PÚBLICAS DA CIDADE DE PORTO ALEGRE (1920-1940). In: Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 2011 (texto)

texto e organização do post: Jorge Piqué

Arquivo Público & Ateliê da Oca: Educação Patrimonial | 100 Anos do Monumento a Julio de Castilhos

UrbsNova Porto Alegre | Barcelona

Cartaz da Comemoração 100 anos de Monumento a Julio de Castilhos | Foto: Vick Fichtner

Apoio

Viva o Centro a Pé | Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) | Museu Júlio de Castilhos | Memorial do Palácio do Ministério Público | Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS) | Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul / Solar dos CâmaraMemorial do Palácio da Justiça Museu de Porto Alegre Joaquim José FelizardoMuseu da Comunicação Hipólito José da Costa | Secretaria Municipal do Meio Ambiente | Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul (AHERS)

Organização

UrbsNova Porto Alegre – Barcelona | Agência de Inovação Social
Visite e curta nossa page no facebook  – agenciaurbsnova@gmail.com

Arquivo Público & Ateliê da Oca: Educação Patrimonial

UrsbNova Porto Alegre – Barcelona, juntamente com o Ateliê da Oca – Atelier e Escola de Artes organizou  uma atividade de educação patrimonial, com o apoio do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS), que cedeu especialmente a Sala Borges de Medeiros para essa finalidade, como parte da comemoração 100 Anos do Monumento a Júlo de Castilhos.
Veja a programação completa da comemoração

Crianças com idade aproximada entre 7 e 14 anos foram convidadas a ir ao Arquivo Público, onde viram fotos dos detalhes do monumento e conheceram um pouco de sua simbologia.
Foi uma atividade preparatória para o evento Criança Faz Arte na Praça, em seguida, onde as crianças foram incentivadas a desenhar e pintar, se inspirando no monumento a Julio de Castilhos, que tinham em frente, na Praça da Matriz.

Programação no Arquivo Público

Dia 25 de janeiro de 2013

– 17:30-18:00: atividades de educação patrimonial com crianças no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS).
Local: Sala Borges de Medeiro, Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS)
Organiza: Ateliê da Oca – Atelier e Escola de Artes
Organizou as atividades, pelo Ateliê da Oca, Anelore Schumann
Trabalhou como voluntária, pela UrbsNova, Emilia Xavier Londero

Fotos da atividade na Sala Borges de Medeiros 

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Descendo as escadarias do Arquivo Público com as crianças e seus pais. Foto:

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Entrando no Prédio II do Arquivo Público

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Na Sala Borges de Medeiros, onde as crianças viram fotos do Monumento a Júlio de Castilhos. Foto:

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Sala Borges de Medeiros. Foto:

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Sala Borges de Medeiros | Foto Emilia Xavier Londero

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Foto Emilia Xavier Londero

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Foto Emilia Xavier Londero

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Foto Emilia Xavier Londero

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Foto Emilia Xavier Londero

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Foto Emilia Xavier Londero

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Foto Emilia Xavier Londero

Fotos do Monumento a Julio de Castilhos

Fotos do Monumento a Julio de Castilhos | Foto Emilia Xavier Londero

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Foto Emilia Xavier Londero

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Foto Emilia Xavier Londero

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Foto Emilia Xavier Londero

Memorial do Ministério Público: Palestra sobre Patrimônio Cultural | 100 Anos do Monumento a Júlio de Castilhos

UrbsNova Porto Alegre | Barcelona

Cartaz da Comemoração 100 anos de Monumento a Julio de Castilhos | Foto: Vick Fichtner

Apoio

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Organização

UrbsNova Porto Alegre – Barcelona | Agência de Inovação Social
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Memorial do Ministério Público: Palestra sobre Patrimônio Cultural

UrsbNova Porto Alegre – Barcelona, com o apoio do Memorial do Ministério Público do Rio Grande do Sul, organizou no Palácio do Ministério Público uma palestra sobre a ação do Ministério Público na questão da defesa do Patrimônio Cultural, como parte da comemoração 100 Anos do Monumento a Júlo de Castilhos.
Veja a programação completa da comemoração

Programação no Memorial do Ministério Público

Dia 25 de janeiro de 2013

– 18 hs Palestra “O Ministério Público e a Defesa do Patrimônio Cultural”
Local: Palácio do Ministério Público, Praça Marechal Deodoro, 110,
Organiza: Memorial do Ministério Público
Apresenta: Drª Isabel Barrios Bidigaray, Promotora de Justiça.

Notícia sobre a comemoração no site Jus Brasil: Palácio do MP participa da comemoração do Centenário do Monumento a Júlio de Castilhos      (25/01/2013)

Notícia sobre a comemoração no site do Ministério Público: Instituição participa de atividades que marcam os cem anos do Monumento a Júlio de Castilhos     (28/01/2013)

Fotos da palestra ministrada pela Drª Isabel Barrios Bidigaray no Memorial do Ministério Público. Logo após, em frente ao Memorial, houve a apresentação da história e simbologia do monumento a Julio de Castilhos na Praça da Matriz. (Fotos: Acervo Memorial do Ministério Público)

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Ressaltamos que o próprio Palácio é um importante prédio histórico de Porto Alegre. A construção da futura Assembleia Legislativa Provincial começou em 1857. Entretanto, essa não foi a utilização dada, pois o Palácio foi concluído apenas em 1871 e a Assembleia decidiu continuar no seu antigo prédio na R. Duque de Caxias. Com a proclamação da República, Julio de Castilhos como governador do Estado, fixou ali a sede provisória do governo e também a sua residência, enquanto não se concluia a construção do Palácio Piratini, que a partir de 1921 passaria a ser a sede definitiva do Governo do Estado. Por esse motivo, o prédio se denominou primeiramente de Palácio Provisório.

O Palácio Provisório - 1898

O Palácio Provisório em 1898

Portanto, o Palácio Provisório foi o palco da ação de Julio de Castilhos e de seus sucessores, Carlos Barbosa Gonçalves e Borges de Medeiros. Foi ali que Borges de Medeiros tomou posse em 25 de janeiro de 1913 e de onde saiu a pé no mesmo dia, às 4 horas da tarde, para inaugurar o Monumento a Julio de Castilhos. O prédio, portanto é, dentre os que estão na Praça da Matriz, o que mais vínculos históricos tem com Julio de Castilhos e o Monumento.

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Em 1963, apesar de definida a demolição do prédio pelo Governo do Estado, ele passou a ser ocupado por órgãos da Secretaria do Interior e da Justiça, os quais foram substituídos por setores do Tribunal de Justiça. Em 1982 o prédio foi tombado e em 1998  devolvido pelo Poder Judiciário ao Poder Executivo, que transferiu o direito de uso e ocupação para o Ministério Público do Rio Grande do Sul. De 1999 a 2002 foi restaurado e finalmente inaugurado com o nome de Palácio do Ministério Público e como sede do Memorial do Ministério Público.

Essa relação histórica do prédio com a figura política de Julio de Castilhos propiciou que logo após a inauguração do Memorial do Ministério Público fosse realizado ali, em outubro de 2003, o Seminário Internacional Raízes centenárias: o legado de Julio de Castilhos, aproveitando a data simbólica dos 100 anos do seu falecimento, em 24 de outubro de 1903. Com este seminário “pretendeu-se estabelecer um fórum de debates sobre Julio de Castilhos, sua época e seu legado para os pósteros, à luz tanto de interpretações já clássicas quanto das novas pesquisas produzidas por diligentes pesquisadores.” (Introdução, pág. 11. In: Julio de Castilhos e o paradoxo republicano. 2005)

Em 2005, como conseqüência do seminário, o Memorial do Ministério Público participou na publicação do livro Julio de Castilhos e o Paradoxo Republicano.

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Portanto, a participação do Memorial do Ministério Público na comemoração 100 Anos do Monumento a Júlo de Castilhos, em 2013, segue uma linha coerente, que evidencia a relação do Palácio e do Memorial com a história do Rio Grande do Sul.

História do Palácio | Cronologia