Arquivo da categoria: Orla do Guaíba

Fotos: WORKSHOP “ESTRATÉGIAS PROJETUAIS NO 4º DISTRITO”

UrbsNova participou no workshop realizado pela UniRitter em parceria com Mackenzie/SP, com organização da Prof. Arq. Luciana Fonseca (UniRitter) e Carlos Andrés Hernández Arriagada (Mackenzie). Levamos o grupo de participantes por uma caminhada pelo 4º Distrito, no dia 23 de setembro, onde se localiza um dos nossos projetos, o Distrito Criativo:
“Campo a fora: do sul ao norte do 4º Distrito”: Campo guiado com Jorge Piqué. (manhã e tarde)

Veja abaixo as informações sobre o workshop, que contou também com monitores da FAU Mackenzie/SP, e as fotos de algumas das atividades que participamos.

WORKSHOP “ESTRATÉGIAS PROJETUAIS NO 4º DISTRITO”
www.estrategiasprojetuais.com
Extensão – 40 horas
UNIRITTER + FAU MACKENZIE

O Workshop que ocorre de 20 a 27 de setembro, no campus UniRitter Porto Alegre, irá gerar propostas com ênfase às definições projetuais de volumetrias e/ou morfologia urbana.
As equipes de alunos da FAU Mackenzie e UniRitter irão trabalhar sobre uma base de decisões estratégicas de planejamento, isto é, sobre um cenário previamente construído. Estão previstas atividades externas, e em ateliê.

projetos

Corpo docente:
FAU Maczenzie: Professores Luiz Guilherme Rivera de Castro, Carlos Arriagada e Paula Jorge.
UniRitter: Professores Luciana Marson Fonseca, Daniele Caron e Artur Wilkoszynski.
Palestrantes convidados UniRitter: Professores Maturino Luz, Jânerson Coelho e Marcos Almeida.
Palestrantes externos convidados: Jorge Piqué (UrbsNova / Distrito Criativo)  e Arq. Pedro Xavier – Metroplan, PAC mobilidade 4º Distrito.
Professores convidados: Custodio Bolcatto (IPHAN) e Eclea Mullich (GPIT – Grupo de pesquisa Identidade Território – PROPUR/UFRGS)

Laboratório de Estratégias Projetuais (site do prof. Carlos Arriagada)

O workshop era aberto a todos, não apenas a alunos e profissionais de arquitetura.

PROGRAMA (CLIQUE PARA AMPLIAR)

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Fotos do Workshop

Passeio de Barco pelo Guaíba
20 de setembro de 2014 (manhã)
Fotos:  Altair Nobre

Workshop Unirriter Passeio pelo Guaiba

Workshop Unirriter Passeio pelo Guaiba

Workshop Unirriter Passeio pelo Guaiba

Workshop Unirriter Passeio pelo Guaiba

Workshop Unirriter Passeio pelo Guaiba

Workshop Unirriter Passeio pelo Guaiba

CC100: PalestraEvolução Histórica do 4º Distrito
20 de setembro de 2014 (tarde)
Prof. Arq. Maturino Luz 

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 Visita ao 4º Distrito
23 de setembro (manhã)

Visita à Rossi-Fiateci

Moinho Chaves

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Almoço na Cantina Famiglia Facin
23 de setembro (meio-dia)

Cantina Famiglia Facin

Visita da Univates ao Distrito C & 4º Distrito | Cantina Famiglia Facin

Painel e Discussões
26 de setembro (tarde)

Foto coletiva

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Sete Razões para o Morro Santa Tereza

Observação

Desde 23 de julho de 2012, 11 meses atrás, foi criado no Facebook um grupo para apoiar uma das opções oferecidas ao Arq. Niemeyer pelo Governo do Estado para localizar o futuro Centro de Feiras e Eventos do Rio Grande do Sul.

Durante este quase 1 ano, o Morro Santa Tereza em vários momentos foi considerado o favorito, em comparação com outros locais concorrentes. Nos próximos dias o Governador deve anunciar sua decisão final, mas o mais provável é que não seja o Morro Santa Tereza.

Nestes últimos dias queríamos apoiar de forma explícita este local, apesar das suas poucas chances, e, de certo modo, manter a memória de cerca de 150 pessoas, que fizeram um esforço conjunto apoiando o Morro Santa Tereza, para que tenha um futuro melhor, com preservação da sua natureza e como espaço público integrado a cidade.

Seja onde o for o futuro Centro de Eventos do RS é muito importante para a cidade e deve ser apoiado por todos.

UrbsNova – Agência de Inovação Social

MORRO SANTA TEREZA
A MELHOR ESCOLHA PARA O CENTRO DE FEIRAS E EVENTOS DO RIO GRANDE DO SUL

 


Morro Santa Tereza, vista aérea.

 Proposta do grupo Centro de Eventos Gaúcho no Morro Santa Tereza

Porto Alegre, 31 de julho de 2012.

Versão 3.0, 08 de junho de 2013

Versão PDF para impressão:
https://docs.google.com/file/d/0B10XMYM3aPAvOEJ4OTViLTJIYTA/edit?usp=sharing

Grupo Centro de Eventos Gaúcho no Morro Santa Tereza

No dia 23 de julho de 2012 foi criado no Facebook o grupo Centro de Eventos Gaúcho no Morro Santa Tereza
http://www.facebook.com/groups/477609732249799

Este grupo quer congregar todas as pessoas que preferem ter o Morro Santa Tereza como o local escolhido para sede do futuro Centro de Feiras e Eventos do Rio Grande do Sul.
O grupo já reúne aproximadamente 150 membros.
Visite o grupo no Facebook: http://www.facebook.com/groups/477609732249799

 
Página inicial do grupo Centro de Eventos Gaúcho no Morro Santa Tereza.

Critérios de Decisão

Consideramos que o escritório do Arquiteto Oscar Niemeyer fará sua decisão final levando em conta muitos critérios, entre eles, critérios de ordem técnica, que estão além do nosso conhecimento, pois somos, em geral, apenas cidadãos que desejam o melhor para a sua cidade. E consideramos que o Grupo de Trabalho definido pelo Governador do Estado para avaliar as diversas opções disponíveis, tenha em especial consideração a preferência do arquiteto Niemeyer, falecido em 05 de dezembro de 2012. Por outro lado, acreditamos que existem alguns argumentos favoráveis à escolha do Morro Santa Tereza, que deveriam ser também levados em consideração na tomada de decisão e que apresentamos neste documento de forma democrática e participativa.

Sete Razões em favor do Morro Santa Tereza

1. Vista Espetacular

Dentre todas as opções é a única que oferece uma visão privilegiada da orla, do Guaíba, das ilhas do Delta do Jacuí e da própria cidade, desde o alto. É reconhecidamente a melhor vista que temos em Porto Alegre.

 
Pôr do sol do Guaíba.


Vista do Estádio Beira-Rio, do Guaíba, das Ilhas e da Cidade.

2. Visibilidade e Iconicidade

Por estar em um nível mais alto será o local onde o Centro de Eventos terá a maior visibilidade, mesmo ao longe. Visível inclusive desde a hidrovia, que liga Porto Alegre a Guaíba, e ligará em breve à Zona Sul. Em outros locais a obra não seria visível de longe pelas pessoas, e teria pouca visibilidade, mesmo nas proximidades. Seria uma grande obra, sem dúvida, mas praticamente escondida e, portanto, com menor capacidade de atração da população local, um dos critérios definidos no conceito original do projeto.

Essa maior visibilidade contribuirá para que a obra de Niemeyer se torne um marco arquitetônico para Porto Alegre.


Vista do Morro Santa Tereza e da saibreira desde o Guaíba.

3. Uma Orla Privilegiada

O Centro de Eventos estará na proximidade de quatro outras obras arquitetônicas e de urbanização que dão maior qualidade à nossa orla e à cidade. Estará em primeiro lugar próximo à Fundação Iberê Camargo, na Ponta do Melo, do reconhecido arquiteto português Álvaro Siza, que de certa forma continua uma arquitetura moderna que tornou Oscar Niemeyer mundialmente conhecido.

 
Vista aérea da Fundação Iberê Camargo, na Ponta do Melo.

Em 2008, Yukio Futagawa, considerado o fotógrafo de arquitetura mais importante do mundo, fundador da revista-referência “Global Architecture“, organizou um encontro entre o “mestre” Oscar Niemeyer e o premiado arquiteto português Álvaro Siza, no Rio de Janeiro. “No encontro, Siza, que veio ao Brasil inaugurar seu projeto mais recente – a nova sede da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre -, elogiou a flexibilidade de Niemeyer, que consegue resolver todo um prédio com formas simples. Niemeyer retribuiu dizendo que se impressionava com a forma que Siza trabalhava o concreto.”

O Centro de Eventos estaria praticamente em frente ao Estádio Beira-Rio, sede dos jogos da Copa do Mundo 2014, em Porto Alegre, e que será completamente reformado. A proximidade de uma grande e qualificado centro de eventos esportivos colaboraria para uma maior divulgação do nosso Centro de Eventos a nível nacional, pois poderia ficar visível desde o estádio.

Recentemente a direção do Sport Clube Internacional disponibilizou uma área em frente ao Morro Santa Tereza como uma opção para sediar o futuro Centro de Eventos. Em nossa opinião, uma distribuição do Centro de Eventos em duas áreas, uma plana próxima ao rio, mais funcional e outra elevada, no morro, mais de lazer, poderia ser também uma boa combinação.


Projeto de reforma do Estádio Beira-Rio para a Copa 2014.

Uma das obras de mobilidade urbana para a Copa 2014, o Viaduto da Av. Pinheiro Borda, ficará bem em frente ao Morro Santa Tereza, permitindo maior acessibilidade ao local para os jogos no Estádio Beira-Rio, que se vê ao fundo da imagem abaixo. Do nosso ponto de vista, não técnico, o morro apresenta possibilidades de acesso por sua parte inferior, desde a Av. Padre Cacique, como se observa na imagem abaixo, mas também pela parte superior, com uma entrada ao lado do Mirante, e também, segundo o plano diretor, por uma entrada lateral, situada entre estas duas. Soluções de acessibilidade existem para o Morro Santa Tereza, seu abandono até os dias de hoje é que não permitiram a sua implementação.

   Viaduto da Av. Pinheiro Borda Foto: Divulgação/PMPA.

Bem próximo, em direção à Zona Sul, se encontra o novo centro comercial BarraShopping, com grande oferta de lojas, restaurantes e cinemas, opções de lazer e gastronomia, a disposição dos participantes das feiras e eventos, vindos de fora da cidade, e que naturalmente são um público de alto poder aquisitivo. Em outros locais, os participantes de congressos, feiras, etc., poderiam ficar praticamente ilhados em lugares distantes, sem infraestrutura nas proximidades.

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Nos próximos anos a ligação hidroviária existente entre Porto Alegre e Guaíba será ampliada em direção à Zona Sul da cidade. Recentemente foi decidido que haverá inclusive um terminal hidroviário dos catamarãs nas proximidades do Morro Santa Tereza, em frente ao BarraShopping, criando uma ligação hidroviária direta com o Cais Mauá, no Centro Histórico da cidade, sem riscos de engarrafamento.

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Catamarã passando em frente ao BarraShopping.

Bastaria estabelecer uma linha circular de micro-ônibus ou táxis-lotação entre o Morro Santa Tereza e o BarraShopping para haver  uma conexão direta com o centro comercial e indireta com o Centro Histórico, por meio da hidrovia. Ou, o que seria melhor, colocar um terminal hidroviário diante do Morro Santa Tereza. Dessa forma, os participantes estariam a 10 minutos do Cais Mauá, de onde acessariam os hotéis do Centro Histórico, ou conectariam com o Trensurb, até a estação Aeroporto, em apenas mais 10 min, de onde chegariam no próprio Salgado Filho, através da linha circular do aeromóvel.

Dessa forma se evita quase totalmente eventuais atrasos por engarrafamento no trânsito. Existe um plano de estender no futuro uma linha de aeromovel ligando o Centro e a Zona Sul, o que aumentaria a mobilidade de um centro de eventos localizado no morro Santa Tereza.

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Combinação Catamarã+Trensurb conectando o Centro de Eventos ao Aeroporto.

Por outro lado, o centro comercial se encontra ao lado do Hipódromo do Cristal, pertencente ao Jóckey Club do Rio Grande do Sul, um dos prédios modernistas mais valiosos do Sul do Brasil. Projetado pelo arquiteto uruguaio Roman Fresnedo Siri, em 1951 e concluído em 1959, atualmente está tombado pelo patrimônio histórico, por seu alto valor arquitetônico.

Nesta época a arquitetura de Niemeyer já tinha reconhecimento internacional, mas em Porto Alegre foi um marco por ser uma verdadeira caixa de vidro, representando as propostas contemporâneas de desmaterialização.

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Hipódromo do Cristal (1951-59)

No Hipódromo do Cristal “As citações à arquitetura moderna são profusas e explícitas, mas sempre episódicas. Elas acontecem nos volumes em formato de ameba dos sanitários e nas paredes, balcões e mezaninos sinuosos que serpenteiam por entre modulações ortogonais de colunas. Fresnedo tem em mente o pavilhão do Brasil na feira mundial de Nova Iorque (Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, 1939), o jogo de colunas e a cortina de vidro do Ministério da Educação e Saúde (MES, Lúcio Costa e equipe, 1937-44) e o uso das curvas no conjunto da Pampulha (Oscar Niemeyer, 1942-43).

In: A Arquitetura de Román Fresnedo Siri (1938-1971), de 2008, p. 173

O curador do Museu de Arte Moderna de Nova York em 2015 é o arquiteto Carlos Eduardo Dias Comas, mestre em Planejamento Urbano e professor da Faculdade de Arquitetura da UFRGS. Ele organizará uma grande exposição sobre arquitetura brasileira da segunda metade do séc. XX. Perguntado se haveria alguma obra do RS na exposição, ele, que é gaúcho, respondeu que apenas uma, o Hipódromo do Cristal.

A administração do Jockey Club declarou recentemente uma reforma do espaço da pista, em convênio com a Prefeitura de Porto Alegre. Uma restauração do próprio prédio do Hipódromo do Cristal traria mais qualidade arquitetônica, para as proximidades do Morro Santa Tereza. Bastaria uma reforma do prédio de Fresnedo Siri para lhe dar maior destaque e se constituiria em mais uma atração arquitetônica em nossa orla.

Um pouco mais adiante na orla, em direção norte, a partir da foz do Arroio Dilúvio, será iniciado em 2013 o Projeto de Revitalização da Orla, de Jaime Lerner, que na sua Fase 1 requalificará toda a extensão até a Usina do Gasômetro. As demais fases alcançarão inclusive a orla em frente ao Estádio Beira-Rio e ao  Morro Santa Tereza.


Projeto de Revitalização da Orla, da Prefeitura de Porto Alegre (Fase 1).

Finalmente, a partir da Usina do Gasômetro, em direção ao Centro Histórico, já em 2014, segundo o Governo do Estado, se estenderá o projeto de Revitalização do Cais Mauá, dos arquitetos Jaime Lerner e Fermín Vázquez. Vázquez, arquiteto espanhol de renome internacional, tem a intenção expressa de homenagear nesse projeto a arquitetura moderna brasileira, cujo principal nome é Niemeyer.

O movimento modernista brasileiro foi uma ilustre contribuição para a arquitetura moderna mundial. O Brasil é um dos lugares do mundo onde o movimento modernista trouxe melhorias no desenho arquitetônico. A interpretação brasileira da modernidade, para nós, sem dúvida, foi uma inspiração na hora de elaborar o projeto. A nossa proposta das torres, por exemplo, tem muito a ver com a arquitetura brasileira.
Fermín Vázquez (12/12/2010)

Desde criança, muito antes de imaginar que seguiria a profissão, tinha uma ideia mítica e heroica dos arquitetos brasileiros. Era a consequência inevitável da ressonância do projeto de Brasília em todo o mundo, especialmente na Espanha dos anos 60, onde a épica fundação de uma cidade criava grandes expectativas.
Fermín Vázquez (19/6/2012)


Projeto de Revitalização do Cais Mauá, Governo do Estado. Vista geral.


Projeto de Revitalização do Cais Mauá, Governo do Estado.
Armazéns restaurados e torres triangulares


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Projeto de Revitalização do Cais Mauá, Governo do Estado.
Centro Comercial

Todos esses projetos, já realizados na cidade, ou a ser em breve realizados, formarão um conjunto único nos próximos anos, se estendendo ao longo da orla, desde o Centro Histórico de Porto Alegre até o Hipódromo do Cristal, com grande atrativo turístico em geral e de forma especial para os interessados em arquitetura moderna.

Teríamos a presença de 5 arquitetos ou urbanistas de destaque internacional, brasileiros e estrangeiros, ao longo da Orla do Guaíba, desde o Centro Histórico até a Zona Sul da cidade:  o espanhol Firmín Vázquez, Jaime Lerner, Oscar Niemeyer, o português Álvaro Siza e o uruguaio Fresnedo Siri,  construindo um espaço arquitetônico, muito particular e harmônico, relacionado direta ou indiretamente à arquitetura moderna brasileira, que sem dúvida atrairá visitantes apenas por seu próprio valor.

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Mapa dos diferentes projetos de arquitetura
e urbanismo ao longo da Orla do Guaíba.

 4. Área de Lazer e Cultura para a população da cidade

Sua localização geográfica, em meio de caminho entre o Centro Histórico e a Zona Sul da cidade, transforma o Morro Santa Tereza no melhor local para oferecer uma opção de lazer, não só para os visitantes de fora, que virão para feiras e eventos, mas principalmente  para a própria população de Porto Alegre, com serviços de cafeterias, restaurantes, bares, etc.

Nossa população já está acostumada a passar pelo local e principalmente mantém uma memória de ocupação desse espaço, a qual será mais facilmente reativada pelo Centro de Eventos. No caso de outras opções, mais distantes e menos frequentadas pela população, essa atração seria mais difícil. É intenção explícita do Estado que o Centro de Eventos de Estado não seja apenas mais um espaço para eventos na cidade, fechados em si mesmos, desconectados da cidade, mas que seja utilizado pelos cidadãos no seu lazer e que seja um espaço privilegiado para grandes shows e concertos, disponível à população. Essa é opção mais inteligente, integrando a captação do negócio de eventos nacional e internacional às necessidades de lazer e cultura da nossa população.


Vista da cidade desde o Morro Santa Tereza nos anos 60, quando a população ia
sem preocupação aproveitar da melhor vista da cidade, levando seus filhos.

Mesmo hoje em dia, mesmo sem as condições mínimas, alguns visitantes vão até o morro para desfrutar de sua vista. Quando houver segurança e infraestrutura o acesso será sem dúvida muito maior.

5. Por Um Parque Ecológico no Santa Tereza

Entre todas as opções oferecidas para a localização para o Centro de Eventos é a que mais apresenta condições de integração do projeto arquitetônico a um grande parque ecológico, atualmente inacessível, valorizando o entorno natural, onde encontramos intactos arroios descendo do morro, com sua mata ciliar preservada, em forma característica de leque, como se pode observar na imagem a seguir. Trata-se de Área de Preservação Permanente (APP) e por isso regulada por leis que impedem qualquer impacto prejudicial à natureza.


Vista dos arroios no Morro Santa Tereza, que estão marcados pela mata ciliar.

O local escolhido para o futuro Centro de Eventos NÃO é todo o Morro Santa Tereza, que deve ser preservado, mas principalmente a saibreira, área degradada, formando uma enorme cratera, depois de décadas de escavações. O saibro retirado desta saibreira foi utilizado nas ruas do bairro Menino Deus. 

A integração do Centro de Eventos a um grande parque natural, que é inclusive uma reivindicação da comunidade local de moradores e da população em geral, trará um atrativo a mais ao projeto se for localizado no Morro Santa Tereza. O respeito ao nosso patrimônio ecológico será uma das garantias de sucesso do Centro de Eventos.

Recentemente, em 2010, o 54th Congresso da International Federation for Housing and Planning (IFHP), realizado em Porto Alegre, na PUCRS, lançou como tema para o seu Concurso Internacional de Estudantes exatamente uma intervenção urbanística, paisagística e arquitetônica, visando à recuperação de área do Morro Santa Tereza. Os projetos apresentados deviam obedecer ao critério de preservação e valorização das áreas de vegetação.

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Um dos projetos apresentados e premiados no concurso.

Aproveitar essa mata ciliar, de forma a que os visitantes possam ter uma experiência de contato direto com ela, seja na forma de pontes sobre as copas das árvores, ou de pequenos túneis pelo meio da mata, é conscientizar a população do valor do nosso patrimônio ambiental, e é função do Estado essa garantia de preservação para as próximas gerações.

Além da beleza e riqueza natural do próprio Morro Santa Tereza, a própria orla em frente ao morro é mais um atrativo para o local, como a Prainha do Iberê, que se encontra exatamente entre o morro e a Fundação Iberê Camargo.

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Prainha do Iberê. Vista da Fundação Iberê Camargo

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Localização da Prainha do Iberê, entre a Fundação e o futuro Centro de Eventos

6. Um DNA de ação social e arquitetura de qualidade

No Morro Santa Tereza se encontra atualmente a Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase), herdeira da antiga Febem. Essa  região apresenta uma tradição de assistência social a idosos e crianças, principalmente através do Asilo Padre Cacique, obra assistencial, que se dedica a pessoas idosas. Foi projetado pelo arquiteto Álvaro Nunes Pereira, iniciado em 1881 e inaugurado em 1898, e que dá nome à Avenida Padre Cacique, entre o Morro Santa Tereza e a Orla do Guaíba.


Vista frontal do Asilo Padre Cacique.


Ari (91 anos) e Leopoldina (82 anos) se conheceram
e casaram recentemente no Padre Cacique.

A Fase, na verdade, ocupa aproximadamente metade do Morro Santa Tereza.


Área ocupada pela Fase.

Na mesma área da Fase se encontra o pouco conhecido prédio do Colégio Santa Tereza. Este prédio, de autoria do famoso arquiteto francês Grandjean de Montigny, que veio com a Missão Francesa trazer a civilização à corte de D. João VI, teve a função de dar abrigo a meninas e meninos órfãos no séc. XIX, e leva o nome da esposa de D. Pedro I, a Imperatriz Teresa Cristina de Bourbon – Duas Sicílias, preocupada com o destino desses órfãos e acabou por dar nome a todo o morro.

No entanto, o prédio foi muito descaracterizado, levando a uma simplificação das formas originais, mas continua a ser para os estudiosos uma referência à história da arquitetura do séc. XIX em Porto Alegre.

         
Vista atual do Antigo Colégio Santa Teresa e reconstituição da fachada original
foto: http://www.defender.org.br, desenho: Charles Pizzato

 “O fato deste prédio ser, indubitavelmente, projeto do Arquiteto Grandjean de Montigny, deve ser celebrado e lembrado. Considerando que Grandjean de Montigny tem papel importante na divulgação do estilo Neoclássico no Brasil, sua fama que trazia do estrangeiro, sua importância na formação da primeira geração de arquitetos no Brasil, seu vínculo com a Corte Imperial, não seria um exagero afirmar que sua importância está para o Brasil Império, como Oscar Niemeyer está para o Brasil República.” – Charles Pizzato
Fonte:http://defender.org.br/uploads/Histo%CC%81riadoCole%CC%81gioSantaTeresa_07_09_11.pdf

7. Programa de valorização social do entorno

Justamente em vista dessa tradição de ações sociais no local, desde o séc. XIX, em conexão com obras arquitetônicas, é que consideramos que o mais importante de todos os argumentos é a possibilidade de encontrar uma solução social para o entorno do Morro Santa Tereza, onde se localizam seis vilas populares (em Porto Alegre, o termo “vila” equivale em muitos casos ao termo “favela”): Santa Rita, Figueira, União Santa Tereza, Ecológica, Gaúcha e Padre Cacique, num total de 4 mil famílias, aproximadamente.


Parte superior de uma das vilas, a Vila Gaúcha,
na encosta oeste do morro em frente ao Guaíba.

Muitos foram os projetos idealizados para o Morro Santa Tereza nos últimos anos, mas nenhum se concretizou, infelizmente, e isso se relaciona muito com a situação atual em que o morro se encontra. A  possibilidade do Governo do Estado implantar ali o novo Centro de Eventos pode ser a única chance de melhorar as condições de moradia e de vida da população pobre que vive no local, e com isso dar inicio a uma nova fase, com condições de vida mais dignas e um futuro mais promissor.

Parte superior da Vila Gaúcha, na encosta do morro em frente ao Guaíba.
É nítido o contraste entre a beleza  da paisagem e as condições precárias de vida.

Em julho de 2011 o Governo do Estado reconheceu, através de decreto, o direito de moradia à população da área, primeiro passo para a regularização fundiária e melhorias, como iluminação pública. Atualmente o governo abriu um diálogo com os moradores das vilas e deu início o início das obras de urbanização e regularização fundiária do Morro Santa Tereza. Será realizado o levantamento topográfico, o cadastro socioeconômico das famílias, a pesquisa cartorial, laudos geológico e ambiental. Com esses levantamentos concluídos inicia-se a fase de adequação urbanística – luz, água, esgoto, drenagem, pavimentação, construção de casas e atenção ainda à remoção e ao reassentamento de famílias em áreas de risco.

Assinatura do Gov. Tarso Genro do decreto.

Atualmente as condições de vida continuam muito precárias para as famílias e o sentimento é de insegurança para os visitantes. Essa situação afasta as tentativas de dar novamente ao Morro Santa Tereza o protagonismo turístico que deveria ter por sua geografia. As pessoas têm medo de visitar o local, pois lixo, tráfico e assaltos fazem parte dessa situação.

Para uma nova vida ao Morro Santa Tereza, é necessário acabar com o estigma que recaiu sobre ele nas últimas décadas e sobre seus moradores, de forma injusta, mas que nunca houve no passado. Se por um lado é preciso regularizar a situação fundiária e as condições de vida, um centro de eventos no local pode aumentar as oportunidades para os moradores.

Localização de uma das vilas no Morro Santa Tereza, a Vila Gaúcha.


O acúmulo de lixo no morro degrada o ambiente      foto: sandra ilibio braz

Somente um grande projeto, como o Centro de Eventos, terá a capacidade de levar Estado e Prefeitura a trabalharem em conjunto para encontrar a melhor solução para os moradores e que ao mesmo tempo libere todo o potencial da área, inclusive em beneficio dos próprios moradores.

As soluções de urbanização das vilas poderiam ser pensadas pelo governo local no sentido de uma harmonização com o projeto arquitetônico do Centro de Eventos, integrando a presença dos moradores, honestos e trabalhadores, e suas atividades com um novo ambiente, de maior qualidade, focado em educação, ecologia, aperfeiçoamento profissional e turismo.

A FASE, que continua o DNA de ações sociais no entorno do morro, planeja construir no local um centro profissionalizante. Para isso, conta com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que chegariam a US$ 28 milhões.

Esse centro profissionalizante poderia direcionar-se em parte para a formação de mão de obra qualificada, no sentido de atender às necessidades de um grande centro de eventos, como o que poderia ser construído no local. Teríamos, portanto, moradia do trabalhador, local de educação profissionalizante e local de trabalho no mesmo entorno do Morro Santa Tereza.

Com as melhorias de condições no morro, outros negócios ligados a lazer, turismo, gastronomia, etc., teriam maior interesse em se localizar no seu entorno, o que demandaria mais mão de obra especializada, vinda inclusive das próprias vilas localizadas no morro. Estaríamos transformando um grave problema social de Porto Alegre, que nos envergonha, em uma solução para milhares de famílias e motivo de projeção para a cidade e para o Estado.

Sem dúvida, questões como saneamento básico, iluminação, educação, segurança, saúde, etc. deverão ser também qualificadas no local, através de ações da Prefeitura e do Governo do Estado, conforme o processo já iniciado. Estaríamos assim rompendo o círculo vicioso que levou nestes últimos anos o Morro Santa Tereza a atual situação de degradação e dando início a um círculo virtuoso de qualificação do local e das pessoas, a partir de um projeto arquitetônico de qualidade.

Recentemente no Rio de Janeiro políticas públicas eficientes transformaram o cenário das favelas como nos casos abaixo. Podemos e devemos tentar algo parecido em Porto Alegre.

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Teleférico no Morro do Alemão

O teleférico no Morro do Alemão tem uma grande extensão, em Porto Alegre, poucos metros de teleférico ligando o alto do Morro Santa Tereza ao entorno do Estádio Beira-Rio e à Av. Padre Cacique seria mais uma opção de acessibilidade para moradores e um atrativo turístico para visitantes.

Favela Painting em Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, é um projeto social que pode servir de inspiração para a melhoria das condições nas vilas em torno a um futuro Centro de Eventos, transformando um problema social em motivo de orgulho para os moradores.

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Não se trata de projetos utópicos e com altos custos, mas realizações recentes de governos e organizações comprometidos com a situação dos seus cidadãos mais desamparados.

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Conclusão

Por todas essas razões, geográficas, culturais, históricas, sociais, ecológicas, arquitetônicas, turísticas, humanísticas, é que o Morro Santa Tereza apresenta um conjunto de elementos simbólicos incomparável, dentre as opções oferecidas, dando um significado muito maior ao Centro de Eventos, que ele teria, se fosse localizado em outro ponto da cidade ou em outra cidade.

A arquitetura pode ter efetivamente um papel transformador na cidade, se o Morro Santa Tereza for o local escolhido pelo Governo do Estado. A população de Porto Alegre saberá reconhecer todos os benefícios propiciados por esta escolha.

Como dizia Oscar Niemeyer, “A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem.” – Oscar Niemeyer

Grupo Centro de Eventos Gaúcho no Morro Santa Tereza
http://www.facebook.com/groups/477609732249799

Lista atual de membros:
http://www.facebook.com/groups/477609732249799/members/

 Porto Alegre, 31 de julho de 2012.
Versão 3.0, 08 de junho de 2013.

Texto: Jorge Piqué

Carroças em Porto Alegre… Da negação à inovação

Segundo a matéria  Cadastramento dos carroceiros,  no Correio do Povo, começou no da 20 de agosto de 2012, em Porto Alegre, “a segunda etapa do cadastramento de condutores de veículos de tração animal e de veículos de tração humana (…) De acordo com a agente de governança Vânia Gonçalves de Souza, o cadastramento é parte fundamental no processo de extinção desse tipo de serviço, que envolve carroças e carrinhos. Assim, a ideia é que esses trabalhadores migrem para outras atividades, por meio de cursos de capacitação profissional. (…) Em Porto Alegre, no ano de 2010, foi criado um programa que prevê, até 2016, a proibição de circulação de carroças e carrinhos, com base em uma legislação municipal.”

Embora, na minha opinião, por vários e conhecidos motivos, a eliminação do tráfego de carroças nas ruas seja desejável, devíamos não apenas negar e proibir essa prática, mas transformá-la em algo diferente e melhor, agregar valor ao que em princípio não tem mais valor. Um exemplo dessa atitude é a solução para o emprego de animais nos circos. Todos lamentam o tratamento que esses animais sofrem, passando horas em jaulas. Qual a reação imediata? Acabar com o circo? Ou transformá-lo? Foi o que o  Cirque Du Soleil fez, pois não usa mais animais e criou algo muito melhor que o circo tradicional, inovou em lugar de simplesmente negar e proibir, criou um caminho novo, para transitarmos de uma situação a outra, e que já foi seguido por outros grupos.

É óbvio que não pode haver mais carroças nas ruas, muito menos com animais maltratados e exaustos… Mas é verdade que esses carroceiros viveram a vida inteira assim. Desde crianças conduzem carroças pelas ruas, provavelmente com um orgulho íntimo de ter o controle sobre esses animais, eles, que tem tão pouco poder sobre qualquer coisa, tem essa habilidade especial, que é transmitida de geração para geração. Para nós, a velha carroça pode ser apenas um sinal da nossa precariedade como sociedade, um estorvo, para eles é seu bem mais precioso, parte da sua identidade.

Qual a solução, então? Simplesmente proibir e transferir os carroceiros para outras ocupações, principalmente as relacionadas com a coleta e reciclagem do lixo, mas usando veículos de tração humana? Ótimo, é uma solução também, que pode ser a mais adequada para alguns, mas será que pelo menos em alguns casos não se poderia ir além e criar algo diferente? Sair de uma simples negação e proibição de algo efetivamente errado e condenável nos dias de hoje para a sua transformação em algo positivo, inovador, no futuro?

Em várias cidades do mundo existe um serviço turístico de charretes, ou carruagens, se preferirem, que se tornaram um atrativo turístico, todos querem tirar fotografias nelas. A mais famosa está em Nova York, no Central Park, onde os cavalos são muito bem cuidados, mas existem em várias outras cidades do mundo e inclusive no Brasil, como se pode observar nas fotos abaixo.


Central Park – Nova York

Boston - EUA

Boston – EUA | Foto: Rossina Krasnoiartsev

Brugges – Bélgica
Sevilha – Espanha

Évora – Portugal

Cartagena – Colômbia

Parati – Rio de Janeiro

Essas cidades apresentam um serviço de carruagens ou charretes perfeitamente integrado, inclusive em alguns casos em via pública, convivendo com o tráfego e cuidando adequadamente dos animais. Será que Porto Alegre não teria condições de fazer algo similar, mesmo que fosse mais limitado, transformando as antigas carroças de lixo ou criando novas charretes ou carruagens de passeio, elaborando para isso uma normativa municipal adequada, sem exigir um esforço dos animais e lhes dando água e alimentação adequada?

A própria Lei nº 10531 (10 de setembro de 2008) já vislumbra esse uso alternativo das carroças, no seu artigo terceiro:

§ 1º Fica permitida a utilização de VTAs e de VTHs:
(VTA = Veículo de Tração Animal = carroças)….
IV – em locais públicos, para fins de passeios turísticos;

No Rio Grande do Sul  temos uma cultura do cavalo, mas que em Porto Alegre quase não se vê mais, com exceção dos carroceiros ou do Batalhão de Polícia Montada da Brigada Militar, no dia a dia, ou de forma excepcional nas festividades da Semana Farropilha, ou na Expointer.

Carroça de passeio para crianças – Acampamento Farropilha (2012)

Por que não convidar alguns desses carroceiros, alguns que mostrem que são educados e comunicativos, e dar a eles capacitação através de pequenos cursos e colocá-los como “operadores” dessas charretes de passeio? Afinal, eles já tem esse convívio com o animal, que é o pré-requisito  básico para a profissão. Claro que se não houver nenhum carroceiro capaz, o que pode muito bem acontecer, se poderia encontrar outras pessoas para esse serviço, que gostem de cavalos e tenha familiaridade com eles, especialmente. De qualquer modo, a cidade eliminaria as carroças do trânsito, mas  ganharia um diferencial para o público turista, e, porque não, para nós mesmos, que  faríamos esses passeios com nossos filhos.

Claro que não é algo tão simples de implementar. Em quais locais teríamos esse serviço? Dificilmente pelas ruas da cidade, embora em outras cidades se admita o uso em determinadas vias públicas. Teria que ser em áreas amplas para valer a pena o circuito e sem trânsito de veículos. Uma primeira sugestão seria o Parque da Redenção, ou também no Parque Marinha… ou ao longo da orla a partir da Usina do Gasômetro, que será em breve revitalizada… Já imaginaram um passeio de carruagem ao longo do Guaíba no entardecer? O novo projeto de revitalização da orla poderia pensar nisso desde agora. Evidentemente teria que ser um serviço bem organizado, ter fiscalização dos cavalos, por meio de veterinários,  não poderia haver sobrecarga para o animal, ou seja estabelecer um limite de ocupantes em função de haver 1, 2, ou mais animais.

Com certeza, se poderá  levantar mil probleminhas, de todo tipo. Não digo que seja simples… mas a Prefeitura não poderia pelo menos pensar na viabilidade desse serviço, enquanto avança na proibição das carroças? Caso fosse possível,  fazer uma licitação, como no caso do aluguel das bicicletas. Seria um serviço cobrado também, quem sabe aceitando propaganda, para diminuir o preço do passeio, mas propaganda muito restrita visualmente, e se poderia usar uma charretes bonitas, chamativas, mesmo que fosse para operar apenas no fim de semana. Afinal, todas as grandes e pequenas cidades no mundo que oferecem esse serviço conseguiram viabilizar esse negócio economicamente, apesar dos obstáculos. Não se trata de algo impossível, nunca tentado antes.

Em outras cidades se usam carruagens, que tem uma conotação muito aristocrática, como se pode observar em algumas fotos acima. Na minha opinião, em Porto Alegre deveriam ser charretes ou carruagens com características mais locais, mais nossas, rústicas, trazendo de volta ao ambiente urbano uma experiência da nossa própria tradição rural tão rica, e que pouco a pouco vai desaparecendo, como o carro de bois.

De preferência, buscar pelo menos inspiração em carruagens ou charretes usadas no estado, no passado, como parte de nossa memória, tão rapidamente esquecida, como esta charrete do séc. XVIII, restaurada, de propriedade de um colégio da capital, evidentemente com todas as  adaptações necessárias ao bom uso, conforto e segurança dos passageiros:

Carruagem do séc XVIII em Porto Alegre   Fonte: Restaurada, carruagem do século 18 é exposta em colégio (ZH Bela Vista)

Ou um modelo mais básico de charrete, como esta, a venda em São Paulo:


Charrete envernizada particular – São Paulo
Charrete na Padre Chagas | Foto: Rozely Froner Athayde

Charrete na Padre Chagas | Foto: Rozely Froner Athayde

Não creio que seja necessário criar esse serviço como um serviço exclusivamente turístico, sujeito às normas turísticas nacionais, e sim como um serviço em geral prestado a moradores e visitantes, como os cisnes no Parque da Redenção, com as devidas diferenças, mas sem dúvida deveria estar integrado ao sistema turístico da cidade, como o ônibus turístico. As charretes poderiam ser também um ponto de informação turística para os visitantes à cidade.

Em Parati existe inclusive a Cooperativa dos Condutores de Carruagens do Centro Histórico Paraty, desenvolvida a partir da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (UFRJ), como um serviço turístico, mas Parati é uma cidade eminentemente turística, no caso de Porto Alegre, seria mais um serviço de passeio, não  turístico, mas sim com uma dimensão turística. Em cada cidade, o serviço deve ter o conceito mais adequado para cada situação.

Proibir carroças no trânsito de Porto Alegre? Perfeito…mas por que parar apenas na proibição e deixar de criar algo novo para a cidade, que faça parte de nossa identidade?

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