Arquivo da categoria: Economia da Experiência

Praça Florida e atual Escola Municipal Meu Amiguinho

Pracinha Florida, uma história de convívio no bairro Floresta

Seria preciso fazer uma história dos espaços – que seria
ao mesmo tempo uma história dos poderes – que estudasse
desde as estratégias da geopolítica até as nossas
pequenas táticas do habitat, da arquitetura institucional,
da sala de aula ou da organização hospitalar, passando
pelas implantações econômico-politicas. […]
A fixação espacial é uma forma econômica-política
que deve ser detalhadamente estudada.
(FOUCAULT, O olho do poder. In: Microfísica do poder. 2002, p. 212).

Praça Bartolomeu de Gusmão (a tradicional Praça Florida)

Esse post foi criado em seu momento para dar mais informações aos participantes da Expedição Floresta 1. Agora faz parte da coleção de documentos sobre o Distrito Criativo de Porto Alegre.

Baseado neste post de UrbsNova, ZH Moinhos fez uma grande matéria sobre a Praça Florida:

ZH Moinhos - O Passado de Ouro da Florida

ZH Moinhos – O Passado de Ouro da Florida (clique na imagem para ampliar)

Quando andamos ao longo da R. São Carlos, rua tradicional do bairro Floresta, chegamos a uma praça, pequena, uma pracinha, na verdade. Uma pequena porção de espaço público, entre a tranquila R. São Carlos e a movimentada Av. Farrapos, que provavelmente nem nota a sua existência. Não estranha, pois este lado da praça se encontra degradado, muito sujo e não poucas vezes ocupado por moradores de rua, apesar de cercado.

Praça Florida
Localização no Google Maps

Do lado da São Carlos, em contraste, temos uma jovem escola municipal infantil, a Escola Municipal de Educação Infantil Meu Amiguinho, criada em 1980, com seus tijolos expostos e seus brinquedos infantis. A escola também está cercada, infelizmente, única maneira de proteger o patrimônio público.

Esta é a única praça do bairro Floresta. Existe outra, pelo menos com nome de praça, a Praça Monsenhor Emílio Lottermann, onde se encontra a Igreja São Pedro, na Cristóvão Colombo,  a maior igreja neogótica que temos na cidade, projeto do checo Josep Hrubý, mas não poderíamos mais chamar esse espaço de verdadeira praça. Outra pequena praça está na confluência da Av. Cristóvão Colombo, com Benjamim Constant e Quintino Bocaiuva.

O nome oficial da pracinha na São Carlos é Praça Bartolomeu de Gusmão, mas todos na vizinhança a conhecem por Praça Florida. Desde 1896 aparece com esse nome tradicional nos mapas da cidade. Foi o nome dado de forma espontânea pela população, inspirado pelo jardim natural que existia ali, último sobrevivente do processo de urbanização que afetou o então arraial Navegantes e a região entre ele e o Centro da Cidade.

Observando a intensa urbanização que encontramos no bairro Floresta e a escassez de espaços verdes nessa extensa região da cidade, é difícil acreditar que desde o início da cidade toda essa área ao longo da orla do Guaíba apresentava uma vegetação exuberante. Antes da urbanização e industrialização de início do séc. XX, havia ali muitas chácaras e extensas áreas verdes, que chamavam a atenção dos estrangeiros que visitavam a cidade, local de bucólicos passeios.

A Praça Florida foi, portanto, esse pequeno oásis que sobreviveu do passado mais remoto da região verde ao norte da cidade, margeando o Caminho Novo, hoje Av. Voluntários da Pátria, na orla do Guaíba (os aterros posteriores afastaram a orla). Naturalmente esse espaço de vegetação tornou-se um ponto de encontro da vizinhança do bairro no início do séc. XX.

Aquarela de Debret intitulada Paranaguá. Porém trata se de um equivoco do autor, a paisagem/panorama é de Porto Alegre . BANDEIRA, 2008.Debret e o Brasil 1816-1831 No canto esquerdo está o Caminho Novo (atual Vol.da Pátria).
Imagem acima: Aquarela de Debret intitulada Paranaguá. Porém trata-se de um equivoco do autor, o panorama seria de Porto Alegre . BANDEIRA, 2008. Debret e o Brasil 1816-1831
No canto esquerdo está o Caminho Novo (atual Voluntários da Pátria), onde se pode ver a exuberância da vegetação que cobria muitas chácaras na região, mas que foi totalmente urbanizada posteriormente.

O ano de 1927 parece ser o início da modernização da praça e do seu entorno. Segundo o Jornal A Federação, em 1927 foi realizado o calçamento com pedras irregulares (pedra portuguesa) da Praça Florida, e ruas em volta, como São Carlos e Voluntários da Pátria (a Av. Farrapos ainda não existia). No mesmo ano foi realizada a canalização na rua, com alvenaria de pedra e com cimento moldado.

Neste mesmo ano inicia em Porto Alegre um importante projeto de promoção do esporte e da atividade física para crianças e jovens.  Foi criada a primeira praça de educação física e esporte para a recreação pública, o primeiro “Jardim de Recreio”, no “Alto da Bronze” (hoje praça General Osório). A partir desta experiência bem sucedida, aparelharam-se outras praças que ganharam canchas de esporte, recantos infantis, jardins de infância e bibliotecas. Estes locais foram a Praça Florida, Praça Pinheiro Machado, Praça Garibaldi, Praça José Montaury e Praça Jaime Teles.

O prefeito Otávio Rocha, em 1927 aproveitou  esse jardim natural que existia no Floresta e o transformou em um centro de atividades esportivas e culturais, a Praça de Desportos Florida. Foi construído na praça um pequeno pavilhão, onde os moradores do bairro podiam se reunir para jogar xadrez ou damas. Na parte externa, foram demarcadas canchas de vôlei e basquete (“cestobol”) em chão batido. Posteriormente foram instalados equipamentos de ginástica e lazer, balanços, argolas, barras, passo de gigante, escorregadores, gangorras.  O prefeito se orgulhava dessa obra, já que deu destaque a ela em seu relatório de fim de mandato, em 1928.

Se anteriormente a praça já atraia a vizinhança para desfrutar de seu espaço natural aprazível, a partir do final dos anos 20 a praça se torna em um centro de convívio organizado em torno da recreação e do esporte. Sem dúvida, a contrapartida do processo de industrialização foi o desenvolvimento de locais públicos e privados onde as pessoas poderiam ter lazer, recreação e esporte fora de suas casas. Houve, em consequência,  um aumento da interação social entre os vizinhos, de forma paralela a como fábricas e sindicados aumentavam na mesma época a interação entre trabalhadores.

A ocupação da praça remodelada era muito grande como se vê na foto abaixo, onde o Volley Ball já era praticado “em ternos e saias” na Praça Florida, nos anos 20.

Praça Florida, após 1927, com a instalação das quadras de vôlei.

Acervo CEME/ESEF/UFRGS

Como consequência da criação de espaços públicos para práticas esportivas nas praças  de Porto Alegre, nos anos 20, e as melhorias instauradas para promover a sociabilidade e o lazer da população, foram criadas novas associações esportivas, os clubs das praças. Esses clubes tinham suas equipes que os representavam em competições municipais interpraças. A rivalidade era muito grande e o principal rival da Praça Florida era justamente o primeiro jardim de recreio criado em Porto Alegre, no centro, na Praça Gal. Osório, especialmente no basquete. Mas esses clubs não se dedicavam apenas à competição esportiva formal, desenvolviam também festas, atividades culturais e recreativas para os moradores do entorno. A Praça Florida era o verdadeiro coração social, que atraia a participação e a colaboração dos habitantes do bairro.

Se formaram os seguintes clubs na Praça Florida:  Atléthico Flamengo, Bataclan Volley-ball Club, Florida Volley-ball Club, Jahú Volley-ball Club e Esportivo Sul América (existem referências a outros times de vôlei da Praça Florida, como o Juvenil e o Independente). Não havia clubes ou times de futebol.

bataclanUm dos clubs famosos da Praça Florida foi o Bataclan Volley-Ball Club, iniciado em  1927 na Praça de Sports Florida. As atividades previstas eram as seguintes, para termos uma ideia de como funcionavam estes clubes em torno da atividade física, mas que envolvia muitas brincadeiras também:

Categoria de menores (meninos e meninas): corrida em 75 metros, capitão soldado ladrão, corrida com pneus, jogo das batatas, círculo, salto em distância, cabo de guerra.
Categoria dos rapazes: corrida em 100 metros, corrida em saco, lançamento da bola, corrida de três pernas, corrida de obstáculos, torneio de volley-ball.
Categoria das senhoritas: corrida da agulha e corrida da vela.

Abaixo, o registro da organização interna do Bataclan Volley-Ball Club. Esses clubs não tinham sede, a sede era a própria praça pública, diferentemente dos grandes clubes com sede própria em Porto Alegre.

Diretoria do Bataclan

Diretoria do Bataclan em 1927-28.

Não temos informações do motivo de um time de vôlei em Porto Alegre nos anos 20 adotar o nome de Bataclan … mas a pergunta é inevitável. Quem sabe exista uma razão e por isso cabe uma pequena digressão sobre fatos que aconteciam no Brasil na mesma época e tinham destaque nos jornais gaúchos.  O verdadeiro Bataclan foi uma  famosa sala de espetáculos de Paris, construída em 1864, na forma de uma pagode chinês. Era um grande café-teatro, onde se apresentavam os espetáculos de music-hall.

Por seu sucesso, o teatro criou uma companhia itinerante que embarcou em uma grande turnê pela América do Sul, nos anos 20. Em 1920 chegaram a Buenos Aires e em 1922 desembarcou no Rio de Janeiro a famosa companhia de revistas francesa Bataclan, dirigida por Mme. Rasimi, com cenários luxuosos, coristas sedutoras seminuas, tendo a frente a famosa vedete Mistinguett. A companhia se apresentou também em São Paulo, Salvador e Recife. A companhia Bataclan com suas coristas e vedetes introduziu um novo padrão de beleza feminina no Brasil, a  moda, agora no séc. XX era a mulher esbelta… Quem sabe havia um certo humor na escolha desse nome para um clube de vôlei, já que o esporte desenvolvia também esse novo padrão de beleza.

O impacto do Bataclan parisiense no Brasil foi muito grande. Nos anos 20, havia também em Ilhéus o famoso cabaré Bataclan, que aparece na obra de Jorge Amado. Além disso, mais tarde, na década de 1940, resolveu morar em Porto Alegre e tornar-se um personagem famoso da cidade o famoso Bataclan, muitos devem lembrar, um homem negro que vestindo terno, gravata e cartola, andava pelo Centro propagandeando lojas, bares, bebidas, sabões e colchões, entre muitos outros produtos até os anos 80. Como havia também nos anos 20 a Companhia Bataclan Negra, talvez o nosso Bataclan local tivesse se apropriado do seu nome e da sua fama.

Voltando a atividade recreativa e social desenvolvida na Praça Florida, recuperamos uma nota do Jornal A Federação sobre o Natal das crianças Pobres, de 1927, na Praça Florida, que nos dá uma ideia da importância dessa atividade, que reunia os vizinhos em ações beneficentes. As crianças favorecidas eram as que frequentavam o jardim de recreio municipal da praça.

Natal de 27

Não só no Natal, mas também no São João e em datas cívicas, sempre havia festas nas praças de recreio. As famílias se envolviam na organização, participando de comissões, como se observa na nota do jornal, cuidando da vida lúdica do seu bairro. Essas festas tinham caráter local, mas às vezes iam além, tendo impacto em toda a cidade. No São João de 1932, os rapazes de cada um dos Jardins de Recreio foram responsáveis por uma “original celebração”, cada grupo acenderia uma fogueira no alto de um morro de Porto Alegre, que eram Glória, Santana, e da Polícia (2). O Jardim n.º 3, da Praça Florida foi escalado para o Morro de Sapucaya (na atual cidade de Sapucaia?). A Rádio Gaúcha, fundada em 1927, transmitia o evento e deu o sinal para as fogueiras serem acendidas ao mesmo tempo, criando um espetáculo que toda a cidade assistia.

O esporte preferido dos usuários da Praça Florida era o basquetebol. A praça possuía uma quadra de areião, A grande rivalidade no basquete era entre  a Praça Florida e a Praça Gal. Osório, no Alto da Bronze. Em segundo lugar, na preferência, mas com grande interesse também, estava o voleibol. Era uma época de total amadorismo, os jogadores dos clubes de praças não só não recebiam salário ou ajudas, mas pagavam os custos, como os uniformes.

clube de basquete

Em 1988 o jornalista Dante D´Angelo relembrava sua infância nos anos 30 na praça Florida, em matéria do Jornal do Comércio, depois publicada em seu livro No Banco do Jardim:

Lembranças do jornalista Dante D´Angelo da Praça Florida, no livro No Banco do Jardim.

Lembranças do jornalista Dante D´Angelo da Praça Florida, no livro No Banco do Jardim.

Em 1935 houve um grande torneio feminino de voleibol, que saiu com destaque no jornal A Federação. A final foi entre a representação da Praça Recreio Florida e a equipe da Praça Recreio General Osório. Saiu vitoriosa a Praça Florida, representada por Emilia, Marina, Elvira, Erotilde e Adelba.

Em 1936 a Pracinha Florida trocou de nome para Praça Bartolomeu de Gusmão, em homenagem a um sacerdote e cientista, um dos pioneiros da navegação aérea, o padre-voador, famoso por ter inventado o primeiro aerostato operacional, a que chamou de “passarola”.

A Praça Bartolomeu de Gusmão era classificada como jardim de recreio tipo 2, “Praças de Educação Física” ou Praças de Recreação. Esse tipo era o mais completo, algumas com jardim de infância, todas possuíam quadras de esportes coletivos, quadras de esportes individuais, aparelhos recreativos, bibliotecas ambulantes, banheiros, recanto de ginástica e salas para atividades sociais. As que possuíam jardim de infância eram a Praça Gal. Osório, no Alto da Bronze, que foi a primeira, e a Praça Florida. Havia atendimento noturno nessas duas praças, com realização e jogos e campeonatos.

Em 1936 o time de basquete do Grêmio já jogava na Praça Florida, contra o time da praça, provavelmente. Em janeiro de 1943, cerca de 3000 pessoas frequentaram as atividades da Praça Florida. A atividade dos clubes “sediados” em praças de Porto Alegre só cresceu com o tempo, a tal ponto que os times importantes como Grêmio e Internacional enviavam seus “olheiros” ali. Em 1948, surgiu o Florida Atlético Club, time oficial de basquete, que disputou a campeonato gaúcho.

Praça florida final dos anos 40
BRAUNERr, Daniel. A prática do basquetebol na cidade de Porto Alegre : da emergência nos clubes à organização federativa. Diss. de Mestrado. 2010. (texto)

O crescimento da Praça Florida no cenário do basquete não partiu do reconhecimento de um órgão público competente, mas como manifestação da própria comunidade envolvida com a praça, como Dona  Erna Leão, nos anos 40 e  50,  grande incentivadora da Praça Florida, promovendo os jovens jogadores e fazendo que eles se inscrevessem na Federação Atlética Rio-Grandense.

Foi a partir da filiação do clube na Federação que melhorias são providenciadas na praça pelo município para receber partidas oficiais. O piso da quadra é pavimentado com cimento e são instaladas arquibancadas ao redor, as únicas em uma praça de Porto Alegre. As arquibancadas lotavam com o público da “pracinha”. Segundo Dressyng, o pessoal da vizinhança era mais fã do time de basquete da pracinha do que do Grêmio ou do Internacional. O primeiro técnico do Florida foi Ariel Ruas e depois Artur Visintainer. O símbolo do Florida Atlético Club era o Zé-Carioca.

O Florida foi vice-campeão adulto de basquete entre 1949 e 1952. Em 1953 o Florida foi campeão municipal e estadual, fato significativo, pois a praça competia com clubes de massa, muito mais organizados, como Cruzeiro, Grêmio e Internacional. O Florida como vimos era um club sem sede, um clube de praça, 1953 foi o seu momento de glória.

Abaixo foto de jogo na pracinha entre o Florida e o Grêmio, em 1953, onde é possível ver a quadra da praça, entre árvores e edifícios, já com a arquibancada.

Jogo na pracinha entre o Florida e o Grêmio, em 1953

Jogo na pracinha entre o Florida e o Grêmio, em 1953.

Time vencedor de 1953, ano épico na história do clube da pracinha.

atletico

Nos anos de 52 e 53 a seleção gaúcha de basquete era quase toda formada com jogadores do Florida, mais alguns do Cruzeiro, que era o seu principal rival na época. Como consequência desse sucesso, grandes jogadores do Florida se transferiram para times maiores, como Grêmio e Internacional.

Bairro Floresta - Praça Florida - Ponto de Táxis -  1940 Almanaque Gaucho

Antigo ponto de táxis (“auto de praça”) na Av. Farrapos, em frente a Praça Florida. Talvez anos 40 ou 50. Autor desconhecido. Fonte: Almanaque Gaúcho.

Não sabemos porque toda essa intensa atividade social, recreativa e esportiva em torno da Praça Florida desapareceu. A decadência parece ter começado talvez nos próprios anos 50. Um carta, sem data, ao Jornal Diário de Notícias reclama já do abandono:

[…] O [jardim] de São João, que tem o nome de Pinheiro Machado, está
completamente abandonado e o da Florida não reúne mais a multidão de
creanças que antes ali passavam horas na mais pura alegria, dos rapazes e das
meninas que, com os seus torneios de “baskett-ball”e “volley-ball” faziam o
encanto do local. Antes, duas ou três vezes por semana era a praça aberta a
noite, até ás 9 ou 10 horas, para que se entregassem os seus freqüentadores
aos torneios desportivos. Agora nada mais disso há, […]

O fato é que a situação atual da praça não representa em nada o seu importante passado. Ainda existem duas quadras na praça, mas aparentemente abandonadas. A continuidade com o passado se dá apenas através da escolinha infantil, que ocupa o lado da R. São Carlos. A atual Escola Municipal de Educação Infantil Meu Amiguinho foi criada por decreto em 1980. Sua estrutura é muito boa, mas as quadras esportivas, ao lado, na praça, embora cercadas, estão muito sujas e foram ocupadas por moradores de rua.

EMEI Meu Amiguinho - Praça Florica | Foto: Jorge Piqué

EMEI Meu Amiguinho - Praça Florica

EMEI Meu Amiguinho – Praça Florida | Foto: Jorge Piqué

EMEI Meu Amiguinho - Praça Florica | Foto: Jorge Piqué

EMEI Meu Amiguinho – Praça Florida | Foto: Jorge Piqué

EMEI Meu Amiguinho - Praça Florica | Foto: Jorge Piqué

EMEI Meu Amiguinho – Praça Florida | Foto: Jorge Piqué

EMEI Meu Amiguinho - Praça Florica | Foto: Jorge Piqué

EMEI Meu Amiguinho – Praça Florida | Foto: Jorge Piqué

Lixo é um dos problemas no entorno da Emei Meu Amiguinho

Lixo é um dos problemas no entorno da Emei Meu Amiguinho | Foto: Francielle Caetano

É necessária uma ação permanente da prefeitura para manter a praça limpa e uma ação social no atendimento aos moradores de rua que ocupam de forma irregular a praça, encontrando um melhor local para abrigá-los. Segundo Carlos Alves, presidente do Refloresta, “Faltam condições para que os moradores utilizem a Praça Florida. Queremos buscar soluções para que eles voltem a frequentar este local”. Alves aponta também o grande acúmulo de lixo como um dos problemas que impedem os moradores de utilizarem a praça: “Ela (a praça) é rota de passagem para a Vila dos Papeleiros. Próximo ao local, na Comendador Coruja, há também um albergue municipal.”

E escola desenvolve com as crianças várias atividades culturais e ambientais na praça e de certa forma continua o anterior trabalho social que havia lá.  Algumas ações recentes desenvolvidas pela escola Meu Amiguinho:

Amiguinhos da Natureza – JA1 Explora a Praça Florida (2010)

“Buraco com sujeira. Não é legal!”

Programa de Leitura “Adote um Escritor” 2012, com

Visite o blog EMEI JP Meu Amiguinho

Graças a atividade da Associação Refloresta a praça tem recebido um melhor tratamento recentemente. Criado em maio de 2012, o Grupo de Apoio à Revitalização do Bairro Floresta, ou Refloresta, é uma associação que reúne moradores, empresários, trabalhadores e amigos do local. O grupo atua para que as pessoas possam usufruir o espaço público e reivindicar melhorias na infraestrutura e segurança.
Facebook: https://www.facebook.com/Refloresta | Fone: 3228-3802

A partir de julho de 2013 a praça recebe, todas as terças-feiras, uma feira modelo, das 15h30 às 20h30. Participam da feira modelo da praça Florida 40 feirantes reunidos em 16 bancas. As 38 feiras modelo da cidade vendem hortifrutigranjeiros, carnes, derivados de leite, frios e embutidos, entre outros produtos, como pastéis feitos na hora.

Indiretamente, essas bancas cheias de vegetais lembram o passado mais remoto, quando o nome Praça Florida foi adotado pelos moradores da vizinhança. A feira cria um espaço de compras, mas que é também um espaço de encontro e de convívio. É um embrião de interação social, que pode se desenvolver nos próximos anos.

Feira modelo na Praça Florida
Feira modelo na Praça Florida

No dia 17 de agosto de 2013 a R. São Carlos e a Praça Florida foram beneficiadas com um verdadeiro mutirão de serviços da administração municipal, com a atuação da SMAM, SMOV, DMLU, DEP e Guarda Municipal, em um evento organizado pela Secretaria de Governança Local, através do CAR Centro. Professores da Escola Meu Amiguinho organizaram uma confraternização com os seus alunos, em homenagem ao Dia dos Pais.

É preciso, no entanto, mais passos nessa direção, manter um calendário anual de eventos na praça, com atividades culturais e também aproveitando a infraestrutura para os esportes que já se encontra lá. A recuperação da memória local do espaço, como fizemos neste post, é um passo na recuperação de uma identidade associada a um espaço coletivo.

Desde novembro de 2013, a Praça Florida é considerada um dos principais pontos de intervenção urbana dentro do Projeto Distrito Criativo de Porto Alegre, na sua linha de revitalização urbana.

Fontes:

Terra. E. As Ruas de Porto Alegre. 2001.
Sílvia Cristina Franco Amaral, ESPAÇOS E VIVÊNCIAS PÚBLICAS DE LAZER EM PORTO ALEGRE: DA CONSOLIDAÇÃO DA ORDEM BURGUESA À BUSCA DA MODERNIDADE URBANA. In   Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 2001.
Feix, Eneida, Lazer e cidade na Porto Alegre do início do século XX: institucionalização da recreação pública, Diss. de Mestrado. 2003 (texto)
Projeto Garimpando Memórias, depoimento de  Paulo Dreyssing. 2003 (texto)
Brauner, Daniel. A prática do basquetebol na cidade de Porto Alegre : da emergência nos clubes à organização federativa. Diss. de Mestrado. 2010. (texto)
da Cunha, MLO , Mazo JZ. A CRIAÇÃO DOS CLUBS NAS PRACAS PÚBLICAS DA CIDADE DE PORTO ALEGRE (1920-1940). In: Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 2011 (texto)

texto e organização do post: Jorge Piqué

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Cidades catalãs no III FALP

III Fórum Mundial das Autoridades Locais de Periferia

Realizou-se em Canoas, em junho de 2013, o III FALP – Fórum Mundial das Autoridades Locais de Periferia.
O Fórum nasceu em em 2003 no marco do Fórum Social Mundial e do Fórum de Autoridades Locais pela Inclusão Social e a Democracia Participativa.
Edições anteriores:  Nanterre, França (2006), e Getafe, Espanha (2010).

O III FALP reuniu representantes dos governos locais e da sociedade civil de todo o mundo. O tema proposto foi “Direitos e Democracia para Metrópoles Solidárias e Sustentáveis” e o encontro teve seus debates estruturados a partir de seis eixos de trabalho:

1. Identidades e Multipolaridade
2. Governança e Participação
3. Globalização e Metropolização
4. Sustentabilidade e Água
5. Bem comum e Bem viver
6. Igualdade e Políticas de Gênero

O Forum aconteceu na Unilassalle Canoas.

Notícia: Canoas será sede do Fórum Mundial de Educação Temático em janeiro de 2014.

III Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia

III Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia

III Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia

III Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia

III Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia

III Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia – Auditório Canoas

III Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia

III Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia

III Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia

III Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia

III Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia

III Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia

UrbsNova participou do III FALP em Canoas por dois motivos. Em primeiro lugar, porque acreditamos que as cidades das periferias tem graves e diferentes problemas e por seu relativo menor tamanho podem ser locais apropriados para a inovação social, em particular para a inovação política. Em uma cidade menor pode ser mais fácil experimentar novas formas de fazer política, novas formas de colaboração. Uma cidade pequena e periférica, sem as luzes que a mídia reserva para as grandes metrópoles, pode também aportar algo novo à sociedade.

O segundo motivo se deve a presença de quatro cidades da Área Metropolitana de Barcelona. Nossa área de atuação é Porto Alegre e Barcelona, mas este é apenas o foco mais específico, que se amplia para as áreas metropolitanas das duas cidades e mesmo para toda a Catalunha e todo o Rio Grande do Sul (veja mais sobre isso). Neste momento de crise por que passa toda a Espanha acreditamos ser muito importante a cooperação internacional, para encontrarmos meios alternativos de restabelecer o crescimento econômico através da participação cidadã.

Cidades catalãs no III FALP

A seguir apresentamos ao público brasileiro as quatro cidades que participaram do III FALP em Canoas:
Santa Coloma de Gramenet, Gavà, Sant Feliu de Llobregat e Barberà del Vallès.

Pertencem a Área Metropolitana de Barcelona, que integra 36 municípios e está dentro da Província de Barcelona, que conta com 311 municípios. O órgão responsável pela província é a Diputació de Barcelona.
Essa é a razão de “Barcelona” ter na verdade 3 significados: o município, a área metropolitana, e a província.

Existe ainda dentro da Área Metropolitana de Barcelona a comarca Barcelonés, com apenas 5 municípios: Barcelona, Hospitalet de Llobregat, Badalona, Santa Coloma de Gramanet y San Adrián de Besós.

Comparando    Área Metropolitana de Barcelona    |  Região Metropolitana de Porto Alegre
habitantes            3.239.337 (2012)                            |             4.011.224 (2010)
área                         636 km²                                       |                 10.234 km²
densidade             5.093 hab/km²                              |               392 hab./km²

Área Metropolitana de Barcelona

Área Metropolitana de Barcelona. Em destaque Gavà, Sant Feliu de Llobregat, Barberà del Vallès e Santa Coloma de Gramenet.

Santa Coloma de Gramenet

Santa Coloma de Gramenet está situada na Comarca de Barcelonés, entre Badalona, Sant Adrià de Besòs e Montcada i Reixach.

Representou a cidade o tinent d´alcade delegat (vice-prefeito) Jordi Mas Herrero, na mesa temática Globalização e Metropolização. Enfatizou a importância de um governo metropolitano como um verdadeiro local de encontro dos governos locais, sem o predomínio do centro. A prefeita atual é Núria Parlon Gil.

Jordi Mas - Santa Coloma de Gramenet

Jordi Mas – Santa Coloma de Gramenet

A cidade tem aproximadamente 120 mil habitantes e dista 8 km da Praça Catalunha. Oficialmente 25% da população é estrangeira, cerca de 30 mil pessoas. O Brasil é a 7ª nacionalidade, com 4,26%. Era uma antiga vila ibérica, dos laitanos. Tem um patrimônio histórico interessante de finais do séc. XIX e início do séc. XX, paralelo, portanto, ao patrimônio histórico que temos em Porto Alegre.

Can Roig i Torres. (1906-1911). Carrer Rafael Casanova, 5.Can Roig i Torres. (1906-1911). Carrer Rafael Casanova, 5.

Can Roig i Torres. (1906-1911)

Em Santa Coloma se localiza o Campus de Alimentação da Universidade de Barcelona, com cursos como Nutrição Humana e Tecnologia de Alimentos. Há uma sede da UNED também na cidade. A economia se baseia no comércio basicamente.
Grameimpuls é uma empresa municipal para promover o emprego e a atividade industrial na cidade.

Ressaltamos que Santa Coloma de Gramanet é uma das cidades que integra o Parc Fluvial del Besós e que em Porto Alegre temos uma tarefa parecida, a revitalização do Arroio Dilúvio. Integra, como Porto Alegre, a Associação Internacional de Cidades Educadoras.

Gavà

Gavà é uma cidade da comarca do Baix Llobregat, entre Villadecans e Castelldefells, na orla.

Representou a cidade no III FALP o seu alcalde, Joaquim Balsera, que também é presidente do Conselho Comarcal do Baix Llobregat.

Alcalde Joaquin Balsera, Gavà

Joaquim Balsera, prefeito de Gavà

O prefeito enfatizou a questão da descentralização e da importância do financiamento para os municípios da Área Metropolitana de Barcelona. No passado a situação já foi bem pior, sem uma instituição que reunisse de forma oficial todos os municípios.

Informação:
Em 1988 foi criada a Mancomunitat de Municipis del Àrea Metropolitana de Barcelona (MMAMB). Segundo Janaína Fernandes, era “uma livre associação dos municípios da região metropolitana de Barcelona, não (…) um partido político, tampouco um sindicato, e apesar de ser uma livre associação, de alguma forma, expressava o associativismo da região da Catalunha e os dotes socioculturais da região”.

Somente recentemente em 2011 foi criada da Área Metropolitana de Barcelona (AMB), entidade que reúne Barcelona e mais 35 municípios do seu entorno. Já não se trata de uma associação meramente voluntária, mas de um órgão de governo metropolitano, com uma lei que define sua função.

Participam os partidos de cada um dos municípios e seu presidente é o prefeito de Barcelona. Muitos âmbitos que no município de Porto Alegre são atribuições da prefeitura, como transporte público e lixo, não são de responsabilidade do município de Barcelona, mas sim da Área de Metropolitana de Barcelona.
Competências: promoção econômica, coesão e equilíbrio social, infraestruturas,  habitação, transporte e mobilidade, ciclo da água, resíduos, e meio-ambiente.

Há, no quadro atual, segundo o prefeito de Gavà, naturalmente, competição entre municípios vizinhos, mas há também um amplo espaço para a colaboração no marco institucional da AMB.

Vídeo do início da apresentação do prefeito Joaquim Balsera no Painel 2: Voz das Periferias pelo direito as metrópoles para todos e todas.

Gavà tem aproximadamente 45 mil habitantes. No seu território se localiza o Parc Natural del Garraf.

Roca Forada, Garraf, Gavà

Roca Forada, Garraf, Gavà

No passado foi exatamente a fronteira entre o Império Franco, ao norte,  e El Andaluz, ao sul.
Na economia se destaca o cultivo do aspargo, os melhores de Catalunha, se destacando a famosa Fira d´Espàrrecs, que existe desde 1932.

Fira d´Espàrrecs de Gavà

Fira d´Espàrrecs de Gavà

Integra, como Porto Alegre, a Associação Internacional de Cidades Educadoras.

Curiosidade: Messi é morador de Gavà.

A vice-prefeita Emma Blanco também apresentou uma exposição no III FALP, na mesa temática Igualdade e Políticas de Gênero.

Sant Feliu de Llobregat

Sant Feliu de Llobregat é uma cidade ao sul de Barcelona e, como Gavà, pertence à comarca do Baix Llobregat, sendo a capital dessa comarca.

Representou Sant Feliu no III FALP Lídia Muñoz, tinenta d’alcaldia e regidora de Participació, na mesa temática Governança e participação, apresentando a experiência das Redes de Bairro (Xarxes de Barri) na cidade. Essas redes recuperam o trabalho comunitário, reunindo os moradores em atividades de costura, gastronomia, lazer, etc, aumentando a coesão social dentro do município.

Lidia Muñoz, Sant Feliú del Llobregat, III FALP

Lídia Muñoz, Sant Feliu de Llobregat

Sant Feliu tem cerca de 43 mil habitantes e está próxima a Av. Diagonal de Barcelona. O Tramvía desde 2007 conecta Barcelona e Sant Feliu. É prefeito de Sant Feliu Jordi San José Buenaventura.

É chamada também como La Ciutat de les Roses, por seu apoio ao cultivo de roseirais na cidade. Toda a comarca do Baix Llobregat, desde o final do séc. XIX e principalmente no séc. XX,  teve um forte vínculo com esta flor.

Roserar Dot-Camprubí, Sant Feliu de Llobregat

Roserar Dot-Camprubí, Sant Feliu de Llobregat

A Universitat Oberta de Catalunya (UOC) tem uma sede em Santa Feliu. A cidade tem apostado também por iniciativas inovadoras, como  Ciutat Digital, Sant Feliu Innova, e Sant Feliu On Line, no Facebook.

Sant Feliu tem uma relação com Porto Alegre, pois em 2001, durante o Fórum de Autoridades Locais, dentro do I Fórum Social Mundial, o então prefeito de Sant Feliu, Ángel Merino  (2000-2003), foi um dos membros da Comissão redatora da Carta de Porto Alegre, juntamente com o então prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro. Merino também participou do II Fórum em 2002.

Integra, como Porto Alegre, a Associação Internacional de Cidades Educadoras.

Curiosidade: Iniesta, jogador do Barça e da seleção espanhola, é morador de Sant Feliu.

Barberà del Vallès

Barberà del Vallès é parte da comarca do Vallès Occidental. Encontra-se ao leste da área metropolitana, a caminho de Sabadell e Terrassa.

Representou Barberà no III FALP Antonio Baéz, primer tinent, na mesa temática Bem comum e Bem viver.

Barberà tem aproximadamente 33 mil habitantes. Tem patrimônio histórico românico e do séc. XIX. É prefeita de Barberà Ana del Frago.

Igreja La Románica, Barberá del Vallés

Igreja La Románica (Santa María), Barberà del Vallès (séc. XII)

Entre Barberà e Sabadell se encontra o Parque Central del Vallés.
Barberá integra, com outros municípios próximos, o Campus de Excelencia Internacional, da Universidade Autônoma de Barcelona.

Integra, como Porto Alegre, a Associação Internacional de Cidades Educadoras.

Sete Razões para o Morro Santa Tereza

Observação

Desde 23 de julho de 2012, 11 meses atrás, foi criado no Facebook um grupo para apoiar uma das opções oferecidas ao Arq. Niemeyer pelo Governo do Estado para localizar o futuro Centro de Feiras e Eventos do Rio Grande do Sul.

Durante este quase 1 ano, o Morro Santa Tereza em vários momentos foi considerado o favorito, em comparação com outros locais concorrentes. Nos próximos dias o Governador deve anunciar sua decisão final, mas o mais provável é que não seja o Morro Santa Tereza.

Nestes últimos dias queríamos apoiar de forma explícita este local, apesar das suas poucas chances, e, de certo modo, manter a memória de cerca de 150 pessoas, que fizeram um esforço conjunto apoiando o Morro Santa Tereza, para que tenha um futuro melhor, com preservação da sua natureza e como espaço público integrado a cidade.

Seja onde o for o futuro Centro de Eventos do RS é muito importante para a cidade e deve ser apoiado por todos.

UrbsNova – Agência de Inovação Social

MORRO SANTA TEREZA
A MELHOR ESCOLHA PARA O CENTRO DE FEIRAS E EVENTOS DO RIO GRANDE DO SUL

 


Morro Santa Tereza, vista aérea.

 Proposta do grupo Centro de Eventos Gaúcho no Morro Santa Tereza

Porto Alegre, 31 de julho de 2012.

Versão 3.0, 08 de junho de 2013

Versão PDF para impressão:
https://docs.google.com/file/d/0B10XMYM3aPAvOEJ4OTViLTJIYTA/edit?usp=sharing

Grupo Centro de Eventos Gaúcho no Morro Santa Tereza

No dia 23 de julho de 2012 foi criado no Facebook o grupo Centro de Eventos Gaúcho no Morro Santa Tereza
http://www.facebook.com/groups/477609732249799

Este grupo quer congregar todas as pessoas que preferem ter o Morro Santa Tereza como o local escolhido para sede do futuro Centro de Feiras e Eventos do Rio Grande do Sul.
O grupo já reúne aproximadamente 150 membros.
Visite o grupo no Facebook: http://www.facebook.com/groups/477609732249799

 
Página inicial do grupo Centro de Eventos Gaúcho no Morro Santa Tereza.

Critérios de Decisão

Consideramos que o escritório do Arquiteto Oscar Niemeyer fará sua decisão final levando em conta muitos critérios, entre eles, critérios de ordem técnica, que estão além do nosso conhecimento, pois somos, em geral, apenas cidadãos que desejam o melhor para a sua cidade. E consideramos que o Grupo de Trabalho definido pelo Governador do Estado para avaliar as diversas opções disponíveis, tenha em especial consideração a preferência do arquiteto Niemeyer, falecido em 05 de dezembro de 2012. Por outro lado, acreditamos que existem alguns argumentos favoráveis à escolha do Morro Santa Tereza, que deveriam ser também levados em consideração na tomada de decisão e que apresentamos neste documento de forma democrática e participativa.

Sete Razões em favor do Morro Santa Tereza

1. Vista Espetacular

Dentre todas as opções é a única que oferece uma visão privilegiada da orla, do Guaíba, das ilhas do Delta do Jacuí e da própria cidade, desde o alto. É reconhecidamente a melhor vista que temos em Porto Alegre.

 
Pôr do sol do Guaíba.


Vista do Estádio Beira-Rio, do Guaíba, das Ilhas e da Cidade.

2. Visibilidade e Iconicidade

Por estar em um nível mais alto será o local onde o Centro de Eventos terá a maior visibilidade, mesmo ao longe. Visível inclusive desde a hidrovia, que liga Porto Alegre a Guaíba, e ligará em breve à Zona Sul. Em outros locais a obra não seria visível de longe pelas pessoas, e teria pouca visibilidade, mesmo nas proximidades. Seria uma grande obra, sem dúvida, mas praticamente escondida e, portanto, com menor capacidade de atração da população local, um dos critérios definidos no conceito original do projeto.

Essa maior visibilidade contribuirá para que a obra de Niemeyer se torne um marco arquitetônico para Porto Alegre.


Vista do Morro Santa Tereza e da saibreira desde o Guaíba.

3. Uma Orla Privilegiada

O Centro de Eventos estará na proximidade de quatro outras obras arquitetônicas e de urbanização que dão maior qualidade à nossa orla e à cidade. Estará em primeiro lugar próximo à Fundação Iberê Camargo, na Ponta do Melo, do reconhecido arquiteto português Álvaro Siza, que de certa forma continua uma arquitetura moderna que tornou Oscar Niemeyer mundialmente conhecido.

 
Vista aérea da Fundação Iberê Camargo, na Ponta do Melo.

Em 2008, Yukio Futagawa, considerado o fotógrafo de arquitetura mais importante do mundo, fundador da revista-referência “Global Architecture“, organizou um encontro entre o “mestre” Oscar Niemeyer e o premiado arquiteto português Álvaro Siza, no Rio de Janeiro. “No encontro, Siza, que veio ao Brasil inaugurar seu projeto mais recente – a nova sede da Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre -, elogiou a flexibilidade de Niemeyer, que consegue resolver todo um prédio com formas simples. Niemeyer retribuiu dizendo que se impressionava com a forma que Siza trabalhava o concreto.”

O Centro de Eventos estaria praticamente em frente ao Estádio Beira-Rio, sede dos jogos da Copa do Mundo 2014, em Porto Alegre, e que será completamente reformado. A proximidade de uma grande e qualificado centro de eventos esportivos colaboraria para uma maior divulgação do nosso Centro de Eventos a nível nacional, pois poderia ficar visível desde o estádio.

Recentemente a direção do Sport Clube Internacional disponibilizou uma área em frente ao Morro Santa Tereza como uma opção para sediar o futuro Centro de Eventos. Em nossa opinião, uma distribuição do Centro de Eventos em duas áreas, uma plana próxima ao rio, mais funcional e outra elevada, no morro, mais de lazer, poderia ser também uma boa combinação.


Projeto de reforma do Estádio Beira-Rio para a Copa 2014.

Uma das obras de mobilidade urbana para a Copa 2014, o Viaduto da Av. Pinheiro Borda, ficará bem em frente ao Morro Santa Tereza, permitindo maior acessibilidade ao local para os jogos no Estádio Beira-Rio, que se vê ao fundo da imagem abaixo. Do nosso ponto de vista, não técnico, o morro apresenta possibilidades de acesso por sua parte inferior, desde a Av. Padre Cacique, como se observa na imagem abaixo, mas também pela parte superior, com uma entrada ao lado do Mirante, e também, segundo o plano diretor, por uma entrada lateral, situada entre estas duas. Soluções de acessibilidade existem para o Morro Santa Tereza, seu abandono até os dias de hoje é que não permitiram a sua implementação.

   Viaduto da Av. Pinheiro Borda Foto: Divulgação/PMPA.

Bem próximo, em direção à Zona Sul, se encontra o novo centro comercial BarraShopping, com grande oferta de lojas, restaurantes e cinemas, opções de lazer e gastronomia, a disposição dos participantes das feiras e eventos, vindos de fora da cidade, e que naturalmente são um público de alto poder aquisitivo. Em outros locais, os participantes de congressos, feiras, etc., poderiam ficar praticamente ilhados em lugares distantes, sem infraestrutura nas proximidades.

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Nos próximos anos a ligação hidroviária existente entre Porto Alegre e Guaíba será ampliada em direção à Zona Sul da cidade. Recentemente foi decidido que haverá inclusive um terminal hidroviário dos catamarãs nas proximidades do Morro Santa Tereza, em frente ao BarraShopping, criando uma ligação hidroviária direta com o Cais Mauá, no Centro Histórico da cidade, sem riscos de engarrafamento.

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Catamarã passando em frente ao BarraShopping.

Bastaria estabelecer uma linha circular de micro-ônibus ou táxis-lotação entre o Morro Santa Tereza e o BarraShopping para haver  uma conexão direta com o centro comercial e indireta com o Centro Histórico, por meio da hidrovia. Ou, o que seria melhor, colocar um terminal hidroviário diante do Morro Santa Tereza. Dessa forma, os participantes estariam a 10 minutos do Cais Mauá, de onde acessariam os hotéis do Centro Histórico, ou conectariam com o Trensurb, até a estação Aeroporto, em apenas mais 10 min, de onde chegariam no próprio Salgado Filho, através da linha circular do aeromóvel.

Dessa forma se evita quase totalmente eventuais atrasos por engarrafamento no trânsito. Existe um plano de estender no futuro uma linha de aeromovel ligando o Centro e a Zona Sul, o que aumentaria a mobilidade de um centro de eventos localizado no morro Santa Tereza.

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Combinação Catamarã+Trensurb conectando o Centro de Eventos ao Aeroporto.

Por outro lado, o centro comercial se encontra ao lado do Hipódromo do Cristal, pertencente ao Jóckey Club do Rio Grande do Sul, um dos prédios modernistas mais valiosos do Sul do Brasil. Projetado pelo arquiteto uruguaio Roman Fresnedo Siri, em 1951 e concluído em 1959, atualmente está tombado pelo patrimônio histórico, por seu alto valor arquitetônico.

Nesta época a arquitetura de Niemeyer já tinha reconhecimento internacional, mas em Porto Alegre foi um marco por ser uma verdadeira caixa de vidro, representando as propostas contemporâneas de desmaterialização.

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Hipódromo do Cristal (1951-59)

No Hipódromo do Cristal “As citações à arquitetura moderna são profusas e explícitas, mas sempre episódicas. Elas acontecem nos volumes em formato de ameba dos sanitários e nas paredes, balcões e mezaninos sinuosos que serpenteiam por entre modulações ortogonais de colunas. Fresnedo tem em mente o pavilhão do Brasil na feira mundial de Nova Iorque (Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, 1939), o jogo de colunas e a cortina de vidro do Ministério da Educação e Saúde (MES, Lúcio Costa e equipe, 1937-44) e o uso das curvas no conjunto da Pampulha (Oscar Niemeyer, 1942-43).

In: A Arquitetura de Román Fresnedo Siri (1938-1971), de 2008, p. 173

O curador do Museu de Arte Moderna de Nova York em 2015 é o arquiteto Carlos Eduardo Dias Comas, mestre em Planejamento Urbano e professor da Faculdade de Arquitetura da UFRGS. Ele organizará uma grande exposição sobre arquitetura brasileira da segunda metade do séc. XX. Perguntado se haveria alguma obra do RS na exposição, ele, que é gaúcho, respondeu que apenas uma, o Hipódromo do Cristal.

A administração do Jockey Club declarou recentemente uma reforma do espaço da pista, em convênio com a Prefeitura de Porto Alegre. Uma restauração do próprio prédio do Hipódromo do Cristal traria mais qualidade arquitetônica, para as proximidades do Morro Santa Tereza. Bastaria uma reforma do prédio de Fresnedo Siri para lhe dar maior destaque e se constituiria em mais uma atração arquitetônica em nossa orla.

Um pouco mais adiante na orla, em direção norte, a partir da foz do Arroio Dilúvio, será iniciado em 2013 o Projeto de Revitalização da Orla, de Jaime Lerner, que na sua Fase 1 requalificará toda a extensão até a Usina do Gasômetro. As demais fases alcançarão inclusive a orla em frente ao Estádio Beira-Rio e ao  Morro Santa Tereza.


Projeto de Revitalização da Orla, da Prefeitura de Porto Alegre (Fase 1).

Finalmente, a partir da Usina do Gasômetro, em direção ao Centro Histórico, já em 2014, segundo o Governo do Estado, se estenderá o projeto de Revitalização do Cais Mauá, dos arquitetos Jaime Lerner e Fermín Vázquez. Vázquez, arquiteto espanhol de renome internacional, tem a intenção expressa de homenagear nesse projeto a arquitetura moderna brasileira, cujo principal nome é Niemeyer.

O movimento modernista brasileiro foi uma ilustre contribuição para a arquitetura moderna mundial. O Brasil é um dos lugares do mundo onde o movimento modernista trouxe melhorias no desenho arquitetônico. A interpretação brasileira da modernidade, para nós, sem dúvida, foi uma inspiração na hora de elaborar o projeto. A nossa proposta das torres, por exemplo, tem muito a ver com a arquitetura brasileira.
Fermín Vázquez (12/12/2010)

Desde criança, muito antes de imaginar que seguiria a profissão, tinha uma ideia mítica e heroica dos arquitetos brasileiros. Era a consequência inevitável da ressonância do projeto de Brasília em todo o mundo, especialmente na Espanha dos anos 60, onde a épica fundação de uma cidade criava grandes expectativas.
Fermín Vázquez (19/6/2012)


Projeto de Revitalização do Cais Mauá, Governo do Estado. Vista geral.


Projeto de Revitalização do Cais Mauá, Governo do Estado.
Armazéns restaurados e torres triangulares


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Projeto de Revitalização do Cais Mauá, Governo do Estado.
Centro Comercial

Todos esses projetos, já realizados na cidade, ou a ser em breve realizados, formarão um conjunto único nos próximos anos, se estendendo ao longo da orla, desde o Centro Histórico de Porto Alegre até o Hipódromo do Cristal, com grande atrativo turístico em geral e de forma especial para os interessados em arquitetura moderna.

Teríamos a presença de 5 arquitetos ou urbanistas de destaque internacional, brasileiros e estrangeiros, ao longo da Orla do Guaíba, desde o Centro Histórico até a Zona Sul da cidade:  o espanhol Firmín Vázquez, Jaime Lerner, Oscar Niemeyer, o português Álvaro Siza e o uruguaio Fresnedo Siri,  construindo um espaço arquitetônico, muito particular e harmônico, relacionado direta ou indiretamente à arquitetura moderna brasileira, que sem dúvida atrairá visitantes apenas por seu próprio valor.

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Mapa dos diferentes projetos de arquitetura
e urbanismo ao longo da Orla do Guaíba.

 4. Área de Lazer e Cultura para a população da cidade

Sua localização geográfica, em meio de caminho entre o Centro Histórico e a Zona Sul da cidade, transforma o Morro Santa Tereza no melhor local para oferecer uma opção de lazer, não só para os visitantes de fora, que virão para feiras e eventos, mas principalmente  para a própria população de Porto Alegre, com serviços de cafeterias, restaurantes, bares, etc.

Nossa população já está acostumada a passar pelo local e principalmente mantém uma memória de ocupação desse espaço, a qual será mais facilmente reativada pelo Centro de Eventos. No caso de outras opções, mais distantes e menos frequentadas pela população, essa atração seria mais difícil. É intenção explícita do Estado que o Centro de Eventos de Estado não seja apenas mais um espaço para eventos na cidade, fechados em si mesmos, desconectados da cidade, mas que seja utilizado pelos cidadãos no seu lazer e que seja um espaço privilegiado para grandes shows e concertos, disponível à população. Essa é opção mais inteligente, integrando a captação do negócio de eventos nacional e internacional às necessidades de lazer e cultura da nossa população.


Vista da cidade desde o Morro Santa Tereza nos anos 60, quando a população ia
sem preocupação aproveitar da melhor vista da cidade, levando seus filhos.

Mesmo hoje em dia, mesmo sem as condições mínimas, alguns visitantes vão até o morro para desfrutar de sua vista. Quando houver segurança e infraestrutura o acesso será sem dúvida muito maior.

5. Por Um Parque Ecológico no Santa Tereza

Entre todas as opções oferecidas para a localização para o Centro de Eventos é a que mais apresenta condições de integração do projeto arquitetônico a um grande parque ecológico, atualmente inacessível, valorizando o entorno natural, onde encontramos intactos arroios descendo do morro, com sua mata ciliar preservada, em forma característica de leque, como se pode observar na imagem a seguir. Trata-se de Área de Preservação Permanente (APP) e por isso regulada por leis que impedem qualquer impacto prejudicial à natureza.


Vista dos arroios no Morro Santa Tereza, que estão marcados pela mata ciliar.

O local escolhido para o futuro Centro de Eventos NÃO é todo o Morro Santa Tereza, que deve ser preservado, mas principalmente a saibreira, área degradada, formando uma enorme cratera, depois de décadas de escavações. O saibro retirado desta saibreira foi utilizado nas ruas do bairro Menino Deus. 

A integração do Centro de Eventos a um grande parque natural, que é inclusive uma reivindicação da comunidade local de moradores e da população em geral, trará um atrativo a mais ao projeto se for localizado no Morro Santa Tereza. O respeito ao nosso patrimônio ecológico será uma das garantias de sucesso do Centro de Eventos.

Recentemente, em 2010, o 54th Congresso da International Federation for Housing and Planning (IFHP), realizado em Porto Alegre, na PUCRS, lançou como tema para o seu Concurso Internacional de Estudantes exatamente uma intervenção urbanística, paisagística e arquitetônica, visando à recuperação de área do Morro Santa Tereza. Os projetos apresentados deviam obedecer ao critério de preservação e valorização das áreas de vegetação.

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Um dos projetos apresentados e premiados no concurso.

Aproveitar essa mata ciliar, de forma a que os visitantes possam ter uma experiência de contato direto com ela, seja na forma de pontes sobre as copas das árvores, ou de pequenos túneis pelo meio da mata, é conscientizar a população do valor do nosso patrimônio ambiental, e é função do Estado essa garantia de preservação para as próximas gerações.

Além da beleza e riqueza natural do próprio Morro Santa Tereza, a própria orla em frente ao morro é mais um atrativo para o local, como a Prainha do Iberê, que se encontra exatamente entre o morro e a Fundação Iberê Camargo.

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Prainha do Iberê. Vista da Fundação Iberê Camargo

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Localização da Prainha do Iberê, entre a Fundação e o futuro Centro de Eventos

6. Um DNA de ação social e arquitetura de qualidade

No Morro Santa Tereza se encontra atualmente a Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (Fase), herdeira da antiga Febem. Essa  região apresenta uma tradição de assistência social a idosos e crianças, principalmente através do Asilo Padre Cacique, obra assistencial, que se dedica a pessoas idosas. Foi projetado pelo arquiteto Álvaro Nunes Pereira, iniciado em 1881 e inaugurado em 1898, e que dá nome à Avenida Padre Cacique, entre o Morro Santa Tereza e a Orla do Guaíba.


Vista frontal do Asilo Padre Cacique.


Ari (91 anos) e Leopoldina (82 anos) se conheceram
e casaram recentemente no Padre Cacique.

A Fase, na verdade, ocupa aproximadamente metade do Morro Santa Tereza.


Área ocupada pela Fase.

Na mesma área da Fase se encontra o pouco conhecido prédio do Colégio Santa Tereza. Este prédio, de autoria do famoso arquiteto francês Grandjean de Montigny, que veio com a Missão Francesa trazer a civilização à corte de D. João VI, teve a função de dar abrigo a meninas e meninos órfãos no séc. XIX, e leva o nome da esposa de D. Pedro I, a Imperatriz Teresa Cristina de Bourbon – Duas Sicílias, preocupada com o destino desses órfãos e acabou por dar nome a todo o morro.

No entanto, o prédio foi muito descaracterizado, levando a uma simplificação das formas originais, mas continua a ser para os estudiosos uma referência à história da arquitetura do séc. XIX em Porto Alegre.

         
Vista atual do Antigo Colégio Santa Teresa e reconstituição da fachada original
foto: http://www.defender.org.br, desenho: Charles Pizzato

 “O fato deste prédio ser, indubitavelmente, projeto do Arquiteto Grandjean de Montigny, deve ser celebrado e lembrado. Considerando que Grandjean de Montigny tem papel importante na divulgação do estilo Neoclássico no Brasil, sua fama que trazia do estrangeiro, sua importância na formação da primeira geração de arquitetos no Brasil, seu vínculo com a Corte Imperial, não seria um exagero afirmar que sua importância está para o Brasil Império, como Oscar Niemeyer está para o Brasil República.” – Charles Pizzato
Fonte:http://defender.org.br/uploads/Histo%CC%81riadoCole%CC%81gioSantaTeresa_07_09_11.pdf

7. Programa de valorização social do entorno

Justamente em vista dessa tradição de ações sociais no local, desde o séc. XIX, em conexão com obras arquitetônicas, é que consideramos que o mais importante de todos os argumentos é a possibilidade de encontrar uma solução social para o entorno do Morro Santa Tereza, onde se localizam seis vilas populares (em Porto Alegre, o termo “vila” equivale em muitos casos ao termo “favela”): Santa Rita, Figueira, União Santa Tereza, Ecológica, Gaúcha e Padre Cacique, num total de 4 mil famílias, aproximadamente.


Parte superior de uma das vilas, a Vila Gaúcha,
na encosta oeste do morro em frente ao Guaíba.

Muitos foram os projetos idealizados para o Morro Santa Tereza nos últimos anos, mas nenhum se concretizou, infelizmente, e isso se relaciona muito com a situação atual em que o morro se encontra. A  possibilidade do Governo do Estado implantar ali o novo Centro de Eventos pode ser a única chance de melhorar as condições de moradia e de vida da população pobre que vive no local, e com isso dar inicio a uma nova fase, com condições de vida mais dignas e um futuro mais promissor.

Parte superior da Vila Gaúcha, na encosta do morro em frente ao Guaíba.
É nítido o contraste entre a beleza  da paisagem e as condições precárias de vida.

Em julho de 2011 o Governo do Estado reconheceu, através de decreto, o direito de moradia à população da área, primeiro passo para a regularização fundiária e melhorias, como iluminação pública. Atualmente o governo abriu um diálogo com os moradores das vilas e deu início o início das obras de urbanização e regularização fundiária do Morro Santa Tereza. Será realizado o levantamento topográfico, o cadastro socioeconômico das famílias, a pesquisa cartorial, laudos geológico e ambiental. Com esses levantamentos concluídos inicia-se a fase de adequação urbanística – luz, água, esgoto, drenagem, pavimentação, construção de casas e atenção ainda à remoção e ao reassentamento de famílias em áreas de risco.

Assinatura do Gov. Tarso Genro do decreto.

Atualmente as condições de vida continuam muito precárias para as famílias e o sentimento é de insegurança para os visitantes. Essa situação afasta as tentativas de dar novamente ao Morro Santa Tereza o protagonismo turístico que deveria ter por sua geografia. As pessoas têm medo de visitar o local, pois lixo, tráfico e assaltos fazem parte dessa situação.

Para uma nova vida ao Morro Santa Tereza, é necessário acabar com o estigma que recaiu sobre ele nas últimas décadas e sobre seus moradores, de forma injusta, mas que nunca houve no passado. Se por um lado é preciso regularizar a situação fundiária e as condições de vida, um centro de eventos no local pode aumentar as oportunidades para os moradores.

Localização de uma das vilas no Morro Santa Tereza, a Vila Gaúcha.


O acúmulo de lixo no morro degrada o ambiente      foto: sandra ilibio braz

Somente um grande projeto, como o Centro de Eventos, terá a capacidade de levar Estado e Prefeitura a trabalharem em conjunto para encontrar a melhor solução para os moradores e que ao mesmo tempo libere todo o potencial da área, inclusive em beneficio dos próprios moradores.

As soluções de urbanização das vilas poderiam ser pensadas pelo governo local no sentido de uma harmonização com o projeto arquitetônico do Centro de Eventos, integrando a presença dos moradores, honestos e trabalhadores, e suas atividades com um novo ambiente, de maior qualidade, focado em educação, ecologia, aperfeiçoamento profissional e turismo.

A FASE, que continua o DNA de ações sociais no entorno do morro, planeja construir no local um centro profissionalizante. Para isso, conta com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que chegariam a US$ 28 milhões.

Esse centro profissionalizante poderia direcionar-se em parte para a formação de mão de obra qualificada, no sentido de atender às necessidades de um grande centro de eventos, como o que poderia ser construído no local. Teríamos, portanto, moradia do trabalhador, local de educação profissionalizante e local de trabalho no mesmo entorno do Morro Santa Tereza.

Com as melhorias de condições no morro, outros negócios ligados a lazer, turismo, gastronomia, etc., teriam maior interesse em se localizar no seu entorno, o que demandaria mais mão de obra especializada, vinda inclusive das próprias vilas localizadas no morro. Estaríamos transformando um grave problema social de Porto Alegre, que nos envergonha, em uma solução para milhares de famílias e motivo de projeção para a cidade e para o Estado.

Sem dúvida, questões como saneamento básico, iluminação, educação, segurança, saúde, etc. deverão ser também qualificadas no local, através de ações da Prefeitura e do Governo do Estado, conforme o processo já iniciado. Estaríamos assim rompendo o círculo vicioso que levou nestes últimos anos o Morro Santa Tereza a atual situação de degradação e dando início a um círculo virtuoso de qualificação do local e das pessoas, a partir de um projeto arquitetônico de qualidade.

Recentemente no Rio de Janeiro políticas públicas eficientes transformaram o cenário das favelas como nos casos abaixo. Podemos e devemos tentar algo parecido em Porto Alegre.

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Teleférico no Morro do Alemão

O teleférico no Morro do Alemão tem uma grande extensão, em Porto Alegre, poucos metros de teleférico ligando o alto do Morro Santa Tereza ao entorno do Estádio Beira-Rio e à Av. Padre Cacique seria mais uma opção de acessibilidade para moradores e um atrativo turístico para visitantes.

Favela Painting em Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, é um projeto social que pode servir de inspiração para a melhoria das condições nas vilas em torno a um futuro Centro de Eventos, transformando um problema social em motivo de orgulho para os moradores.

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Não se trata de projetos utópicos e com altos custos, mas realizações recentes de governos e organizações comprometidos com a situação dos seus cidadãos mais desamparados.

http://www.favelapainting.com/files/uploads/favela-painting-1.jpg


Conclusão

Por todas essas razões, geográficas, culturais, históricas, sociais, ecológicas, arquitetônicas, turísticas, humanísticas, é que o Morro Santa Tereza apresenta um conjunto de elementos simbólicos incomparável, dentre as opções oferecidas, dando um significado muito maior ao Centro de Eventos, que ele teria, se fosse localizado em outro ponto da cidade ou em outra cidade.

A arquitetura pode ter efetivamente um papel transformador na cidade, se o Morro Santa Tereza for o local escolhido pelo Governo do Estado. A população de Porto Alegre saberá reconhecer todos os benefícios propiciados por esta escolha.

Como dizia Oscar Niemeyer, “A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem.” – Oscar Niemeyer

Grupo Centro de Eventos Gaúcho no Morro Santa Tereza
http://www.facebook.com/groups/477609732249799

Lista atual de membros:
http://www.facebook.com/groups/477609732249799/members/

 Porto Alegre, 31 de julho de 2012.
Versão 3.0, 08 de junho de 2013.

Texto: Jorge Piqué

Arquivo Público & Ateliê da Oca: Educação Patrimonial | 100 Anos do Monumento a Julio de Castilhos

UrbsNova Porto Alegre | Barcelona

Cartaz da Comemoração 100 anos de Monumento a Julio de Castilhos | Foto: Vick Fichtner

Apoio

Viva o Centro a Pé | Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) | Museu Júlio de Castilhos | Memorial do Palácio do Ministério Público | Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS) | Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul / Solar dos CâmaraMemorial do Palácio da Justiça Museu de Porto Alegre Joaquim José FelizardoMuseu da Comunicação Hipólito José da Costa | Secretaria Municipal do Meio Ambiente | Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul (AHERS)

Organização

UrbsNova Porto Alegre – Barcelona | Agência de Inovação Social
Visite e curta nossa page no facebook  – agenciaurbsnova@gmail.com

Arquivo Público & Ateliê da Oca: Educação Patrimonial

UrsbNova Porto Alegre – Barcelona, juntamente com o Ateliê da Oca – Atelier e Escola de Artes organizou  uma atividade de educação patrimonial, com o apoio do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS), que cedeu especialmente a Sala Borges de Medeiros para essa finalidade, como parte da comemoração 100 Anos do Monumento a Júlo de Castilhos.
Veja a programação completa da comemoração

Crianças com idade aproximada entre 7 e 14 anos foram convidadas a ir ao Arquivo Público, onde viram fotos dos detalhes do monumento e conheceram um pouco de sua simbologia.
Foi uma atividade preparatória para o evento Criança Faz Arte na Praça, em seguida, onde as crianças foram incentivadas a desenhar e pintar, se inspirando no monumento a Julio de Castilhos, que tinham em frente, na Praça da Matriz.

Programação no Arquivo Público

Dia 25 de janeiro de 2013

– 17:30-18:00: atividades de educação patrimonial com crianças no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS).
Local: Sala Borges de Medeiro, Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS)
Organiza: Ateliê da Oca – Atelier e Escola de Artes
Organizou as atividades, pelo Ateliê da Oca, Anelore Schumann
Trabalhou como voluntária, pela UrbsNova, Emilia Xavier Londero

Fotos da atividade na Sala Borges de Medeiros 

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Descendo as escadarias do Arquivo Público com as crianças e seus pais. Foto:

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Entrando no Prédio II do Arquivo Público

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Na Sala Borges de Medeiros, onde as crianças viram fotos do Monumento a Júlio de Castilhos. Foto:

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Sala Borges de Medeiros. Foto:

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Sala Borges de Medeiros | Foto Emilia Xavier Londero

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Foto Emilia Xavier Londero

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Foto Emilia Xavier Londero

Fotos do Monumento a Julio de Castilhos

Fotos do Monumento a Julio de Castilhos | Foto Emilia Xavier Londero

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Foto Emilia Xavier Londero

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Foto Emilia Xavier Londero

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Foto Emilia Xavier Londero

Museu Julio de Castilhos: Palestra | 100 Anos do Monumento a Julio de Castilhos

UrbsNova Porto Alegre | Barcelona

Cartaz da Comemoração 100 anos de Monumento a Julio de Castilhos | Foto: Vick Fichtner

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Organização

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Museu Julio de Castilhos: Palestra sobre Julio de Castilhos

UrsbNova Porto Alegre – Barcelona, juntamente com o  Museu Júlio de Castilhos, organizou  uma palestra para contextualizar historicamente a figura de Julio de Castilhos, como parte da comemoração 100 Anos do Monumento a Júlo de Castilhos.
Veja a programação completa da comemoração

Programação no Museu Julio de Castilhos

Dia 25 de janeiro de 2013

17:30 Palestra “Julio de Castilho e seu Contexto Histórico”, por Gabriel Castello Costa, historiador do Museu Julio de Castilhos (site oficial)
Local: Auditório do Museu Julio de Castilho. Rua Duque de Caxias, 1205.
Aproveite e chegue antes para conhecer o espaço dedicado a Julio de Castilhos no Museu.

Matéria no blog do Museu Julio de Castilhos sobre a palestra

Museu Julio de Castilhos no Facebook

Imagem do Museu em homenagem aos 100 Anos do Monumento

Fotos da palestra no auditório do museu.
Fotos de Gabriela Konrad, historiadora  do MJC.
O busto de Julio de Castilhos foi colocado no auditório especialmente para a palestra.

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Casa que pertenceu a Julio de Castilhos, tranformada no Museu Julio de Castilhos após sua morte. O ano de 2013 marca também os 110 Anos do Museu Julio de Castilhos.

Quarto de Julio de Castilhos no museu

Quarto de Julio de Castilhos

Quarto de Julio de Castilhos

Divulgação

Divulgação da palestra no Blog anacarolinapontolivre (24/01/2013)

Divulgação da palestra no site Feest

Divulgação no site Jus Brasil

Divulgação da palestra em Zero-Hora Online (25/01/2013)

zerohora

Divulgação da palestra no site Porto Alegre Trevel   (clique na imagem para ler)

Matéria no site Porto Alegre Travel, da Sec. de Turismo

Matéria no site Porto Alegre Travel, da Sec. de Turismo

Solar dos Câmara: Exposição Fotográfica e Visita Guiada | 100 Anos do Monumento a Júlio de Castilhos

UrbsNova Porto Alegre | Barcelona

Cartaz da Comemoração 100 anos de Monumento a Julio de Castilhos | Foto: Vick Fichtner

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Solar dos Câmara: Exposição Fotográfica e Visita Guiada

UrsbNova Porto Alegre – Barcelona, com o apoio da Divisão de Promoções Culturais da Assembleia Legislativa, organizou no Solar dos Câmara uma exposição fotográfica de fotos antigas do Monumento a Júlio de Castilhos e uma visita guiada  ao Solar dos Câmara, a residência mais antiga conservada em Porto Alegre, como parte da comemoração 100 Anos do Monumento a Júlo de Castilhos.
Veja a programação completa da comemoração

Programação no Solar dos Câmara

Dia 25 de janeiro de 2013

Abertura da exposição fotográfica “Um Monumento de 100 Anos: Fotografias antigas do Monumento a Júlio de Castilhos”
Local: Sala JB Scalco, Solar dos Câmara.
De 25 de janeiro a 15 de fevereiro de 2013.
Impressão das fotos: Sul Fotos Impressões Fotográficas

Cartazes da exposição (clique para ampliar)

Cartaz da exposição (clique para ampliar)

Cartaz da exposição (clique para ampliar)

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Notícia no blog do Departamento de Produções Culturais

Zero-Hora Digital (24/01/2013): Mostra reúne fotografias do monumento a Júlio de Castilhos

Divulgação no Jornal do Comércio (25/01/2013)      (clique para ampliar)

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Divulgação no Jornal Zero-Hora (25/01/2013)  (clique para ampliar)

zerohora

Matéria no Programa do Roger (TVCOM), dia 25 de janeiro de 2013.

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Fotos da abertura da exposição, dia 25 de janeiro de 2013.

Abertura da exposição no Solar dos Câmara

Abertura da exposição no Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Abertura da exposição no Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Abertura da exposição no Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Abertura da exposição no Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Abertura da exposição no Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Abertura da exposição no Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Abertura da exposição no Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Matéria na Rádio Assembleia:
Sala JB Scalco recebe exposição em homenagem aos 100 anos do Monumento a Júlio de Castilhos

Video sobre a exposição no Solar dos Câmara:

Visita guiada ao Solar dos Câmara
duração 45 minutos, número máximo de pessoas: 30
É necessária inscrição prévia através do email agenciaurbsnova@gmail.com.
Ponto de encontro: Entrada principal da Assembleia Legislativa, na Recepção (praça Marechal Deodoro, 101.
Esteve presente José Francisco Alves, que no mesmo dia fez a apresentação do Monumento a Júlio de Castilhos, ma Praça da Matriz.

Fotos da visita guiada

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Bosto de Gaspar Silveira Martins, o principal inimigo de Júlio de Castilhos. Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Busto de Gaspar Silveira Martins, o principal inimigo de Júlio de Castilhos. Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

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Memorial do Ministério Público: Palestra sobre Patrimônio Cultural | 100 Anos do Monumento a Júlio de Castilhos

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Cartaz da Comemoração 100 anos de Monumento a Julio de Castilhos | Foto: Vick Fichtner

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Memorial do Ministério Público: Palestra sobre Patrimônio Cultural

UrsbNova Porto Alegre – Barcelona, com o apoio do Memorial do Ministério Público do Rio Grande do Sul, organizou no Palácio do Ministério Público uma palestra sobre a ação do Ministério Público na questão da defesa do Patrimônio Cultural, como parte da comemoração 100 Anos do Monumento a Júlo de Castilhos.
Veja a programação completa da comemoração

Programação no Memorial do Ministério Público

Dia 25 de janeiro de 2013

– 18 hs Palestra “O Ministério Público e a Defesa do Patrimônio Cultural”
Local: Palácio do Ministério Público, Praça Marechal Deodoro, 110,
Organiza: Memorial do Ministério Público
Apresenta: Drª Isabel Barrios Bidigaray, Promotora de Justiça.

Notícia sobre a comemoração no site Jus Brasil: Palácio do MP participa da comemoração do Centenário do Monumento a Júlio de Castilhos      (25/01/2013)

Notícia sobre a comemoração no site do Ministério Público: Instituição participa de atividades que marcam os cem anos do Monumento a Júlio de Castilhos     (28/01/2013)

Fotos da palestra ministrada pela Drª Isabel Barrios Bidigaray no Memorial do Ministério Público. Logo após, em frente ao Memorial, houve a apresentação da história e simbologia do monumento a Julio de Castilhos na Praça da Matriz. (Fotos: Acervo Memorial do Ministério Público)

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Ressaltamos que o próprio Palácio é um importante prédio histórico de Porto Alegre. A construção da futura Assembleia Legislativa Provincial começou em 1857. Entretanto, essa não foi a utilização dada, pois o Palácio foi concluído apenas em 1871 e a Assembleia decidiu continuar no seu antigo prédio na R. Duque de Caxias. Com a proclamação da República, Julio de Castilhos como governador do Estado, fixou ali a sede provisória do governo e também a sua residência, enquanto não se concluia a construção do Palácio Piratini, que a partir de 1921 passaria a ser a sede definitiva do Governo do Estado. Por esse motivo, o prédio se denominou primeiramente de Palácio Provisório.

O Palácio Provisório - 1898

O Palácio Provisório em 1898

Portanto, o Palácio Provisório foi o palco da ação de Julio de Castilhos e de seus sucessores, Carlos Barbosa Gonçalves e Borges de Medeiros. Foi ali que Borges de Medeiros tomou posse em 25 de janeiro de 1913 e de onde saiu a pé no mesmo dia, às 4 horas da tarde, para inaugurar o Monumento a Julio de Castilhos. O prédio, portanto é, dentre os que estão na Praça da Matriz, o que mais vínculos históricos tem com Julio de Castilhos e o Monumento.

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Em 1963, apesar de definida a demolição do prédio pelo Governo do Estado, ele passou a ser ocupado por órgãos da Secretaria do Interior e da Justiça, os quais foram substituídos por setores do Tribunal de Justiça. Em 1982 o prédio foi tombado e em 1998  devolvido pelo Poder Judiciário ao Poder Executivo, que transferiu o direito de uso e ocupação para o Ministério Público do Rio Grande do Sul. De 1999 a 2002 foi restaurado e finalmente inaugurado com o nome de Palácio do Ministério Público e como sede do Memorial do Ministério Público.

Essa relação histórica do prédio com a figura política de Julio de Castilhos propiciou que logo após a inauguração do Memorial do Ministério Público fosse realizado ali, em outubro de 2003, o Seminário Internacional Raízes centenárias: o legado de Julio de Castilhos, aproveitando a data simbólica dos 100 anos do seu falecimento, em 24 de outubro de 1903. Com este seminário “pretendeu-se estabelecer um fórum de debates sobre Julio de Castilhos, sua época e seu legado para os pósteros, à luz tanto de interpretações já clássicas quanto das novas pesquisas produzidas por diligentes pesquisadores.” (Introdução, pág. 11. In: Julio de Castilhos e o paradoxo republicano. 2005)

Em 2005, como conseqüência do seminário, o Memorial do Ministério Público participou na publicação do livro Julio de Castilhos e o Paradoxo Republicano.

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Portanto, a participação do Memorial do Ministério Público na comemoração 100 Anos do Monumento a Júlo de Castilhos, em 2013, segue uma linha coerente, que evidencia a relação do Palácio e do Memorial com a história do Rio Grande do Sul.

História do Palácio | Cronologia