Novo olhar sobre o 4º Distrito, por Jorge Piqué

Nos últimos meses, desenvolvendo um projeto para UrbsNova, o Distrito Criativo, pesquisei bastante sobre o 4º Distrito e começo agora a publicar informações que podem ser úteis para outras pessoas que queiram desenvolver outros projetos nesta área da cidade.
Caso saiba de uma informação relevante não incluída, entre em contato por email: jorgepique@gmail.com

Depois do período de decadência, principalmente a partir dos anos 70, houve dois momentos em que o 4º Distrito chamou a atenção da cidade, como uma área com potencial de modernização.

Primeiramente entre 1993 e 2004. Nestes mais de 10 anos a Prefeitura imaginou, pensou, planejou, discutiu e organizou o que poderia ter se tornado uma grande recuperação para essa área, baseada principalmente em empresas de tecnologia (eletro-eletrônica e informática). Entretanto, a partir de 2005 esses planos não foram adiante.

Esse primeiro período foi muito rico e deve ser mais conhecido (vou apresentar suas linhas gerais em um próximo post). Ainda hoje temos uma espécie de legado das reflexões desse período dentro da Prefeitura  no Grupo de Trabalho 4º Distrito e também, de forma concreta, nos parques tecnológicos que se desenvolveram a partir dessa iniciativa, como o TECNOPUC.

Neste post que publicamos aqui, queremos entretanto resumir a visão mais recente, posterior ao fim dos planos que se iniciaram nos anos 90. O início desse interesse mais recente sobre o 4º Distrito parece ser em 2008. Houve, sem dúvida, algumas ações nos anos 2005-7, como a continuidade do trabalho do GT 4º. Distrito, e inclusive a proposta em 2007 de um Parque Empresarial Tecnológico, próximo ao aeroporto, mas que não foi adiante.

Em 2008 o programa da Prefeitura Viva o Centro a Pé, que havia começado no ano anterior, com direção de Liane Klein, faz seu primeiro passeio pelo 4º Distrito. A orientação foi da arquiteta Leila Nesrala Mattar, que em 2001, portanto, ainda dentro do período anterior de interesse pelo 4º. Distrito, havia apresentado a sua dissertação de Mestrado Porto Alegre: Voluntários da Pátria e a experiência da rua plurifuncional (1900-1930).

Ao longo desses anos, o Viva o Centro a Pé foi um constante divulgador das qualidades de uma parte do Quarto Distrito, especialmente por seu patrimônio histórico edificado. Em 2009 o arquiteto Cláudio Calovi apresentou o prédio da antiga Cervejaria Bopp, depois Continental e Brahma (hoje Shopping Total), com entrada nos túneis, e também os arredores, como a Comendador Coruja.

Túnel sob a Cervejaria Continental, atual Shopping Total. + fotos

Túnel sob a Cervejaria Continental, atual Shopping Total, na visita do Viva o Centro a Pé.          + fotos

Em novembro de 2010, também dentro do Viva o Centro a Pé, Leila Mattar fez o seguinte roteiro:  armazéns da Voluntários da Pátria e a antiga Cia. Fiação de Tecidos (Fiateci).  Em 2011, novamente essa região foi visitada, com Leila mostrando a Rua Paraíba, seu túnel verde e seu patrimônio histórico, o antigo Moinho Rio-grandense, a Fiateci e algumas casas de operários, dentro de um empreendimento imobiliário, todos locais ao lado ou próximos à Av. Voluntários da Pátria (fotos Jorge Piqué).

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Foi participando neste passeio do Viva o Centro a Pé de 2011 que percebi pela primeira vez o potencial dessa região, apesar dos graves problemas de lixo, prostituição e drogas nas suas ruas. Mais recentemente, em 2012,  houve outro passeio, em setembro, conduzido pela Leila, mostrando novamente a Rua Paraíba, seguindo até o antigo Moinho Rio-grandense, visitando aos jardins da antiga fábrica Fiateci, seguindo depois para o Moinho Chaves e Igreja Navegantes.

Enquanto se desenvolviam esses passeios pelo 4º  Distrito, promovidos pelo Viva o Centro a Pé (2008-12) e que sem dúvida mostraram a centenas de pessoas a bela história que ali se escondia, com ênfase principalmente no patrimônio histórico, outros movimentos aconteciam. No âmbito da iniciativa pública, em 2009, o Grupo de Trabalho do 4º Distrito faz a primeira apresentação dos seus resultados. Em 2010, no âmbito legal, se cristaliza toda a reflexão dos anos 90 e início dos anos 2000 sobre essa extensa região ao norte da cidade, pela inclusão de um novo item no Segundo Plano Diretor, de 1999 (PDDUA):

V – 4º Distrito – compreende parte dos Bairros Floresta, São Geraldo, Navegantes e Humaitá, destacado nas estratégias do PDDUA de estruturação urbana, qualificação ambiental, promoção econômica e produção da Cidade como espaço de revitalização urbana com reconversão econômica;  (Incluído pela L.C. n° 646, de 22 de julho de 2010).

No âmbito administrativo municipal, a partir de  2010, o Plano de Revitalização Urbana do 4º Distrito passa a ser uma das cinco etapas que compõem a ação denominada “Detalhamento do PDDUA”, etapas que integram o Programa Porto do Futuro, de acordo com o Plano Estratégico do Governo e conforme o Plano Prurianual (PPA 2010-2013).

No âmbito acadêmico, se publica em 2010 a tese de doutorado A Modernidade de Porto Alegre: Arquitetura e Espaços Urbanos Plurifuncionais em área do 4º. Distrito, de Leila Nesralla Mattar.

Em 2010 havia uma clara consciência  do valor arquitetônico das antigas fábricas nesta região e da grande necessidade de uma efetiva revitalização urbana, como podemos ver por este vídeo da TVE de Porto Alegre, com entrevista da arquiteta Leila Mattar. (Ver no youtube)

No mesmo ano de 2010, houve uma reunião entre o então novo prefeito Fortunati, o vereador Mauro Zacher e os líderes das associações de bairro e empresários da região para discutir principalmente obras em infraestruturas que seriam viabilizadas pela Copa de 2014. (Ver no youtube)

Em 2011 as reclamações dos moradores e empresários do 4º Distrito com lixo, alagamentos, segurança eram constantes, como se pode ver em reportagem da TVE com moradores do bairro São Geraldo (Ver no youtube)

Mas em 2011, de forma independente das políticas públicas, temos um ponto de inflexão em uma parte ao sul do 4º Distrito, bem próximo ao Centro.  Três importantes iniciativas privadas ligadas a economia criativa e turismo se instalam no lado leste do bairro Floresta, em um território bem específico, entre a R. Comendador Coruja e a R. Félix da Cunha, e começa uma mudança mais nítida no perfil empreendedor desta área do bairro: Marga Pasquali transfere a Galeria Bolsa de Arte do Moinhos de Vento para a R. Visconde de Rio Branco, Carlos Augusto Alves abre o Porto Alegre Hostel Boutique, na R. São Carlos, e Walker Massa abre o Nós Coworking no prédio histórico do Shopping Total.

Galeria Bolsa de Arte

Porto Alegre Hostel Boutique

Nós Coworking

Esses três empreendimentos de qualidade vêm se juntar a uma série de outros empreendedores em economia criativa, do conhecimento e da experiência, que de maneira silenciosa vinham ocupando nos últimos anos esse território, que apresentava uma melhor qualidade urbana. Foi um processo silencioso, que só ganhará visibilidade com a criação do coletivo Distrito C em 2013 (ver abaixo).

Em 2011 também começam as obras do empreendimento Residencial Rossi Fiateci, na Voluntários da Pátria e que deve estar concluído em 2014, projeto que se considerava como uma tentativa de revitalização, mas neste  caso pela construção de grandes prédios. Um modelo diferente da ocupação por pequenos empreendedores criativos, que já existia no Floresta e deu origem ao Distrito C, em 2013.

Finalmente, em 2012, dois novos atores se juntam ao processo de constituição de um território especial no Floresta. Uma nova associação de moradores no bairro, a Refloresta, é criada, e se anuncia publicamente a intenção de se implantar o Projeto Vila Flores nos dois edifícios na esquina das ruas Hoffmann e São Carlos (projeto 1928-30, ddo Arq.  Josep Lutzenberger), atualmente propriedade da família Wallig, com áreas para negócios de economia criativa, centro cultural e hospedagem diferenciada (para mais detalhes ver nosso post Vila Flores: Acupuntura Urbana no Quarto Distrito).

Projeto Vila Flores

Com a futura inauguração da Arena do Grêmio, em 2012, a Prefeitura se preocupava com obras de infraestrutura, especialmente na região mais ao norte do 4º Distrito (Ver no youtube). Também em 2012 a Prefeitura começou um processo para tentar recuperar imóveis abandonados no 4º Distrito. (Ver no youtube).

O ano de 2013 foi marcado por várias iniciativas: a partir de janeiro, as reuniões no Nós Coworking, com convidados, onde foi discutida a situação geral do 4º Distrito.
O lado leste do Floresta, que já havia recebido empreendimentos significativos em 2011, mostra uma vitalidade e coesão social muito grande em 2013. Primeiramente com a criação do Brechó de Rua do Bairro Floresta, uma iniciativa da Refloresta e do Brechó Balaio de Gatos, todos os sábados e terças, na R. São Carlos.

Brechó da R. São Carlos

Brechó da R. São Carlos

Mais recentemente foi inaugurada a Feira Modelo em torno da Praça Florida, todas as terças-feiras, uma iniciativa da associação Refloresta, com o apoio da Prefeitura. Essa feira é um importante passo na recuperação dessa praça, que foi durante décadas o centro de convívio do bairro Floresta.
Veja nosso post Pracinha Florida, uma história de convívio no bairro Floresta.

Feira modelo na Praça Florida

Feira modelo na Praça Florida

A partir de agosto de 2013, aconteceram as duas “expedições” que organizamos por UrbsNova percorrendo o lado leste do bairro Floresta, onde já se desenvolvem empreendimentos de economia criativa, anteriores ou posteriores ao três que citamos. Foi a descoberta de um território de grande potencial econômico ao sul do Quarto Distrito.
Expedição Floresta 1
Expedição Floresta 2 (fotos no facebook)

Expedição Floresta 1 (foto coletiva)

Expedição Floresta 2 no Vila Flores.

Em razão dos contatos com esses empreendedores locais nas duas expedições, UrbsNova criou seu projeto específico para essa parte do Floresta, com grande potencial para os próximos 5 anos. Criamos em novembro de 2013 o Distrito C – Distrito Criativo de Porto Alegre, um coletivo de artistas e empreendedores em Economia Criativa, Economia do Conhecimento e Economia da Experiência. Consideramos esse território prioritário dentro do 4º Distrito, pois surge de forma espontânea, sem ajudas públicas, com uma localização privilegiada, próxima ao Centro e a bairros como Independência e Moinhos de Vento.

Outras iniciativas estão no momento sendo desenvolvidas por diferentes pessoas, com diferentes métodos e objetivos, que adicionaremos nesta página a medida que forem se realizando.

  Jorge Piqué     http://3.bp.blogspot.com/-BQ1phu6rWTY/UI2jaTpw_yI/AAAAAAAARD0/75Wn81RIChk/s1600/facebook_logo+(1).jpg
jorgepique@gmail.com
Fundador de Logosphera.com e UrbsNova

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