100 Anos do Monumento a Julio de Castilhos

Cartaz da Comemoração 100 anos de Monumento a Julio de Castilhos | Foto: Vick Fichtner

Apoio

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Organiza

UrbsNova Porto Alegre – Barcelona | Agência de Inovação Social
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Agradecimento

UrbsNova agradece a todos que ajudaram a realizar esse evento múltiplo em torno da Praça da Matriz, no último dia 25, envolvendo 12 instituições, municipais e estatuais, voluntários e mais de uma centena de participantes.
Todas as fotos da comemoração com seus diversos eventos particulares estão por enquanto no evento criado no Facebook, em breve estarão disponíveis no site. Para quem pode acessar visite-nos em
http://www.facebook.com/events/489799124394543/

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Proposta

Dia 25 de janeiro de 2013 será o aniversário de 100 anos da inauguração do Monumento a Julio de Castilhos. Certamente, é o monumento público mais importante e mais complexo por sua simbologia que Porto Alegre abriga.

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Monumento a Julio de Castihos, décadas de 20-30 | Acervo do Museu Joaquim Jsé Felizardo / Fototeca Sioma Breitman.

Foi realizado 10 anos após a morte prematura de Julio de Castilhos, aos 43 anos,  jornalista, político e, no Estado, principal dirigente abolicionista, anti-monárquico e republicano do início da República brasileira.

Nossa proposta é realizar uma comemoração destes 100 anos, envolvendo o poder executivo, além de diversas instituições públicas relacionadas, bem como os moradores da região e a população em geral.

Nosso principal objetivo é marcar com essa comemoração a defesa do patrimônio histórico, especialmente no caso dos monumentos públicos, que necessitam mais conservação e proteção contra o vandalismo. Somente com a valorização pública de nosso patrimônio conseguiremos sensibilizar os governos para a sua proteção efetiva. Queremos a retomada da Praça da Matriz como marco institucional no Centro Histórico, com forte caráter simbólico, dentro de uma retomada mais ampla do nosso Centro Histórico, mais além de centro comercial e financeiro da cidade, mas como espaço de convívio, lazer, cultura e história, para toda a população da cidade.

Essa comemoração quer ser um sinal de que população, Municipio e Estado prestigiam seus monumentos e espaços públicos.  Mas o monumento é também a referência concreta no presente a um passado comum da cidade e do Estado, que deve ser mais conhecido, e avaliado de forma crítica.

O monumento remete necessariamente a esse background histórico, sem o qual não pode ser verdadeiramente compreendido, e por isso incluímos na programação um momento específico para esse contexto. Valores hoje reconhecidos por todos, como a igualdade racial, a separação entre Estado e Religião, liberdade de ensino e de profissões e os ideais republicanos, foram gestados neste periodo turbulento, com decisiva participação de Julio de Castilhos, homenageado pelo monumento. Por outro lado, o monumento é instrumento ideológico de uma forte luta política que marcou o Estado na passagem da monarquia para a república.

Monumento a Julio de Castilhos, 2012.                                                                                         | Foto: Vick Fichtner

Temas da Comemoração

– Monumento a Julio de Castilhos;
– monumentos públicos em Porto Alegre;
– defesa do patrimônio histórico;
– Julio de Castilhos e seu contexto histórico
– a Porto Alegre dos anos 10 no século passado;
– ocupação das praças públicas para lazer e convívio;
– qualificação do turismo cultural;
– segurança nas praças.

Dados da Comemoração

dia: 25 de janeiro de 2013
local: Praça Marechal Deodoro, antiga Praça da Matriz.

Programação

Dia 25 de janeiro, sexta-feira

– Durante todo o dia 25: concurso de fotos do Monumento (profissional e amador).
As fotos serão colocadas no Facebook, e ganharão as 3 mais curtidas em cada categoria.
As fotos devem ser tiradas apenas no dia 25 de janeiro e ser postadas até às 24hs do dia 26 de janeiro. Ficarão expostas para votação no facebook até o dia 31 de janeiro de 2013. Resultados serão divulgados no dia 1º de fevereiro de 2013.

Primeiro lugar

Veja os três primeiros lugares e as menções honrosas do concurso fotográfico

– 16:20  Abertura da exposição fotográfica “Um Monumento de 100 Anos: Fotografias antigas do Monumento a Julio de Castilhos”
Local: Sala JB Scalco, Solar dos Câmara.
De 25 de janeiro a 15 de fevereiro de 2013.
Impressão das fotos: Sul Fotos Impressões Fotográficas
Veja mais sobre a exposição fotográfica no post Exposição Fotográfica e Visita Guiada no Solar dos Câmara

Matéria na Rádio Assembleia: Sala JB Scalco recebe exposição em homenagem aos 100 anos do Monumento a Julio de Castilhos

Abertura da exposição no Solar dos Câmara

Abertura da exposição no Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

Video sobre a exposição no Solar dos Câmara

– 16:30 Visita guiada ao Solar dos Câmara, duração 45 minutos
número máximo de pessoas: 30
É necessária inscrição prévia através do email agenciaurbsnova@gmail.com.
Ponto de encontro: Entrada principal da Assembleia Legislativa, na Recepção (praça Marechal Deodoro, 101.
Veja mais sobre a visita guiada no post Exposição Fotográfica e Visita Guiada no Solar dos Câmara

Visita guiada ao Solar dos Câmara

Visita guiada ao Solar dos Câmara | Foto: Jorge Piqué

– 17:30-18:00: atividades de educação patrimonial com crianças no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS).
Local: Sala Borges de Medeiro, Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (APERS)
Organiza: Ateliê da Oca – Atelier e Escola de Artes

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18:00 Atividade Criança Faz Arte na Praça, com pintura e desenho, sobre o tema do monumento para crianças de 7 a 14 anos.
Local: praça da Matriz, junto ao monumento
Organiza: Ateliê da Oca – Atelier e Escola de Artes
Informações (51) 3333 8917
Visite este evento no facebook

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Criança Faz Arte na Praça | Foto: Emília Xavier Londero

17:30 Palestra “Julio de Castilho e seu Contexto Histórico”, por Gabriel Castello Costa, historiador do Museu Julio de Castilhos (site oficial)
Local: Auditório do Museu Julio de Castilho. Rua Duque de Caxias, 1205.
Aproveite e chegue antes para conhecer o espaço dedicado a Julio de Castilhos no Museu.
Veja mais sobre esse evento no post Museu Julio de Castilhos: Palestra

Palestra

Palestra do historiador Gabriel Castello Costello Costa, no Museu Julio de Castilhos.

Matéria no blog do Museu Julio de Castilhos sobre a palestra

– 18 hs Palestra “O Ministério Público e a Defesa do Patrimônio Cultural
Local: Palácio do Ministério Público | (site oficial), Praça Marechal Deodoro, 110,
Organiza: Memorial do Ministério Público
Apresenta:, Drª Isabel Barrios Bidigaray, Promotora de Justiça.
Veja post completo sobre este evento realizado no Memorial do Ministério Público.
palestra

– 19 hs  Viva o Centro a Pé Especial, com a apresentação histórica e descrição da simbologia do Monumento a Julio de Castilhos.
Local: em frente ao monumento, na praça Marechal Deodoro (Praça da Matriz)
Organiza: Viva o Centro a Pé, programa do Projeto Viva o Centro – Prefeitura de Porto Alegre
Apresenta: José Francisco Alves, Curador-chefe do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), autor de vários livros sobre escultura e monumentos públicos, como: “A Escultura Pública de Porto Alegre – história, contexto e significado”. “Fontes D’Art no/au Rio Grande do Sul”, “Stockinger – Vida e Obra”.
Formação: Doutor e Mestre em História da Arte/UFRGS; Especialista em Gestão do Patrimônio Cultural/ULBRA; Bacharel em Escultura/UFRGS.
Antes e depois da apresentação haverá um interlúdio musical com Charles Busker, violão e voz, músicas anos 50-60.
Em caso de chuva, o evento será transferido para o sábado, dia 26, mesmo horário.

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Viva o Centro a Pé Especial | Foto: Eduíno de Mattos

Eduino de Mattos 25 Janeiro 2013 DSC_5670

Viva o Centro a Pé Especial | Foto: Eduíno de Mattos

Agradecemos a presença na comemoração de Dn. Eva Sopher e do prof. Arnold Doberstein.

evasopher_doberstein

Veja o video do Viva o Centro o Centro a Pé Especial na Comemoração.

Outras atividades

de 25 de janeiro a 5 de fevereiro:

– Mini exposição no Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (site oficial) de documentos relativos a Julio de Castilhos.
Local: Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul , Rua Riachuelo, 1031.

Inventário de Julio Prates de Castilhos

Inventário de Julio Prates de Castilhos

Dia 5 de fevereiro
21hs: Visita noturna ao Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul (site oficial)
Guia: Carlos Henrique
Veja página do evento no facebook.

História: O primeiro prédio teve sua construção iniciada em 1910, mesma data de início da contrução do monumento a Julio de Castilhos, com projeto do arquiteto francês Maurice Gras e execução de Affonso Hebert, então diretor da Seção de Obras Públicas, que ta,bém articipou da construção do monumento. Sua primeira fase foi concluída em 5 de julho de 1912, Em 1913, quando o monumento havia sido inaugurado, o governo do estado resolveu construir uma segunda ala do Arquivo Público, que só foi iniciada em 23 de janeiro de 1918, novamente com projeto do arquiteto Hebert e execução pelo empreiteiro Roberto Roncolli. Em 10 de junho de 1919 as obras foram concluídas.

Local: Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul , Rua Riachuelo, 1031.
Ponto de encontro: a entrada pela Praça da Matriz (Ver no Google Maps)
Inscrições por email: agenciaurbsnova@gmail.com

arquivo publico

Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul | Foto Acervo APERS

Visita guiada ao Arquivo Público do RS | Foto Eduino de Mattos

Visita guiada ao Arquivo Público do RS | Foto Eduino de Mattos

Sedes da Justiça: Em frente ao Monumento a Julio de Castilho havia o prédio gêmeo do Theatro São Pedro, o Tribunal de Justiça, e no mesmo local se encontra o prédio atual do Palácio da Justiça. Encontra-se aberta ao público a visitação a uma série de painéis históricos sobre as três sedes da Justiça na cidade.
O Memorial do Palácio da Justiça em breve lançará o livro “Um Palácio para a Justiça”, sobre as três sedes da Justiça em Porto Alegre.
Local: térreo do edifício do Palácio da Justiça, a direita da entrada.
segundas-feiras: das 12hs às 19hs
de terças a quintas-feiras: das 9hs às 18hs
sextas: das 8hs às 15hs.

Painéis no Palávio da Justiça

Painéis no Palávio da Justiça | Foto: Jorge Piqué

Se tiver Facebook, marque a sua presença no evento Comemoração 100 Anos do Monumento a Julio de Castilhos (1913-2013).

O entorno do Monumento a Julio de Castilhos

Atualmente uma série de importantes prédios, com valor histórico, e instituições públicas se encontram ao volta da Praça da Matriz. Abaixo, no link principal, informações históricas, e no link site oficial, a informação institucional.
Os nomes em negrito apoiam de forma concreta a realização da comemoração

Palácio Piratini,  sede do Poder Executivo do Rio Grande do Sul | site oficial
Palácio Farroupilha, sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul | site oficial
Catedral Metropolitana de Porto Alegre | site oficial
Palácio da Justiça e seu Memorial | site oficial
Theatro São Pedro e Multipalco e seu Memorial | site oficial
Palácio do Ministério Público e seu Memorial | site oficial
Museu Julio de Castilhos, que faz também 110 anos em janeiro de 2013 | site oficial
Solar dos Câmara, mantido pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul | site oficial
Biblioteca Pública do Estado | site oficial
Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul | site oficial

Mapa do entorno atual do Monumento a Julio de Castilhos 

Entorno do Monumento a Júlio de Castilhos

Entorno do Monumento a Julio de Castilhos na Praça da Matriz.

Notícia importante de última hora:
Uma ótima notícia no aniversário de 100 Anos do Monumento a Julio de Castilhos.

Porto Alegre é incluída no PAC Cidades Históricas.

O PAC Cidades Históricas é o principal programa do Governo Federal patrocinador de projetos de restauração, revitalização e conservação do patrimônio cultural, constituído por monumentos, edificações e espaços públicos.

O valor total que foi solicitado para recuperação do patrimônio é de R$ 85 milhões, sendo R$ 21,5 milhões destinados a obras prioritárias.

Entre as obras indicadas como priotitárias pela prefeitura,  a primeira delas é a restauração da Praça da Matriz e do Monumento a Julio de Castilhos!

 1 – Obras Prioritárias    

1.1 – Obras de Restauração    
Praça da Matriz com monumento a Julio de Castilhos
Rua Gen. Câmara    
Instalações para os artesões na Praça da Alfândega    
Pátio da Igreja Nossa Senhora das Dores    
Palácio Santo Meneguetti, Fototeca do RS    
R$ 17.000.000,00  
Fonte

Divulgação da Comemoração na mídia

Dia 23 de janeiro de 2013

Zero-Hora Digital: Alvo de vândalos, monumento na Praça da Matriz não recebe limpeza há pelo menos quatro anos     Destaque do editor

zerohora 23jan2013

Dia 24 de janeiro de 2013

Zero-Hora Digital: Mostra reúne fotografias do monumento a Júlio de Castilhos

Blog anacarolinapontolivre

Dia 25 de janeiro de 2013

Publicação em Zero-Hora Digital da programação, com entrevista em video. (matéria)

zerohora

Matéria no Jornal do Comércio

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Matéria no Jornal Zero-Hora

zerohora

Divulgação no site Porto Alegre Trevel   (clique na imagem para ler)

Matéria no site Porto Alegre Travel, da Sec. de Turismo

Matéria no site Porto Alegre Travel, da Sec. de Turismo

Divulgação no site do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul

Divulgação no site Jus Brasil

Matéria no Programa do Roger (TVCOM), dia 25 de janeiro de 2013.

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O Monumento a Julio de Castilhos, um pouco de história

O monumento foi localizado estratégicamente na Praça da Matriz, que passou a se chamar Praça Marechal Deodoro, após a proclamação da República, lugar que sempre foi o núcleo articulador da cidade.

No final do século XIX a cidade passou a se expandir e a Praça da Matriz tornou-se a origem do vetor mais importante de ocupação da cidade. A Praça constituiu-se no elemento inicial de um processo de formação do território, da distribuição espacial de usos do solo, da densidade urbana e do sistema de distribuição espacial de renda domiciliar da cidade, com profundo impacto sobre o que ela é hoje. – Arquiteto Gilberto Flores Cabral

No mesmo local onde se encontra hoje o Monumento a Julio de Castilhos havia, entre 1866 e 1910, um belo chafariz em mármore, importado de Carrara, com a imagem do Guaíba no alto, tendo na base 4 divindades representando os seus 4 afluentes. Esse monumento é um exemplo precoce do descuido que temos com nosso patrimônio. Poderia ter sido transferido para outro local, mas a fonte foi desmontada e por fim destruída, os 4 afluentes em mármore estão hoje na Praça Dom Sebastião, muito danificados, sem os braços, e a estátua do Guaíba acabou infelizmente vendida a um particular.

Chafariz em mármore da Praça da Matriz - 1900

A Praça da Matriz durante a vida de Julio de Castilhos – 1900 / Acervo do Museu Joaquim José Felizardo / Fototeca Sioma Breitman

Décio Villares ()

Décio Villares  no final do séc. XIX

Quando morre Julio de Castilhos, em 1903, presidente do Estado entre 1891-95, Borges de Medeiros, seu sucessor, coletou recursos entre o comércio para erigir um monumento cívico em sua homenagem, com projeto do pintor e escultor Décio Villares (1868-1931), formado na tradição instituída pela Academia Imperial de Belas Artes,  teve forte influência positivista em sua estância na França. Foi professor da Académie des Beaux-Arts de Paris e retornou ao Brasil em 1881. Suas obras desse período retratam estadistas e figuras públicas republicanas, como Benjamin Constant, Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, entre outros.

Recentemente o tema do positivismo em Porto Alegre retornou a mídia pela presença do filósofo suiço Alain de Botton, no Fronteiras do Pensamento.

Na época não havia dúvidas sobre a importância histórica da figura de Castilhos para a República.

Se no plano nacional havia indefinição sobre quem de fato instituiu a República, no plano regional do Rio Grande do Sul havia unanimidade de que Julio de Castilhos foi quem possibilitou as condições políticas para a implantação do regime republicano no Estado.- Elisabete Leal

Villares foi o responsável primeiramente pelo belo monumento funerário a Julio de Castilhos, concluído em 1904, que se encontra no Cemitério da Santa Casa, de influência claramente positivista, com imagem do morto e figura feminina que segura a bandeira nacional.

Monumento funerário

Monumento funerário a Julio de Castilhos (1904)

O convite [a Villares, uma semana após a morte de Castilhos, para o monumento fúnebre e cívico] partiu de Borges de Medeiros, que determinou que a obra devia representar a vida de Castilhos em três fases: a da propaganda republicana, quando jovem; a da organização republicana, quando maduro; e sua retirada do governo, quando velho, se não tivesse morrido cedo. – Elisabete Leal

O Monumento a Julio de Castilho se inseriu num campo mais amplo de arte pública na cidade: a escultura pública figurativa desenvolveu-se em Porto Alegre, principalmente, entre 1900 e 1936, declinando nos anos de 1940 – José Francisco Alves

Julio de Castilhos

Monumento a Julio de Castilhos, 2012                                                                                          | Foto: Vick Fichtner

O projeto no entanto sofreu muitos atrasos e modificações. Em 1907 o Museu do Estado foi renomeado Museu Julio de Castilhos. Finalmente os trabalhos para o monumento começaram em 27 de julho de 1910.

Projeto: Décio Villares
Supervisão, assentamento e fundação: Affonso Hebert
Cantaria: Jacob Aloys Friedrichs

Abaixo, uma das primeiras fotos do monumento, ainda inacabado, com a colocação dos dois cães de ferro diante da escadaria.

Acabamentos do Monumento a Júlio de Castilhos

Acabamentos finais do monumento, antes da inauguração.

Abaixo a primeira página da edição do dia 24 de janeiro de 1913, do jornal A Federação, onde se anunciava a grande expectativa pela inauguração do monumento nas próximas horas.

A Federação 24/01/1913

A Federação, 24/01/1913                                                 | Fonte: Arquivo Histórico de Porto Alegre

O monumento foi inaugurado  em tons épicos por Borges de Medeiros, em 25 de janeiro de 1913, dia da sua posse como Presidente do Estado, ou Governador, como dizemos atualmente. Borges cita em seu discurso o poeta latino Ausônio (310 – 395): Vita perit, mortis gloria non moritur,  “A vida se perde, mas a glória da morte não morre”. Getúlio Vargas, então com 25 anos, fez um dos discursos de elogio ao novo presidente empossado horas antes. Já era deputado estadual em segundo mandato, pelo Partido Republicano Riograndense (PPR) e provavelmente estava presenta também na inauguração do monumento.

Abaixo, foto da inagurahão do monumento.

Foto-Inauguração Matriz Acervo Assembleia Legislativa RS pequena

Talvez temendo que a maior parte dos presentes não entendesse o que estava vendo, o governo mandou imprimir para a ocasião um folheto com a descrição do significado de cada uma das partes do conjunto. – Arnold Doberstein

A foto abaixo mostra o entorno original do Monumento a Julio de Castilhos. Atualmente, todo o lado esquerdo da foto ganhou proporções monumentais, com a Catedral Metropolitana (1921-1986) e o Palácio da Justiça  (1953-1968).

O Monumento a Julio de Castilhos em 1920, no meio da praça, entre a antiga Igreja da Matriz e o Palácio Piratini ao fundo e entre o Tribunal e o Teatro São Pedro em primeiro plano.

O Monumento a Julio de Castilhos em 1920, no meio da praça, entre a antiga Igreja da Matriz e o Palácio Piratini, ao fundo, e entre o Tribunal de Justiça e o Teatro São Pedro. em primeiro plano. O tribunal foi incendiado em novembro de 1949..

Visão geral do Monumento a Júlio de Castilhos

Visão geral do Monumento a Julio de Castilhos, já sem a Igreja da Matriz, que foi demolida em 1929, e antes da construção da Catedral Metropolitana | Acervo do Museu Joaquim Felizardo / Fototeca Sioma Breitman .

De 1880 a 1930, por meio século, a doutrina positivista foi um pensamento hegemônico na vida política do Rio Grande do Sul e o monumento tem forte influência desta doutrina. No alto, dominando tudo, a representação feminina da República, frequente desde a Revolução Francesa, cuja data, 1789, está gravada logo abaixo, e um pouco abaixo, a data da proclamação da República no Brasil. A República seria o símbolo dos ideais que resumem a política moderna, de Liberdade, Paz e Fraternidade. Porta nas mãos um archote de luz e um diploma constitucional.

Érico Veríssimo, em seu primeiro romance, Clarissa (1935), faz uma referência a essa estátua no topo do monumento, que então era pintada de dourado.

Marianne, a representação feminina da República

A República

Clarissa sorri e segue o seu caminho.
À frente dum café pára agora um caminhão pintado de azul. De dentro dele desce um mulato mal-encarado com uma barra de gelo às costas.
– Que bom se eu tivesse duzentos réis pra comprar um picolé …

E este pensamento persegue Clarissa até à esquina da praça.
Na praça, os jacarandás estão cobertos de flores roxas. Lá em cima, no topo do monumento, a imagem da República – uma mulher que tem na mão uma bandeira – faísca ao sol, recortando o seu perfil de ouro falso contra o azul puro do céu.
(Clarissa, Érico Veríssimo, 1935)

.

Detalhes da estátua

Essa estátua no alto se encontra sobre uma esfera celeste, com estrelas que representam os Estados, e a divisa Ordem e Progresso, uma forma abreviada do lema positivista de Comte, O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim. Décio Villares, o autor do Monumento a Julio de Castilhos havia desenhado o disco celeste azul na bandeira republicana, de 1889, cujo projeto foi idealizado por Raimundo Teixeira Mendes, em colaboração com Miguel Lemos.

Diante do conjunto monumental, de baixo se levanta um dragão, em  posição de ataque, simbolizando os perigos que a causa republicana, liderada no Estado por Julio de Castilhos, enfrentou. O dragão era o símbolo da Casa de Braganga, do Imperador D. Pedro II, que estava a frente da monarquia brasileira, e decorava o cetro imperial e uma série de utensílios e objetos pessoais.

Hoje a República está a salvo da restauração  monárquica, mas nossos monumentos continuam enfrentando novos dragões, ou seja, todos os perigos que as ruas oferecem, como o descaso, as pichações e o vandalismo.

Décio Villares foi também o autor de outro monumento de caráter positivista em homenagem a outro grande republicano. Em 1891 morre Benjamim Constant, para muitos o verdadeiro protagonista no ato de Proclamação da República. Mas somente em 1926 seu monumento foi inaugurado na Praça da República, no Rio de Janeiro. O Monumento a Benjamim Constant, obra também de Villares, embora mais simples, guarda muitas semelhanças com o Monumento a Julio de Castilhos, concluído 13 anos antes.

Monumento a Benjamin Constant, no Rio de Janeiro.

Monumento a Benjamin Constant, no Rio de Janeiro.

A Praça da Matriz, consolidada como o centro cívico, cultural e religioso dos gaúchos foi palco de inúmeros acontecimentos de relevância histórica, como o pronunciamento militar dos Menna Barreto em 19 de junho de 1823, em solidariedade a Dom Pedro I; a recepção ao Imperador Dom Pedro II, em 1865; a aclamação da República, em 1889; a deposição de Julio de Castilhos, em 11 de novembro de 1891 e a sua posterior recondução ao governo em 17 de junho de 1892; as manifestações populares dos grevistas de 1917, que paralisaram completamente a cidade por dias; as célebres sessões na Assembléia Legislativa que reconheceram a reeleição de Borges em 1922, estopim da Revolução de 1923; a imemorável Constituinte Estadual de 1947; a Campanha da Legalidade, em 1961; também nos anos 1960, a catedral recepcionou Dom Vicente Scherer, primeiro gaúcho sagrado Cardeal em Roma; em 1989, o Palácio Farroupilha efervesceu com as sessões da Constituinte cidadã. – Viva o Centro

Textos para leitura

Praça da Matriz – Cronologia (Ministério Público)
Monumento a Julio de Castilhos (Wikipédia)
Patrimônio: Governo abrirá licitação para restauro do Piratini (Sul21)
A Porto Alegre Positivista (Arnold Doberstein)
REPRESENTANDO A HISTÓRIA EM PRAÇA PÚBLICA: OS MONUMENTOS A BENJAMIN CONSTANT E A JULIO DE CASTILHOS (Elisabete Leal – UFRJ)
INVENTÁRIO DA ESCULTURA PÚBLICA DE PORTO ALEGRE (José Francisco Alves)
CONSTITUCIONALIDADE EM DEBATE: A POLÊMICA CARTA ESTADUAL DE 1891 (Gunter Axt)
O CENTENÁRIO do MONUMENTO a JULIO de CASTILHOS (Círio Simon)

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Destaque do editor

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